sábado, 30 de septiembre de 2006

Mais um sábado

De vez em quando, um jornalista se permite o ar da excelência... Não, não sou um amante da vendida Folha de São Paulo... Mas, morando no exterior e sem dinheiro para pagar a assinatura eletrônica de outros jornais, tenho que me limitar à oferta de conteúdo do UOL... Não está tão mal, afinal de contas, dizem que o Brasil lê a Folha (duvido muito desse conceito de Brasil...). E bem, eis que leio o artigo do Vinícius Mota. Maravilhoso. Aí vai: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz3009200606.htm.

E aproveito o embalo para fazer outra recomendação. Leiam Le Balcon, de Jean Genet. Com um pouco de sorte, talvez tenham a oportunidade de vê-lo encenado... Fui ontem ao CCC, aqui em BsAs, assistir a penúltima apresentação dessa temporada. Maravilhoso... Tenho que ligar para meu tio Fernando e comentar com ele...

 

No mais, nem tudo são flores... Já me advertiram que meu novo empregador costuma demorar pelo menos três meses para pagar os salários... Como já diria o grande Chico, "a gente vai levando"... E continuar procurando! Adelante, siempre adelante (tá, vale dar uma paradinha e choramingar um pouquinho... quem não gosta de colo?)

 

viernes, 29 de septiembre de 2006

Pós fake - ainda escrevo um relato decente

Todo pré tem um pós. E fui relapso em registrá-lo aqui.

Infelizmente, agora não tenho muito tempo. Em quinze minutos tenho que estar em frente ao teatro, onde assistirei a uma montagem do clássico Le Balcon, de Jean Genet...

Mas, resumindo: segunda-feira, às 11h00, volto a ter uma rotina.

Minhas maiores preocupações agora? Preciso de uma bolsa, dessas de tiracolo, calças e um par de sapatos... E vou me matricular finalmente na academia (consequentemente, preciso de outra bolsa e roupa para malhar...).

E claro: tem as quatro resenhas que, agora, não tenho tempo para fazer... Mas enfim: para algo tem que servir a insônia, não é mesmo?

E Srta Perfeição: infelizmente já não poderei dormir a siesta...

 

A todos que suportaram meu mau humor insuportável e que constantemente me disseram para não me jogar no Rio da Prata: obrigado! Obrigado também à Theys, que matou várias galinhas pretas e colou o cu do sapo, e ao Pato, que matou alguns corvos (diz ele). E claro, ao Bolitchas, que me salvou do bendito jantar de ontem. A noite é muito melhor lá fora... Dios: por que os renascentistas eram tão obcecados com a regra áurea? Sorry, dear, mas sou muito mais eu e meus amigos assimétricos...

 

Pd: Nunca imaginei que o Lula algum dia pudesse me ajudar de alguma forma... Obrigado, Presidente! E também à escória que o rodeia. Não fossem as suas trapalhadas, sobre o quê eu teria escrito???

jueves, 28 de septiembre de 2006

Sobre a relatividade da sorte.

Sabe aquela menina para casar?

Eu sei. Vivo com uma.

Linda, divertida. Adora limpar a casa. Não cozinha muito bem, mas até nisso ela é perfeita - afinal, eu cozinho. Adora seus amigos e seus amigos a adoram. Sempre recebe gente em casa e prepara tudo para recebê-los da melhor maneira possível. É confidente, estudiosa, tem ambições. Perfeita.

Perfeito, não?

Pois então. Eu moro como com uma e te pergunto se você não quer levar para você.

É que eu... Ah, meus amores... Eu não sirvo para a perfeição. Eu sou imperfeito demais... Eu sou um saco. Mas fazer o quê? Sou assim... E não: não guardaram meu ticket de garantia... Por mais que me esforce, acho que morrerei assim. Já tentei, mas não adianta. Não tem remédio.

Você não imagina como alguém como eu pode se sentir uma merda em presença da perfeição. Ainda pior em frente à perfeição feliz, que arruma a casa para receber visitas... Meu mau humor não entra em seu esquema. Minha toalha (quadriculada que não combina com a azul dela e que, portanto, foi parar em algum lugar longe da vista alheia) não entra em seu esquema. O abacate da minha salada (muito pesado) não entra no seu esquema. Minhas perversões, meu amor pelo caos, minha insanidade... Não entram em seu esquema. Enfim. Eu não entro em seu esquema. E nunca entrarei, por mais que aperte, aperte, aperte...

Mas me esforço para poder ao menos conviver com essa perfeição. Andando com cuidado. Não quero romper o vidro. Não quero contaminar o ar que rodeia essa perfeição. E, ainda que quisesse - que pretensão a minha - talvez nunca conseguisse. Sou tão somente um pária mais!!!

Mas é difícil. Ai, é difícil controlar a besta que vive dentro de mim.

 

Eis que vejo-me lutando novamente contra minha insônia. Esse tormento que carrego há alguns anos comigo. Havia muito que não me perturbava, mas voltou. Não: não sou desses que passa a noite em claro. Mas me custa dormir e acordo várias vezes no meio da noite. Qualidade de sono? Acho que chamam assim. Pois é, não tenho. Me levanto cansado, já cedo, e entro no piloto automático. Manhãs lentas e improdutivas. Café ou mate, jornais e coisas fúteis. Muito sono. Mau humor, naturalmente. A hora depois do almoço é uma tentativa de tentar repor o cansaço que a noite não levou. Uma hora encostado, tentando fechar os olhos, tentando dormir. No máximo, um cochilo. E um novo levantar cansado, mas já mais animado, que deve servir para chegar até o fim do dia. E começa tudo novamente.

Assim foi hoje. Noite horrível, manhã no supermercado. Miss Perfeição frustra meu cardápio de almoço - não farei peixe para mim, o faremos para os convidados perfeitos que virão a noite. Como minha salada com abacate - pesado para o estômago perfeito, mas que cai leve na minha fossa sanitária. E tento dormir. Persianas abaixo, cara metida no travesseiro. Rolo, penso, penso, penso. Já é hora de levantar. Preciso de um chá.

Vou à cozinha e a perfeição ocupa todo o espaço no esmerado exercício de preparar manjares com que receberá seus convidados. Chá, chá. Sim, chá.

- Sabe de uma coisa? Acho que talvez essas siestas sejam a razão da sua insônia...

- Acho que não.

Volto para o quarto.

Miss Perfeição não entende nada. A perfeição jamais compreenderá o imperfeito.

miércoles, 27 de septiembre de 2006

Pré

Chove em Buenos Aires. Não a chuva pesada de outro dia. Uma chuva leve, fina.

Faz frio. Friozinho. Uma recordação de um inverno que já passou mas, ciumento, rouba espaço à primavera.

Dentro de meu quarto, leio. Às vezes, levanto-me, cozinho, tomo notas. Calculadamente calmo.

Passei camisas azuis. Vesti uma delas. Gravata vermelha. Gosto deste contraste. Por cima, um suéter azul, algo mais escuro. Não colocarei paletó. Talvez sinta um pouco de frio, mas tampouco colocarei sobretudo. (Não deveria levar algo para preencher as mãos???)

Busco algo que me ajude a passar os poucos minutos que me restam antes. Calmo, é preciso estar calmo.

E me preparo para sair.

 

Chove em Buenos Aires. Não tenho guarda-chuvas. Talvez devesse ter uma capa.

Mas não importa. É uma chuva fina. E são apenas algumas quadras.

Saio.

martes, 26 de septiembre de 2006

Raining in Baltimore

Volto a despertar-me.

O Orkut me avisa: seu maior sonho vai se realizar. Acho que isso significa que em breve dormirei novamente. Se minha mente me deixar em paz. Se, por alguns minutos, deixar de trabalhar e voltar ao repouso. Ao descanso.

Tenho sonhado muito. Sonhos agitados. Personagens passados que regressam com força, invadindo meu presente. Há quem interprete os sonhos. Kerouac os anotava em um caderno. Quero ver-me livre deles. E dormir apenas...

 

Nessa horas de insônia, tento organizar as idéias de um eventual ensaio (ou resenha?) que devo entregar nos próximos dias. Durkheim, Mauss, Malinowski... Clássicos, sempre clássicos. (Será que eles dormiam?) E a clássica pergunta: what makes society hang together? I can't even make my environment hang together. My world is crumbling down and I can't stop this terrible disruptive force that comes from inside me. What a terrible mess...

 

Mas o Orkut me avisa que meu maior sonho vai se realizar... E eu apenas espero que ele tenha razão.

 

Vou voltar para a cama e ler Archetti. Sobre pólo, tango e futebol. Masculinidades argentinas. Às vezes os menos clássicos são mais legais...

 

***

 

Ontem foi aniversário da Fabi. Nâo consegui falar com ela, mas mandei minha porta-voz. Amo você, Fabiana Maria!

Hoje é aniversário do Patito! Celebrate it, dude!

 

E fico aqui, com vontade de "jogar alguém no canto escuro e não deixar sobrar nem pó...". Arrasa! Saudades.

lunes, 25 de septiembre de 2006

Às claras

Noite de insônia.

E eu que achava que tudo estava perto do fim...

 

Tenho entrevista nesta quarta. E acabo de saber de mais uma possibilidade...

Revolvendo. Revolvendo...

Até parar de revolver-me na cama...

Desperto. Desperto.

domingo, 24 de septiembre de 2006

Resumindo...

Foi quase uma semana de férias.

Semana de insuportável mau humor. Demasiada realidade.

Precisei escapar. Escapei.

Mas é claro que nunca se escapa. Os fantasmas sempre voltam. E não nos abandonarão nunca.

Foi uma semana difícil. E é difícil estar sozinho - mesmo com pessoas queridas por perto.

Refugiei-me na música. Em mim. Fechado na ostra, mais uma vez. Mas na rua.

 

Na verdade, comparando com outras semanas, não estive nada recluso. Ao contrário. Terça, aniversário de colegas. Quarta, cerva depois da aula de violão. Quinta, minha querida Agustina. Sexta, concerto, mates, blues e doses de espelho (gracias, Jessi). Sábado, teatro, novas pessoas, velhos amigos e vodca (always connecting people). Hoje, ah... hoje. Almoços étnicos...

Semana agitada. Improdutiva, talvez.

É que precisava investir em mim...

Já não me agüento de tanta realidade.

 

Não sei como seguirão as coisas... Com sorte, tudo vai encontrar seu rumo. E, se não... Enfim, a vida é assim mesmo.

Não se pode ganhar sempre. Talvez não se possa ganhar nunca.

Mas quem disse que quero ganhar?

Eu quero é ser feliz.

 

Fundo de poço tem mola... O segredo é soltar o corpo e aproveitar a queda.

Nada mais certo que o círculo.

martes, 19 de septiembre de 2006

Omnia mea mecum porto - ao mesmo tempo muito e pouco.

"Mesmo quando minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar, meu coração fecha os olhos e sinceramente chora"

Não sei se é do Chico, mas é parte de Fado Tropical...

E é assim.

Tenho dentro de mim algo que não consigo conter. E que me contém.

Inúmeras voltas dentro de mim. Arfante, jamais encontro o ar.

Essa violência dos meus gestos, do meu olhar, do meu silêncio... nada mais são que braços desesperados buscando a superfície.

 

E respiro fundo. Penso que já vai passar.

lunes, 18 de septiembre de 2006

Cortando cabelo

Quem já morou em Buenos Aires sabe o que significa sair para cortar cabelo. Se a pessoa tem cabelo encaracolado, então, as descrição mais sintética que há para este sentimento é: terror e pânico. Vinte minutos de passeio por uma avenida movimentada como a Santa Fé são suficientes para dar-se conta do que descrevo. Uma incursão na noite portenha certamente levaria a um diagnóstico ainda mais severo...

Pois bem... Sabem aquele cabelo que vai crescendo na nuca e que entrega de cara que há alguns meses que vc viu a tesoura pela última vez? Eu sei, mas, tenho por dois anos mantido meu cabelo comprido, quase já não sabia o que era isso... Dei-me às voltas com esse incômodo sentimento nos últimos dias... Olhava no espelho, passava a mão, pensava... A seqüência inevitável era um suor frio brotando pelo corpo só de pensar em sentar em frente a um peluquero porteño... Titubeei várias vezes. Pensei em adotar uma solução caseira, remediar com meu barbeador... Por fim, pensei: não pode ser tão mau assim... "Hacete hombre, che!" Y bueno...

O Bola havia me indicado O lugar. "Marcelo T. y Riobamba - vai lá!". O Bola sabe o que diz... e me empolguei com a cera que ele comprou no dito lugar e que parecia fazer milagres. Na pior das hipóteses, cresce... Tomei coragem e fui.

Coolcuts se chama o bendito lugar. Música féshion, mulheres e homens féshion, sofá verde-limão féshion coberto de revistas féshion... Em Buenos Aires tudo é féshion... "Con onda"... Menos o café que me serviram. Que, aliás, era bem argentino. O menininho féshion lavou me cabelo e me deixou esperando pelo outro rapaz que ia cortar meu cabelo. Óculos de armação vermelha, féshion. E boné. Desconfiei...

"Cómo hacemos?". Odeio essa pergunta. Acho que é por isso que gostava do Luciano de Brasília... Minha vontade era dizer: corta só o pé e tá massa... Mas sempre achei o fim sair para cortar cabelo e voltar como se nada tivesse acontecido. Além do mais, era indicação do Bola e o Bola tinha me mandado para o lugar mais féshion de BsAs... Respirei fundo... "Qué podríamos hacer?". Erro. Daí pra frente, tudo previsível. Tesoura vai, vem, volta, corta, repica... Não tem mais jeito... Aquele sentimento de que você fez merda. Cagaram na sua cabeça.

Ele tenta salvar. "Pará que pongo un poco de cera". Ah! A cera! Vai me salvar. Esquenta com o secador (preciso esquentar também para tirar depois?), passa na mão, passa no cabelo e voilà. Todos te olham. Elogiam. E você tem aquela sensação de que cada palavra é meticulosamente calculada.

Passa ao caixa. O preço também é féshion. Pede cera. Tentam te vender outra coisa, mas você acha que sabe o que está pedindo. Chamam a Eddy, o peluquero féshion responsável pela obra de arte que você agora ostenta pelas ruas da cidade, e ele diz qual é a cera certa... Péssima notícia: não vendem mais a cera que tinham... O salão féshion tá virando mega féshion e o processo de ampliação envolve uma nova linha de produtos. Dá-lhe outra cera: igualzinha à outra, mas mais féshion. Made in NYC... Vem a conta. Mega hype. E você pensa: claro, indicação do Bola...

E sai caminhando pela rua, tentando se olhar nas vitrines.

E pensa que agora você quase pode fazer-se passar por um portenho. Um pouquinho menos, e talvez paulista...

 

(Preciso agora de um óculos féshion, calças féshion e camisetas féshion. Não dá para usar esse cabelo com meus jeans básico e minha camiseta Hering...)

 

Ps: to all fashion lovers: nothing against you - you're cute - but I'm just not one of you!

Depois de tanto tempo...

"Porque puede elegir a la propia moralidad como sujeto de sus creaciones, colocando delante de nuestra vista imágenes idealizadas de una moralidad elevadísima, el arte nos hace vivir una existencia en el nivel de las ideas que, salvo que es ficcional e imaginario, tiene las características externas de la verdadera vida moral. (...) Es necesario señalar que se trata tan sólo de un falso sentimiento? Porque la verdad, en su esencia, consiste en la acción, en el cumplimiento, en la creación de algo de uno mismo fuera de uno mismo, no en la construcción de imágenes hermosas en el silencio de la mente, de imágenes emocionadas contempladas introspectivamente". Émile Durkheim, em Escritos Selectos, pg. 114.

 

Depois de tanto tempo venho deixar aqui registro de vida...

Não gosto de Durkheim. Acho chato. E mal traduzido. Triste... Mas não há como escapar. E nem se deve.

O fato é que fala um pouco da minha vida atualmente. Voltei a ser estudante, voltei a ler e voltei a (tentar a) pensar. Não é fácil. Ainda mais difícil quando se está longe. Regressei a essas terras portenhas. Com sonhos e ilusões cheguei. Intervalo de devaneio. E aos poucos trago de volta meus pés ao chão. Uma aterrissagem tranquila, mas não sem dor. Não tem problema. Estou bem.

E eis que entre as linhas chatas, se encontram passagens como essas. E é lindo.

 

A primavera começou. Extra-oficialmente, mas começou. Tirei as bermudas do armário, aposentei os casacos pesados... Voltou também minha alergia. Há polém por toda a cidade.

O pelo do Haroldo vai crescendo aos poucos. E ele talvez já nem se lembre da sua vida anterior.

Eu sim me lembro... E dá muitas saudades.

Amo todos vocês.