O soco não veio. Bem, não como eu o imaginava, pelo menos. Problemas da livre interpretação... Acabou vindo outro soco: na boca do estômago. Desses bem ruinzinhos. Não te tiram de órbita, mas te deixam bastante desconfortável e sempre para acordar... Acorda, Marcelo. Get over, me diz a voz amiga. Pelo menos, no final os amigos sempre ficam. Ainda bem.
Vai, Carlos, ser gauche na vida. Mas cheio de amigos!
Se não me engano, era Vinícius que dizia que amigos não se fazem: se reconhecem. Devo ser um cara de sorte ou bom fisionomista. Mas e os amores? Como é essa história? Vende no Pão de Açúcar? E na feira do Paraguai? Importado, pirata, não importa. Um amor qualquer, desses de passar tarde de chuva. Nem precisa perder a cabeça. Pode ser leve como um sonho mesmo... Onde tem?
Mas, na verdade, desconfio que não preciso de um amor. Não... Amor eu tenho aos tantos... Bem, não exageremos. Mas digamos que tenho uns quantos e bons. O que eu quero... O que eu quero... é um abismo. Eu sei que estou ficando chato com essa história. Mas é isso mesmo. Eu quero um abismo. Tanto como a criança chata que quer uma bicicleta no Natal... Eu quero um abismo todo meu. Mas, como eu sou bonzinho, eu até prometo que divido ele. Mas só com ela... Com ela só. Com ela a sós... Danadinho! hehe
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Falei com minha mãe: a vida podia ser leve. Leve como a borboleta. É, a Júlia é quem diz... Bem que podia mesmo. Não, para mim ela não é pesada. Eu acho que já me libertei de muito do seu peso... Mas queria que mais gente fizesse isso... Deveríamos democratizar a leveza...
Eu estou triste porque pessoas que eu amo carregam um peso que não lhes pertence. Queria abraçá-las e dizer-lhes, ao pé do ouvido, que não se preocupem, que abandonem esses fardos onde estão e sigam seu caminho. Mas não posso fazer isso. Essas coisas não são assim... Certas coisas não se dizem. Certas coisas se aprendem...
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Get over, Marcelo. And get a friend. A new friend...
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