domingo, 4 de junio de 2006

Espero, ansiosamente, a realização de uma promessa

Espero ansiosamente a realização de uma promessa. Trata-se de uma padaria. Ou algo similar.

Moro em um condomínio. Um condomínio modesto, de kitnets. Lugar agradável, com entrada para o Parque da Cidade. Habitado sobretudo por solteiros. Entre uma igreja e uma escola.

Isso é em Brasília. Asa Sul, Plano Piloto. Uma realidade confortável, longe da violências de outras grandes metrópoles. Longe do conflito social: que em Brasília se esconde nas cidades-satélite... E, na minha vida pacata, suficientemente distante da nojenta esfera polítiqueira que a todos nós assombra.

Neste recanto, eis que, há algumas semanas, anunciaram, em faixa amarela fosforecente, letras vermelhas: Em breve, pães e conveniência. Sorri só de imaginar o cheiro do pão. Claro que sonhava: não há ali espaço para confeccionarem o pão. Certamente o trarão de lugar mais ou menos distante. O colocarão ali à venda e nós rezaremos para ter a sorte de recebê-lo ainda fresquinho, crocante.

Mas, mesmo sem cheiro, é uma alegria. Uma pequena alegria, assim como minhas torradas... Agora, pensando cá com meus botões, vejo que é uma outra pequena alegria que, por fim, acabará substituindo outras - as torradas. Afinal, tendo ao alcance de alguns pequenos passos no trajeto diário de recolhimento do meu jornal na portaria a possibilidade de, na volta, trazer um ou dois pãezinhos frescos para o desjejum, por que insistiria eu em comer torradas? Mas bem, isso é menos relevante. Mesmo porque, humano como também sou, um dia, por mau humor ou pela alegria de um sol morno, me apetecerão mais as torradas... Não há sentido na competição entre pequenas alegrias. Enfim.

Espero pois ansiosamente a realização de uma promessa. A abertura da padaria. Ou, melhor, do estabelecimento que me venderá pães e conveniências. Sigo atento, quase diariamente, ao menor sinal de avanço nas obras. Com alguma inquietação, constato que as coisas não parecem avançar no melhor dos ritmos... Lembra-me a economia brasileira nos últimos anos... Estarão quiçás resolvendo formalidades... A terrível burocracia, talvez. Foi no Peru que abriram um comércio fictício para ver quanto tempo seria necessário até a autorização para o funcionamento? Acho que foi no Peru. Acho até que era Vargas Llosa que estava envolvido nessa história... Seja como for, não acredito haver parelelos entre aquela experiência e meu estabelecimento de pães e conveniências.

No qual espero, ansiosamente, comprar-me as conveniências necessárias para, a cada dia, livrar-me das inconvenientes tristezas. Ou, menos ambicioso, comprar simplesmente o pão, fresquinho, crocante.

1 comentario:

  1. Ai, nem me fale de pão fresquinho! aqui no condominio não temos nenhuma padaria! um absurdo! A mãe faz pão dez vez em quando, e só assim posso comer um pão bem quentinho, saído do forno. Santas padarias!

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