Sábado à noite.
O que se espera?
Acabo de voltar do cinema e, em vez de estar me preparando para me jogar na balada, escrevo enquanto minha sopa cozinha... Velho, eu? É tudo uma questão de perspectiva... Claro que poderia ser diferente. Mas acabou sendo assim. Fazer o quê? Ser feliz é o que resta.
Assisti Transamérica. Acompanhado de Ms. Perfection e seu namorado chavista, diga-se de passagem. Gostei do filme. Na verdade, gostei muito. Ainda que deva confessar um certo medo de pecar políticamente ao fazer tal afirmação. Ms. Perfection elogiou as atuações. Me parece digno: mais neutro, básico. E é verdade que as atuações são excelentes. Mas eu gostei mesmo foi da trama. E mais: me diverti. E daí provém meu medo de pecar.
Resumindo: Bree é uma transexual às vésperas da operação de mudança de sexo. Leva uma vidazinha medíocre como vendedora de telemarketing e ajudante em um restaurante mexicano na Califórnia. Eis que um belo dia liga um rapaz que está preso, procurando por Stanley - nome verdadeiro de Bree. Stanley seria seu pai. Claro que fode com todos os planos de Bree, que vai buscá-lo e daí corre o filme. O garoto, 17 anos, se prostitui para ganhar a vida e imagina mudar de vida fazendo filmes porn. Wel... aí teríamos todos os elementos necessários para um super drama, mais pesado que a coleção Barsa... É então que o filme surpreende. Sem evitar tocar questões como respeito, relações pais-filhos, moral religiosa, homossexualidade, o qu eé e o que não é socialmente aceitável, etc, etc, o filme não pesa. Passa de maneira muito palatável tudo goela abaixo.
Bom? Ruim? Não sei. Não sei como determinadas coisas devem ser abordadas. Não sei como me sentiria se fosse um trans e assistisse ao filme. Não sei se é jocoso, simplista, supérfluo. Não sei. Mas sim gostei. E gostei porque expõe o ridículo que é pensarmos nossas vidas em dualidades, opostos, negro ou branco... Tudo é muito mais complexo. E nem por isso, mais difícil. Os problemas também estão muitas vezes nos nossos olhos...
E aqui estou eu, um sábado à noite, em minha casa, sozinho, escrevendo e esperando minha sopa.
Pensando sobre o difícil que sou. Não porque ame a dificuldade. Mas porque não tolere o ser medíocre. E não aceite que se reduza tudo a claros e escuros quando há tanto mais para ver e para viver. Fecho-me assim. Seguramente perco. Não sei bem o quê. Ou para quê. Mas há coisas que simplesmente são assim...
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