miércoles, 31 de octubre de 2007

Für dich

"De manhã cedo

Já está pintada

Só vive suspirando

Sonhando acordada.

 

O pai leva ao doutor

A filha adoentada

Não come nem estuda

Não dorme nem quer nada.

 

Mas o doutor nem examina

Chamando o pai de lado

Lhe diz logo, em surdina:

 

- O mal é da idade!

E que para a tal menina

Não há um só remédio

Em toda a medicina."

 

Luiz Gonzaga, Xote das Meninas.

viernes, 26 de octubre de 2007

Y, bueno, nada...

E porque há sol. E faz um calor de matar. Mesmo que ontem tenha chovido. Muito. Tanto que o Pedro teve que trocar as pedras do Haroldo. E deu aquela preguica de sair de casa. E quando o Henrique chegou, decidimos que ficaríamos em casa mesmo. Nem fomos assistir os reincidentes. E o Pedro e o Henrique acabaram dormindo, enquanto eu me maravilhava com a fotografia de O Passageiro...

E porque é primavera e os plátanos - quando se chamam em português? - enchem o ar com essa coisa que faz espirrar e cocar os olhos... Embora talvez esse seja o único rastro de primavera. Lá na minha cidade, isso é verao. Mas lá na minha cidade é diferente - os ônibus às sete da manha já estao abarrotados de gente e nem daria para ir a Belgrano tranquilo como hoje...

E porque amanha é sábado. E nem importa se terei que passar o dia trabalhando - promessa que venho renovando há duas semanas, sempre sem cumprir. E por isso me vejo cada vez mais forcado a cumpri-la a todo custo. Mas nem é tao dramático assim. Nada é tao dramático assim. No fim, tem até teatro. Tem até ela.

E porque eu comprei esse livro de capa amarela sem nada escrito. Cheio de textos misturados em milhares de línguas, sem referências precisas. Que quando ia passando as suas páginas ia me enchendo disso que nao se pode explicar. E como comentar isso em análise? Eu que nem fui nessa semana. Vou na próxima. Gostei tanto que comprei dois. Um para presente. Que é quase um porta-retrato. Algum dia terei que pagar. Essas coisas. Enfim.

E porque, algum dia, tudo isso será borrosa lembranca. Só por isso. Escrevo.

Nada mais.

 





Beija Eu
Arnaldo Antunes, Marisa Monte

 

Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...

 

Molha eu!
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...

 

Beija eu!
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...

Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...

 

Seja eu!
Seja eu!
Deixa que eu seja eu
E aceita
O que seja seu
Então deita e aceita eu...

 

Molha eu!
Seca eu!
Deixa que eu seja o céu
E receba
O que seja seu
Anoiteça e amanheça eu...

 

Beija eu!
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser...

Então beba e receba
Meu corpo no seu
Corpo eu, no meu corpo
Deixa!
Eu me deixo
Anoiteça e amanheça...

 

miércoles, 17 de octubre de 2007

Krishna

Te vi em Buenos Aires ontem. Era igual a você. Subiu ao ônibus com uma mochila pequenininha nas costas. Óculos retangulares de armações grossas, escuras, contra a pele clara. Cabelo castanho em uma grossa trança, que descia até o meio das costas. Levava um blaser beige, bem cortado, lindo, perfeito para ela. Na roupa, algumas coisas rosinha. E a mesma expressão no rosto. De quem pensa enquanto se dirige a algum lugar. O corpo está cansado, mas a cabeça dá mil voltas.

Te vi ontem em Buenos Aires. No ônibus 29, em direção à Boca. Você subiu na avenida Luis M. Campos, mas não sei quando desceu. Te perdi olhando pela janela.

 

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lunes, 15 de octubre de 2007

Não há motivos para que soe triste

Time

 

Ticking away the moments that make up a dull day
You fritter and waste the hours in an off hand way
Kicking around on a piece of ground in your home town
Waiting for someone or something to show you the way

 

Tired of lying in the sunshine staying home to watch the rain
You are young and life is long and there is time to kill today
And then one day you find ten years have got behind you
No one told you when to run, you missed the starting gun

 

And you run and you run to catch up with the sun, but its sinking
And racing around to come up behind you again
The sun is the same in the relative way, but youre older
Shorter of breath and one day closer to death

 

Every year is getting shorter, never seem to find the time
Plans that either come to naught or half a page of scribbled lines
Hanging on in quiet desperation is the english way
The time is gone, the song is over, thought Id something more to say

 

Home, home again
I like to be here when I can
And when I come home cold and tired
Its good to warm my bones beside the fire

Far away across the field
The tolling of the iron bell
Calls the faithful to their knees
To hear the softly spoken magic spells.

 

 

lunes, 8 de octubre de 2007

Sobre mantras, verdades e contradicoes

JOSÉ

Carlos Drummond de Andrade
 
          E agora, José?
          A festa acabou,
          a luz apagou,
          o povo sumiu,
          a noite esfriou,
          e agora, José?
          e agora, você?
          você que é sem nome,
          que zomba dos outros,
          você que faz versos,
          que ama, protesta?
          e agora, José?

          Está sem mulher,
          está sem discurso,
          está sem carinho,
          já não pode beber,
          já não pode fumar,
          cuspir já não pode,
          a noite esfriou,
          o dia não veio,
          o bonde não veio,
          o riso não veio
          não veio a utopia
          e tudo acabou
          e tudo fugiu
          e tudo mofou,
          e agora, José?

          E agora, José?
          Sua doce palavra,
          seu instante de febre,
          sua gula e jejum,
          sua biblioteca,
          sua lavra de ouro,
          seu terno de vidro,
          sua incoerência,
          seu ódio - e agora?

          Com a chave na mão
          quer abrir a porta,
          não existe porta;
          quer morrer no mar,
          mas o mar secou;
          quer ir para Minas,
          Minas não há mais.
          José, e agora?

          Se você gritasse,
          se você gemesse,
          se você tocasse
          a valsa vienense,
          se você dormisse,
          se você cansasse,
          se você morresse...
          Mas você não morre,
          você é duro, José!

          Sozinho no escuro
          qual bicho-do-mato,
          sem teogonia,
          sem parede nua
          para se encostar,
          sem cavalo preto
          que fuja a galope,
          você marcha, José!
          José, para onde?

 

Há frases que se repetem uma e outra vez. "Eu nao sou fa de CDA." Heresia que poderia custar a vida a um mineiro. Ou render-lhe glórias entre os pretensos poetas livres. "Eu nao gosto de CDA". Quase um mantra em meu rosário ateu. E entretanto, mais uma vez o cito. Porque há coisas que sao assim. Você pode repeti-las um milhao de vezes. E, por mais que você esteja certo da veracidade daquela afirmacao, sabe, de algum modo, que a maior verdade nao é livre de contradicoes.

Sozinho no escuro, qual bicho-do-mato, sem teogonia, sem parede nua para se encostar, sem cavalo preto que fuja a galope, você marcha, José! José, para onde?

Para onde, José? Para onde marcho?

Uma e outra vez. Sem que nunca haja importado realmente a resposta.

Adelante, siempre adelante.

Que los abismos sólo se revelan de muy cerca.

domingo, 7 de octubre de 2007

After saturday

Domingo, 21hs. Esperando o Henrique para ir comer uma pizza imunda no Continental.

Às vezes, a comida é o que menos importa.

E essas festas ainda vão acabar comigo.