Não: não digas nada!
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
Supor o que dirá
A tua boca velada
É ouvi-lo já
É ouvi-lo melhor
Do que o dirias.
O que és não vem à flor
Das frases e dos dias.
És melhor do que tu.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
Não digas nada: sê!
Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
É Fernando Pessoa, em Cancioneiro.
E é ainda mais lindo na voz do Ney Matogrosso, com os Secos e Molhados.
E no meio de tudo isso, encontrar esse poema aí embaixo. Justamente daquela a quem nada preciso dizer para que tudo me entenda. Eu, torpe, teimoso, esquecido... Mas que não esqueço jamais do quanto a amo. Invisível se vê.
Saudadites.
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