lunes, 30 de octubre de 2006

Gimme pop

Eu sou um eterno romântico... Além de incondicional amante do pop. Eis que me encontro escutando o novíssimo CD do Justin Timberlake - ex N'Sync, sim... - em plena segunda-feira de manhã, enquanto leio as notícias sobre o futuro do Brasil para os próximos quatro anos, tomando mate na cinzenta Buenos Aires...

E assim vai começando a semana, depois de um lindo fim de semana...

E confirmo que minha vida é apaixonar-me continuamente pelas pessoas que me cercam e ir encontrando outras tantas que entrarão para meu inventário de pessoas queridas. Porque a vida não vale senão assim...

E, silente e calada, bate aquela dor de tanto amar. E continuar só.

 

Pd: enquanto isso, Bellinha me brinda com a beleza da vida. Te amo.

 

(Another Song) All Over Again

By Justin Timberlake

in FutureSex Lovesounds

 

You've been alone
You've been afraid
I've been a fool
In so many ways
But I would change my life
If you thought you might try love me

So please give me another chance
To write you another song
Take back those things I?ve done
Cause I?ll give you my heart
If you would let me start all over again

I'm not a saint
I'm just a man
Who let heaven and earth in the palm of his hand
But I threw it away
So now I stand here today asking forgiveness
And if you could just

Please give me another chance
To write you another song
Take back those things I?ve done
Cause I?ll give you my heart
If you would let me start all over again

Little girl, you're all I've got
Don't you leave me standing here once again
Cause I'll give you my life (yes I would)
If you would let me try to love you

So please give me another chance
To write you another song
And take back those things I've done
Cause I'll give you my heart
If you would let me start all over again
Again oh
No no
oh oh

You know I love you (yeah)
Give me one more chance
No No
No No No No

viernes, 27 de octubre de 2006

Sobre laranjas...

 

Eu prefiro laranjas com casca grossa. Pode parecer uma bobagem, mas é um detalhe super importante. Aprendi com minha avó a comer a laranja em sua totalidade. Bem, na verdade, não. Deixo casca e sementes de fora. Mas adquiri com ela o hábito de, depois de chupar bem a laranja, dar-lhe volta e comer os gomos, um a um. Dá para entender? Um europeu não entenderia. Porque lá eles comem laranjas como se fossem mexerica… Mas laranjas são muito diferentes de mexericas… A propósito, adoro mexericas. Não confundamos as coisas porém.


Daí a necessidade da casca grossa… Talvez você já tenha tentado descascar uma laranja. Eu adoro descascar laranjas. Como fazíamos quando éramos criança… Na verdade, naquela época era sempre uma tia que descascava as laranjas. Ia formando aquela tira de casca, o grande desafio sendo descascá-la inteira sem que a tira se rompesse… Depois rodávamos a tira falando as letras do alfabeto para descobrir a inicial de nossos futuros amores… Hoje vejo diminuído meu interesse por tais técnicas adivinhatórias, mas não minha obsessão por producir aquela tira comprida. O retilíneo ex-esférico…


Mas as laranjas que comprei ontem têm a casca fina. Tão fina que mesmo um especialista como eu não consegue descascá-las a contento… Pior: ao dar-lhes volta, já não posso extrair os gomos murchos, expremidos, um a um, com meus dentes… A casca, cheia de buracos, se gruda aos gomos e já não é tão gostoso…


Talvez as da semana que vem, como as da semana passada, venham melhor. Melhor dizendo, mais a meu gosto. Porque eu gosto de laranjas com casca grossa…


 


E eis portanto que é sexta e aos poucos vai entardecendo. Choveu todo o dia e o sol agora se despede firme no céu. Espero que como promessa de fim de semana ensolarado. Vejo-me então em meu eterno dilema. Se faz sol, estudarei? Sempre há a fuga mentirosa de dizer "claro, pego os livros, vou para a praça e fico aí, lendo, sob o sol". Mas acho que essa já não cola. Para mim, a única solução mesmo seria que chovesse. Um desses dias cinza e úmidos, que dá vontade de ficar em casa, abraçado com o amor da sua vida. Pois bem, dada a ausência de amor, ficaria com os livros que há tanto abandonei. Irresponsavelmente, é claro… Mas acho que não vai chover. Então terei que decidir. Como são ruins as decisões às vezes.


 


Mas ruim mesmo é não saber ainda o quê fazer na sexta a noite. E ficar esperando as pessoas decidirem para você se encaixar no plano alheio…


 


Como não me responderam, volto a perguntar: onde compro o amor da minha vida? Pago com cartão de crédito. Entregam aqui em Buenos Aires?


 


Acho que vou chupar outra laranja. Ou então dormir e me preparar para os planos que virão. Porque estudar na sexta-feira vai contra os meus princípios (oh gosh, I must be really fucked up).

domingo, 22 de octubre de 2006

Trilha flamenca

Um dia de flamenco... É quase voltar à casa. À casa já quase olvidada, a raízes tão profundas...

Sexta-feira fui ao show da Niña Pastori - maravilha da música flamenca que Ilana me apresentou quando ainda estava em Brasília... Do alto da n-ésima-quase-última fila do Gran Rex, temia não vê-la, que os acordes se perdessem na imensidão de ouvidos que antecediam o meu...

O show começou tranquilo. Lindo, mas quase chato.

Tudo mudou no final. Dois "bis" super compridos. Improvisados, com dança, percussão... Bulería... E voltei a apaixonar-me pelo flamenco... Por que nunca persisti com as aulas??? Acho que devia voltar. De alguma maneira, é parte de mim. Assim o sinto...

E desde então o fim de semana seguiu amplo, leve e intenso. Fim de semana de muito sol em Buenos Aires. As peles já não são pálidas. Aos poucos vão abandonando os tons de vermelho para curar-se em dourados mouros. Praças cheias de gente. a grama verde, óculos escuros, música e Cortázar.

Caminhar pelas ruas tranquilas dos sábados portenhos, permitindo-se irresponsavelmente que o tempo passe, passe simplesmente.

Depois, comer com amigos. Conversas regadas a vinho. Vapores que conferem a tudo um aspecto de irrealidade. Mais tarde, acordar já no domingo. E pensar que a vida não vale a pena sem música. E que às vezes é melhor não pensar muito e deixar-se levar.

La sangre corre por las venas. Corre libre.

lunes, 16 de octubre de 2006

Feriado deslocado

Ressaca de vinho...

Resultado: são 14h30 e estou tomando sopa de lentilhas...

A parte boa é que hoje é feriado aqui... Transportaram o feriado de quinta para segunda... Unos aburridos estos argentinos...

 

Mais tarde, vou andar de bicicleta na reserva. Depois há show de percussão. Amanhã chega a Nina. Eh!!! A única preocupação: quando vou arrumar a casa? (e quando terminarei as resenhas???)

:-S

 

domingo, 15 de octubre de 2006

Quem?

Preciso de análise.

Não de psicanalistas, psicólogos, pastores...

Preciso de bocas que me falem. Olhos que me olhem. Mãos que me toquem.

Que os dedos não apontem. Mas calem meus lábios quando estes ousarem me defender.

Que ao escutar, descubro quem sou.

Preciso escutar. Escutar. Escutar.

Mas quem?

Sábado à noite

Sábado à noite.

O que se espera?

Acabo de voltar do cinema e, em vez de estar me preparando para me jogar na balada, escrevo enquanto minha sopa cozinha... Velho, eu? É tudo uma questão de perspectiva... Claro que poderia ser diferente. Mas acabou sendo assim. Fazer o quê? Ser feliz é o que resta.

 

Assisti Transamérica. Acompanhado de Ms. Perfection e seu namorado chavista, diga-se de passagem. Gostei do filme. Na verdade, gostei muito. Ainda que deva confessar um certo medo de pecar políticamente ao fazer tal afirmação. Ms. Perfection elogiou as atuações. Me parece digno: mais neutro, básico. E é verdade que as atuações são excelentes. Mas eu gostei mesmo foi da trama. E mais: me diverti. E daí provém meu medo de pecar.

 

Resumindo: Bree é uma transexual às vésperas da operação de mudança de sexo. Leva uma vidazinha medíocre como vendedora de telemarketing e ajudante em um restaurante mexicano na Califórnia. Eis que um belo dia liga um rapaz que está preso, procurando por Stanley - nome verdadeiro de Bree. Stanley seria seu pai. Claro que fode com todos os planos de Bree, que vai buscá-lo e daí corre o filme. O garoto, 17 anos, se prostitui para ganhar a vida e imagina mudar de vida fazendo filmes porn. Wel... aí teríamos todos os elementos necessários para um super drama, mais pesado que a coleção Barsa... É então que o filme surpreende. Sem evitar tocar questões como respeito, relações pais-filhos, moral religiosa, homossexualidade, o qu eé e o que não é socialmente aceitável, etc, etc, o filme não pesa. Passa de maneira muito palatável tudo goela abaixo.

 

Bom? Ruim? Não sei. Não sei como determinadas coisas devem ser abordadas. Não sei como me sentiria se fosse um trans e assistisse ao filme. Não sei se é jocoso, simplista, supérfluo. Não sei. Mas sim gostei. E gostei porque expõe o ridículo que é pensarmos nossas vidas em dualidades, opostos, negro ou branco... Tudo é muito mais complexo. E nem por isso, mais difícil. Os problemas também estão muitas vezes nos nossos olhos...

 

E aqui estou eu, um sábado à noite, em minha casa, sozinho, escrevendo e esperando minha sopa.

Pensando sobre o difícil que sou. Não porque ame a dificuldade. Mas porque não tolere o ser medíocre. E não aceite que se reduza tudo a claros e escuros quando há tanto mais para ver e para viver. Fecho-me assim. Seguramente perco. Não sei bem o quê. Ou para quê. Mas há coisas que simplesmente são assim...

jueves, 12 de octubre de 2006

Están todos locos!!!

É mais comum do que se imagina escutar essa frase por aqui... Os argentinos, aliás, gostam bastante de frases de efeito. ¡Qué se vayan todos! era o lema da corrente política do atual presidente - antes de ganhar as eleicoes, é claro... Mas ¡están todos locos! antecede esse período, acho... O fato é que às vezes se tem a impressao de que é realmente assim. A insanidade corre solta. E eu me divirto. A normalidade é muito chata...

 

Pois bem. Levantei-me (arrastei-me até o chuveiro seria mais preciso) às seis da manha. Na noite anterior já havia me arrependido de me haver disposto a colaborar (di grátis) em um evento que organizam uns conhecidos... Supostamente, um encontro de jóvens políticos latino-americanos. Sim, a insanidade já comeca aí... Trata-se de um evento de três dias que reúne umas poucas dezenas de jovens (nao me perguntem até que idade se é jovem) de dez países da regiao. Na programacao anunciavam também a presenca de "delegados" dos Estados Unidos, Canadá, Franca e Espanha. Na qualidade de observadores, naturalmente... O evento acontece cada dia em um lugar diferente. Hoje, no Congresso, amanha na Chancelaria e, depois, no Ministério da Cultura. Acho chique. Bem como os ternos e vestidos e penteados dos jovens que atendem a tais eventos. Engracado: os jovens políticos se vestem à imagem e semelhanca dos políticos velhos. Algumas vezes, os cabelos sao distintos... Eu também fui com meu terno e minha gravata. Deus me livre ser diferente!!!

 

O tema central de todo o evento, como se podia imaginar, era integracao regional. Falou um Senador... Presidente da Comissao de Infra-estructura... Demorei anos para entender porque as pessoas disputavam a tapa esse cargo no Brasil. Até ver as planilhas do Orcamento, quando minhas dúvidas diminuíram (até desaparecer completamente quando se ameacei entender - porque sao impossíveis de entender-se - os complexos esquemas de desvio, superfaturamento, etc...). O tiozinho nos brindou com o velho clichê de que os jovens sao o futuro do país. Suponho que por medo de que os presentes quisessem ocupar imediatamente o seu lugar. Mas depois corrigiu dizendo que o futuro é hoje. E eu fiquei tentando entender...

 

O Secretário-Geral (acho esse termo tao soviético... Nunca entendi como os EUA permitiram que se usasse essa nomenclatura nos organismos internacionais...) de uma suposta organizacao ibero-americana para a juventude - a que nunca fui convidado a participar, apesar de ibero-americo e jovem - confessou que os políticos "chegamos" atrasados nessa história de integracao... Fiquei na dúvida entre a concordância ideológica e o grau de lucidez da afirmacao... Depois veio o presidente da Fundacao, que é como chamam as ONG´s daqui (e também as Fundacoes...) e de repente a integracao era ao mesmo tempo inevitável e necessária, já que as forcas inovadoras do novo mundo sao o comércio, a tecnologia e os investimentos... Tudo uma questao de escala, segundo ele.

 

Os jovens delegados se manifestaram em seguida. Sete minutos "de reloj" para cada um. Achei digno - parece que todo mundo concordou. Concordaram também sobre a inevitabilidade, sobre o atraso dos políticos, sobre a unidade linguística e cultural da América Latina.

 

O que parece que ninguém viu é que meu compatriota brasileiro nao falou em espanhol, mas em português. E, cá entre nós, d-u-v-i-d-o que os hispano-hablantes entenderam 50% das palavras rebuscadas e pronunciadas em tom parlamentar do prezado colega. Mas ninguém questiona a unidade lingüística: nem mesmo os paraguaios ou os bolivianos... Tampouco questionam a unidade cultural, segundo eles, de matriz católica, sob a qual exisitiriam subculturas igualmente importantes. Nao importa se sub implica inferior, implicada diferenca, implica segragacao. Nada é capaz de diminuir o tom de obviedade com o qual defendiam a unidade de nossas raízes latino-americanas, herdadas da "madre pátria" - e de Portugal, para corregir a gafe. Ia além. Uruguaios nao pareciam se recordar que se opuseram a negociar conjuntamente com outros países do Mercosul, relacionando-se diretamente com a Uniao Européia. Argentina e Chile esqueceram que há pouco se safaram de um conflito sério por causa de representacoes cartográficas em livros escolares. Em total disritmia com seus governos nacionais, Argentina e Venezuela proclamavam a supremacia de uma só América, incluindo Estados Unidos... Claro que nada tao claro, claro que nada tao direto, claro que nada tao bruto. Ainda assim, insólito.

 

E mais insólito imaginar que um grupo de jovens majoritariamente de direita acatassem de maneira acrítica um argumento apresentado por um nao-jovem declaradamente de direita para quem a integracao nao é um imperativo moral ou filosófico, mas consequência da inevitável evolucao econômica. Podia ser Marx citado. Ou Lenin.

 

Nao: a integracao nao é inevitável. Nem é necessária por motivos ecônomicos. A integracao é uma escolha. É uma aposta. Uma aposta no direito de mobilidade das pessoas. Uma aposta na solidariedade entre os povos. Uma aposta na convivênca pacifica entre os diversos. Uma aposta no politico. E talvez os esforcos latino-americanos tenham falhado justamente porque os que antes eram jovens tenham acreditado que o político era mera extensao do econômico... Acreditado em mentiras lindas e absurdas. Quisera que todos os jovens fôssemos surdos! Porque loucos já estamos todos...

miércoles, 11 de octubre de 2006

Devaneios oníricos

E, de repente, eu me encontrava no mundo fantástico de Giu.

Nao poderia descrevê-lo. Na verdade, nao me lembro... (Como posso nao me lembrar?)

Mas nao há dúvidas: era o mundo fantástico de Giu. Ou ao menos era essa a sensacao. Uma boa sensacao, certamente. Algo de leveza, de fábula, de mágica. Um lirismo singelo exalava de cada objeto. E tudo era envolto em uma aura resplandecente.

(Como posso nao me lembrar de mais? Como posso tê-lo esquecido?)

Mas, de repente, um ser alado - um pégaso? uma fada? - tocou-me a ponta do nariz com suas asas. E pronto estava de volta em minha cama. Noite em Buenos Aires. Algo de sede.

Foi quando já quase dormia novamente que acreditei por fim entender a razao por que todos os entes no fntástico mundo de Giu trazem cobertas as pontas de seus narizes.

 

***

 

Saudades dos seus textos. E de você também.

martes, 10 de octubre de 2006

Onde foi que eu errei???

Manhã de terça, tranquila. O despertador me levanta à 7hs... Vinte minutos depois, na verdade. Sozinho em casa (Miss Perfection foi dar pro namorado chavista), disfruto o inenarrável prazer de andar pelado... Até dá saudades da minha casinha na 905 Sul... Também tenho saudades do Parque (e de muitas outras coisas... estou ficando repetitivo).

Banho, café-da-manhã com calma. O doce gosto dos pequenos rituais que me trazem de volta algum sentido de realidade amena...

Duas mensagens novas no Hotmail - que sempre é melhor que 20 mensagens novas no Uol... Era K, pro dia nascer feliz. Conversas com Zusé. E eu penso: deve ser a luz...

Alguns teriam vergonha de admitir: mas eu adoro Leoni...

 


A Fórmula do Amor


Kid Abelha


Composição: Leo Jaime e Leoni


Eu tenho o gesto exato, sei como devo andar
Aprendi nos filmes pra um dia usar
Um certo ar cruel de quem sabe o que quer
Tenho tudo planejado pra te impressionar

Luz de fim de tarde, meu rosto em contra-luz
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão

Mantenho o passo alguém me vê
Nada acontece, não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei

Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor

Eu tenho a pose exata pra me fotografar
Aprendi nos livros pra um dia usar
Um certo ar cruel, de quem sabe o que quer
Tenho tudo ensaiado pra te conquistar

Eu tenho um bom papo e sei até dançar
Não posso compreender, não faz nenhum efeito
A minha aparição será que errei na mão
As coisas são mais fáceis na televisão

Eu jogo um charme, alguém me vê
Nada acontece, não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe
Onde foi que eu errei

Ainda encontro a fórmula do amor
Ainda encontro a fórmula do amor

lunes, 9 de octubre de 2006

Ahí voy, pero mañana

Fin de finde.

Cena para los viejos de un mejor amigo... Y por qué no mis viejos?

Entre platos de ensalada, bondiola y tazas de vino, el sentirse en casa. El sentirse bien.

Y dale domingo. Que mañana todo vuelve a empezar.

Y tengo que correr a toda velocidad.

(y aunque te hayas hecho la boluda y no me hayas saludado, te vi...)

Vacío la última copa, ésta, de água, mientras me morfo un alfajor antes de acostarme...

Aguante Fito.

 

 

Ahí Voy

Fito Páez

 

Yazmín tiene quince años, respira con aletas de pez
Yazmín es tan delicada, sus ojos son dos gotas de té
anoche se escapó de casa, sin notas, sin porqués
Yazmín tuvo mucho, mucho lujo, hoy empieza en un burdel

 

Andy se largo pensando, peor que en casa nunca estaré
Andy se piró del barrio, buscando a qué o a quién tenerle fe
y su corazón extraño dado vuelta en el parquet
ya ha sufrido mucho, mucho, mucho, mucho daño
es momento de largarse a correr

 

Ahí voy, aún siento esa sensación
ahí voy, ese touch en el alma
ahí voy, irse por primera vez
las cosas no cambiaron tanto

 

Rosa se quedó en San Pablo haciéndole a un amigo un favor
la cogieron con dos kilos antes de que despegue el avión
Rosa es una buena, es una buena chica, con un gran corazón
cuando se soltó del brazo, mi amor, algo en ella se rompió

 

Dany tiene un cuentagotas de gotas que no caen al mar
si le quitan las pastillas hay voces que empiezan a hablar
un cable conectó directo con algo más allá
Dany quiere irse muy pronto para no volver jamás

 

Ahí voy, llegando a ningún lugar
ahí voy, yo sigo al remango
ahí voy, canalla de corazón
las cosas no cambiaron tanto
ahí voy, con mis muertos, con mi dolor
ahí voy, la vista adelante
ahí voy, cayendo en la tentación
las cosas no cambiaron tanto
ahí voy, y vos venís conmigo
ahí voy, caballero errante
ahí voy, a ver pibe,
te juego un pulso a ver quién se mete más tragos esta noche
las cosas no cambiaron tanto
Ahí voy, pateando en la tempestad
ahí voy, echando abogados
ahí voy, yo también me escapé una vez
las cosas no cambiaron tanto (x 3)
ahí voy, (x 4)
llegando a ningún lugar

jueves, 5 de octubre de 2006

Notas soltas

Sim, eu sei... Eu sei que não devia. Sei que não devia ter lavado roupa hoje de manhã... Sei que não devia ter escrito e-mails longos... Sei que não devia ter conversado enquanto comia. Sei que não devia ter assistido Clockwork Orange. Nem devia estar aqui, escrevendo essas coisas.

Em vez de tudo isso, devia estar escrevendo sobre modernidade e religião. Nada de mais. Três páginas em espaço duplo bastariam... E talvez seja por isso que eu estou aqui. E também porque há tanta distância entre o dever e o ser... Valha-nos Maquiavel.

 

A propósito, quem ainda não viu Orange Clockwork, veja. É uma obrigação. Não precisa entender de cinema. Não precisa fazer caras e bocas. Nada, nada. Apenas assistir. A mensagem é clara. A estética é perfeita. O humor, refinado. Não: você não precisa ser sádico. Admita apenas que não é perfeito. Enquanto todo mundo tenta sê-lo...

 

***

 

Desde a faculdade tenho essa idéia fixa em classificar ciência como religião... Ando tentado a escrever umas linhas sobre isso. Mas acho que seria muito wannabe-ish...

Mas, cá entre nós... acho que é mesmo por aí.

A culpa de todo meu desespero é a universidade. A academia, os academicismos... Os pós-modernos que vão jogando abaixo todas as minhas certezas...

 

Si no tenés bolas para bancarte las consecuencias, no me plantees polémicas... problemas ya los tengo suficientes... Y orden no me abunda.

martes, 3 de octubre de 2006

Volver a empezar

Primeiro dia de trabalho. Depois de dois meses meio sem norte, uma promessa - ilusória, naturalmente - de alguma segurança, alguma certeza, uma tábua.

Não. Não é a realização dos meus sonhos. Não é um passo rumo à minha vocação (tal coisa existe?). Mas já é algo. Um esboço de rotina.

A segmentação do tempo em períodos definidos, a construção de rituais... Eu preciso de tudo isso.

Porque em mim já tudo e desordem. Ao menos lá fora as coisas devem ser disciplinadas.

 

Pd: e sair do meu país para descobrir que aqui cooperação internacional é exatamente a mesma coisa e confirmar que os supostos guardiões do templo são, como sempre, hipócritas...