É patético. Ele é patético.
Disse que perdeu meu telefone. E calou.
Que o conseguiu com outra pessoa. E calou.
E calou.
Depois, perguntou se dessa vez eu não iria ao Rio. E calou.
E eu entendi. Engraçado, não imaginei que ele pudesse chegar a esse ponto.
Sinceramente, não esperava que ele chegasse à necessidade da desculpa para encontrar um rodeio que o permitisse aproximar-se o máximo, sem tocar a barreira, o campo.
Não... Seu calar, de alguma maneira, me surpreedeu.
E, então, pediu o endereço. Entrecortado de silêncios, em uma escrita demorada, anotou-o.
Quando chega? Até quando? Novos entrecortes, ao ritmo da mão que acreditava enganar, sorrateira.
E… sim… o dia será muito corrido… eu vou ver…
Eu já vi.
Mas, ainda assim, devo confessar que não acreditava que ele chegasse tão longe.
Sim, é patético. Mas também tem um quê de corajoso.
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