jueves, 18 de enero de 2007

Devir constante

 

Dizem que os trinta dias que antecedem o dia do seu aniversário correspondem ao seu inferno astral. Como todos sabem, nunca acreditei muito nessas coisas… De qualquer forma, tratando-se deste que vos escreve, a idéia de inferno não é lá das piores, afinal, é conhecimento público que tenho carteirinha de sócio do mundo lá de baixo e que o dono da casa é uma das minhas companhias prediletas - ao lado de mus amigos, naturalmente, para tomar um bloody mary. Com pimenta, claro.


 


Pois bem, inferno astral ou não, o fato é que o meu já inconstante estado de existência anda oscilando a níveis ainda mais impressionantes, criando o ambiente propício para atitudes drásticas e impulsivas.


 


Não, não se desesperem: não pedi demissão do meu emprego. Ainda. Mas devo confessar que foi imensa minha alegria em voltar para casa hoje depois de ter encontrado a porta do escritório trancada… Inocentemente, eu havia combinado de ir mais cedo hoje, às nove, para poder sair mais cedo daquele latifúndio improdutivo e poder dirigir-me mais rapidamente às terras férteis… Esqueci-me que, às nove da manhã, sobretudo durante a ausência da chefe, absolutamente nenhum funcionário público digno do cargo se encontra em sua respectiva repartição. Dei meia volta e fui lavar roupas. Volto às 10h30. E claro que sairei mais cedo.


 


Mas, voltando ao inferno astral… Pois bem, até que provem o contrário, considerando tratar-se de inferno, dou por sentado que é divertido. Pois assim seja. Tenho me divertido bastante no meu trabalho free lance. Também tenho me divertido espiando os vizinhos do frente em frente ao meu. Ao sol da manhã, me divirto lendo o jornal e tomando meu café. Parece pouco? Pois bem: nesta sexta embarco em muito boa companhia rumo a San Nicolás, para um fim de semana entre amigos. Não sei o que me espera exatamente, mas estou louco para descobrir.


 


Além do mais, voltar a freqüentar as salas de cinema, ler filosofia política e economia política, arriscar novas receitas na cozinha, fumar um beck relaxado em casa são coisas que podem parecer insignificantes. Mas que melhoram significativamente minha qualidade de vida.


 


E nada me faz mais feliz do que mudar subitamente de planos. E duas margueritas, é claro.


 


(pensei em postar Metamorfose Ambulante, que combina bem com meu estado atual. Contudo, como minha antipatia por Raul Seixa é pública e notória, em nome da coerência, vai Herbert Vianna - e Bi Ribeiro)


 


Dos Margaritas


 


Fazer um desenho nas costas da mão


Despir a consciência das dores morais


Jogar uma vaca do décimo andar


Viajar sob a lua que varre os sertões


Uma ostra chilena, um beijo em Paris


Se cortasse o cabelo e mudasse o nariz


Se Vital escrevesse a constituição


Se eu nunca quisesse quem nunca me quis


Ser dois e ser dez e ainda ser um


Se a vingança apagasse a dor que eu senti


Ser seco, ser reto, isento, amoral


Se eu nunca lembrasse o estrago que eu fiz


Tudo isso me faria feliz


Absurdos me fariam feliz


Pero nada me hará tan feliz


Como dos margaritas

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