jueves, 1 de diciembre de 2005

Escutando Jamie Cullum e tentando me salvar...

Dias cansativos estes... I'm about to crack down... Meus esforços se dirigem a melhorar o meu humor - há muito não me via tão amargo... tem sido difícil evitar odiar-me a mim mesmo neste estado... Enfim... as coisas vão melhorar. Todo es cíclico, no? ;-)

Transcrevo abaixo algumas linhas, nascidas há alguns poucos dias...

E continuo escutando um novo jazz - Jamie Cullum.

 

 

 

Olhei para o relógio e decidi parar. Não havia muito tmepo e eu devia guardar alguma margem para eventuais atrasos. Não muitos, pois era preciso algo de pressa para evitar a ansiedade - uma estratégia que mantivesse minha atenção sempre nos quinze minutos seguintes, nada muito além disso.

Era portanto hora de parar. Tempo suficiente para sair, comer algo com alguma calma, voltar, arrumar minha mala, tomar um banho, deixar a casa minimamente habitável, dispensar as últimas atenções ao meu gato e partir. Partir cedo, não como de costume: outras pessoas também dependeriam de mim e, o que é mais preocupante, eu dependeria de outras.

Foi assim que parei e saí. Uma fome imprecisa, sem desejos ou particularidades. Talvez servisse mais bem como pretexto. Algo que me levasse à rua, à livraria. Eu sabia que precisava levar-lhe alguma coisa. Não se pode chegar assim, de mãos vazias. Haveria que levar um testemunho, um marco, um objeto concreto que tornasse mais físico algo tão simbólico, tão amorfo, tão unergreifbar. E, assim sendo, haveria de ser um livro. Quiçás um CD - eu que tanto em notas como em versos me componho e descomponho. Seria um CD ou um livro. Mas o CD poderia não cumprir seu objetivo. Tão f'acil nos fala a música, tão direta e pervasively que seriam demasiado grandes as chances de não lograssem mostrar de mim o mais importante.

Foi um livro. O livro. Poucas páginas de crônicas que tanto me marcaram. Sequências de palavras tantas vezes tão confusas que em idade semelhante à sua me tomaram de arrebalde e me levaram a mim. Desatando laços e atando-me à vida, ao plasma... Sim, aquele livro seria apropriado.

DEixei-o aberto, sem embrulho. Pensei em dedicatórias mas não ousei escrevê-las. Eu já sabia, eu acho. E, ademais, não sabia que palavras escolher... Restaram as páginas imaculadas.

Retorno à casa, entre novas notas que me invadem e me ajudam a manter-me dentro do eterno e confortável horizonte de quarto de hora. A mala, as camisas, as meias - mais tarde perceberia que, uma vez mais, havia me esquecido do cinto... Documentos, pente, post-its... A comida para o gato, o telefonema à Fabiana, a chave do carro, a porta, a rua. Sempre a música e meus quinze minutos.

Ela não veio. Eu já sabia. O atraso do vôo, o silêncio do celular, minha falta de assunto, a falta do que ler. O livro que, dentro de minha bagagem, se oferecia de maneira atrevida para que o tomasse em mâos e reabrisse suas páginas. Eu já sabia e talvez por isso não me houvera acometido a tradicional dor de barriga. Sim, eu estava ansioso. Mas apenas como quem anseia a janta.

Não veio a dor, não veio a angústia, o livro não saiu de minha pasta.

Ela não veio. Eu o sabia quando a mala tardava a aparecer na esteira e, no entreabrir de portas automáticas, não via seu rosto curioso, um olhar que procura o que não sabe.

Ela não veio. Talvez eu já esperasse. Acredito que sim, eu já o sabia. Não desses saberes claros, certos. Um pressentimento, algo tão sutil como o medo...

Ela não poderia vir. Sendo como é, conhecendo-a, eu já esperava que não viesse. Não, eu não a conheço tão bem. Ela tampouco a mim. A não ser poucas partes - como profundos cortes, de precisão cirúrgica, que pouco revelam em amplitude, mas ainda assim mostram da essência. Suficiente para que eu intuisse, soubesse, que ela não viria.

Eu não a esperava. Não. Não naquele momento. Não naquelas circunstâncias. Há coisas que não podem ser assim.

Eu não a esperava. Ainda a espero. Como quem espera o que certamente virá.

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