martes, 25 de abril de 2006

Um soco na boca do estômago

O texto abaixo chegou por meio de uma amiga e colega de trabalho. Assim, anônimo. Não é a primeira vez que o leio. E ainda assim, vem como um soco na boca do estômago. À distinção do autor, seria normal pensar que me restam muitas jabuticabas a chupar. Mas isso é indiferente porque, apesar da idade, sei o valor de cada uma delas... Inclusive, talvez a idade mesmo, essa juventude ansiosa e sedente, seja responsável pela avidez com que me entrego a cada caroço.

É impossível viver sem ideais. Mesmo quando eles são abstratos, quase etéreos. Mesmo quando sobre eles pesam o rótulo da ingenuidade, do afã pueril. Simplesmente não posso abrir mão de tê-los. Já me falta o Deus. A que me apegar senão ao Homem, senão ao Bem?

Não quero grandes conferências, cúpulas, reuniões, metas irreais sem respaldo de culhões. O surreal cabe bem em meus devaneios, mas não é isso que me ergue cada dia. Quero sim é empenhar cada minuto para a realização do bem. Devotar a minha força à concretização daquilo que alguns, por preguiçosos ou covardes, consideram quimeras.

Quero poder chegar ao final da minha bacia e ver que os sonhos não existem. Que (quase) tudo está ao alcance das mãos - basta aproximar o corpo.

 

Não quero mais me dedicar a planos em que não acredito e, forçado, ter que chamá-los "estratégicos".

Ando cansado de formalidades e relatórios vãos.

Mas um alento reside nas pequenas coisas que vão brotando e, apesar de tudo, logram crescer.

 





 


Tempo que foge...*


 


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.


 


Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados.


Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.


 


Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos.


 


Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo.


 


Não quero que me convidem para eventos de um fim de semana com a proposta de abalar o milênio.


 


Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos e regimentos internos. Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: "as pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos". Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.


 


Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a "última hora"; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados e deseja andar humildemente com Deus.


 


Caminhar perto delas nunca será perda de tempo.

lunes, 24 de abril de 2006

Pré-pós-tudo-bossa-band

Composição: Lenine e Zélia Duncan

 


Todo mundo quer ser bacana
Álbuns, fotos, dicas pro fim de semana
Filmes, sebos, modas, cabelos
Cabeça-feita, receitas perfeitas
Descobertas geniais
Todo mundo acha que é novo
Tribos, gírias, grifes, adornos
Ritmos exóticos, viagens experimentais
Pré-pós-tudo-bossa-band
Mente que sempre muito bem
Pré-pós-tudo-bossa-band
Gosto que me enrosco em quem?
Pré-pós-tudo-bossa-band
Não sei, mas tô dizendo amém


Todo mundo quer ser da hora
Tem nego sambando com o ego de fora
Caras, bocas, marcas estilos
O “ó” do bobó, o rei da cocada
A pedra fundamental
Todo mundo quer ser de novo o novo
O ovo de pé, o estouro
Ícones atlânticos
O dono da voz crucial


Pré-pós-tudo-bossa-band
Não ví, mas sinto que já vem
Pré-pós-tudo-bossa-band
Moderno, eu não te enxergo bem
Pré-pós-tudo-bossa-band
Tá cego, mas tá guiando alguém


 






Dá para entender porque eu gosto tanto da Zélia Duncan?


Ai, que preguiça de rompantes, de novidades e novedosos...


Os gênios da nova época, os libertadores do novo mundo.


Supostos libertinos presos em seus próprios pudores...


A verdadeira vida é antiga. E se esconde nos recantos reprimidos da alma.


Há que voltar-se para dentro e sair daí munido de si mesmo.


Não tenho mais paciência para caras e bocas, para falsas gentilezas e todo esse arcabouço hipócrita.


Me convidaram para jogar o jogo do sincero e, desde então, não consigo parar...


Sincericidio se tornou meu hobbie favorito.


E assim é tudo tão mais fácil...


 


E vou passando meus dias. Tomando sol, ouvindo música, lendo meus livros. Rodeado de pessoas que amo e que, embora poucas, tenho o grande privilégio de chamá-los a todos irmãos.


 


 

domingo, 23 de abril de 2006

Eu ia escrever

Tava eu aqui, escutando música, lendo o jornal...

Sentei para escrever, mas tá um dia tão bonito...

E saí para caminhar no parque.

 

Ps: a festa foi ótima.

sábado, 22 de abril de 2006

Celebrate good times...

Hoje é dia de celebrar. Queria escrever longas e lindas linhas. Para isso, palavras não faltariam. Sendo já, contudo, 20h30, tenho que me apressar ou não chegarei a tempo para entregar os beijos e abraços.

Há instantes que importam mais que palavras.

Fica porém registrado o meu intuito. E, cedo ou tarde, as palavras chegarão. Ou melhor: se materializarão. Pois, em mim, há muito já existem.

Enquanto isso, celebremos.

 

jueves, 20 de abril de 2006

Véspera de feriado

Em Brasília, véspera de feriado.

Lá pelas 21h30. Nada. Haveria, mas não.

É também falta de dinheiro. É também falta de vontade.

Também um pouco de tristeza. Também um pouco de preguiça.

Um pouco de inércia também.

Mas é muito além de tudo isso.

É um pouco, um grande pouco de mim.

 

Em Brasília, véspera de feriado.

E eu com meus monólogos. Minhas frases soltas, as palavras sem sentido.

Negando-me à metafísica. Miando de volta quando meu gato mia agudo.

De vez em quando, sem paciência. De vez em quando, sem nada.

 

Não sou de profundas palavras. Muito menos de palavras claras.

Tampouco é que seja amante das obscuras. Não penso nisso.

Muitas vezes - na maioria delas - não penso. Só sinto.

E elas vão saindo.

Às vezes se entalam, se atropelam, se entopem.

(Como meu vaso sanitário - não há meios de desentupi-lo...)

Então respiro. Ouço música. Ouço meu barulho pela casa, o barulho da rua.

Tudo é música.

 

Sabe, não sou mesmo de muitas palavras.

Não é por predileção à coméstica ou à superficialidade.

É porque não existe nada além disso - e não adianta inventá-lo.

 

Aproveitar a vida da maneira rasa como ela se apresenta.

E isso já é intenso demais.

O superficial também é intenso.

Basta saber ler as entrelinhas.

 

Seja curto o feriado.

martes, 18 de abril de 2006

Nada de molhar deserto!!!

 

Chora, disfarça e chora
Aproveita a voz do lamento
Que já vem a aurora
A pessoa que tanto querias
Antes mesmo de raiar o dia
Deixou o ensaio por outra
Oh, triste senhora
Disfarça e chora
Todo o pranto tem hora
E eu vejo teu pranto cair
No momento mais certo
Olhar, gostar só de longe
Não faz ninguém chegar perto
E teu pranto, oh triste senhora,
Vai molhar o deserto.

 

Disfarça e chora, do grande Cartola em parceria com Dalmo Castello. Na voz de Zélia Duncan, então, fecha redondo.

Mas não... Ainda não... Vamos mudar as variáveis e ver se dessa vez a coisa muda de figura... hehehe. E pensar que era eu que sempre brincava com o Dario "qué dormilón que sos, boludo"...
Bora deixar o samba de lado e lembrar o grande Joe... You can leave your hat on...

Enquanto eu vou perdendo a cabeça.

 

Perder a cabeça é o que quero. Jogar-me no abismo. Nos abismos. Na queda, ir soltando as mesuras e as responsabilidades. Manoeldebarrosmente... Cair chapado de cara nos meus vinte e três anos - do alto dos pretensos sessenta e quantos??? E, depois da queda, o coice. Não é masoquismo. É vontade de viver.

 

Y sin embargo, vivo...

 

Vivo sempre, nos detalhes das minhas pequenas coisas. Um minimalismo quiçás covarde, quiçás medíocre. Não o vejo assim. Não o sinto assim. Apesar das minhas ambições de aventuras, da vontade de ventos e tempestades, de destinos e descaminhos... Estou vivo. E não poderia está-lo mais. Distinto, sim.

 

Existirá um ponto de inflexão?
E a decisão de aproveitá-lo, cabe a mim?
Eu quero?
Eu tenho coragem?
Eu posso?
Posso voltar?

 

São muitas perguntas. E eu não quero respondê-las.
Quero chegar à beira do abismo. Vertiginar.
E, se tiver que cair, aí cairei.

 

Enquanto isso, ir levando porrada, sendo covarde e vil.
Nos farrapos da minha alma, nos lamaçais que vão dentro de mim.
Sem metafísica. Mas intenso.

domingo, 16 de abril de 2006

Para o domingo, Clarice.

Tenho tantas coisas para escrever...

Mas não agora.

Depois.

De quê?

Da prova ou do almoço ou do Beirute ou do porre ou do sono ou de hoje ou de amanhã.

Depois. Depois da vida.

 

Por enquando, Clarice Lispector

 

"Meu Deus, me dê coragem

de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites,

todos os vazios de Tua presença.

Me dê a coragem de considerar esse vazio

como uma plenitude.

Faça com que eu seja a Tua amante humilde,

entrelaçada a Ti em êxtase.

Faça com que eu possa falar

com este vazio tremendo

e receber como resposta

o amor materno que nutre e embala.

Faça com que eu tenha a coragem de Te amar,

sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.

Faça com que a solidão não me destrua.

Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Faça com que eu saiba ficar com o nada

e mesmo assim me sentir

como se estivesse plena de tudo.

Receba em teus braços

o meu pecado de pensar."

viernes, 14 de abril de 2006

Depois do Perigo


Zélia Duncan


Não, não me aqueça
Hoje eu quero o frio
O vazio
Que a sorte deixou aqui
Quero sentir a altura do abismo
Pra eu poder subir depois do perigo
Quero sentir a altura do abismo
Pra eu poder subir depois do perigo
Pra eu poder subir depois do perigo

Não, não me acalme com silabas doces
Hoje eu quero o açoite das palavras rudes
Pra que eu possa me defender em atitudes
Não, por favor hoje não me proteja
Para que eu finalmente veja
O que a vida reservou para mim
Quero sentir a altura do abismo
Pra eu poder subir depois do perigo
Pra eu poder subir depois do perigo

jueves, 13 de abril de 2006

Águas de abril

Semana curta, fim de semana prolongado. Não necessariamente mais descanso, calmaria. Talvez ao contrário.

Mas ainda assim é bom. Adiantei o casual friday e coloquei a calça jeans na quinta mesmo. Algumas pessoas perceberam e, quem sabe, aproveitarão a idéia e terão uma tarde mais tranquila. Não a minha... As próximas horas prometem... Muitas coisas caindo sobre nossas cabeças. Só vou tentando manter a minha no lugar...

 

A vida também é feita de pausas. Bach também sabia disso...

 

As coisas vão acontecendo de maneira desorganizada. Pequenas mudanças e acontecimentos na vida de pessoas que me cercam - e são queridas. Alguns, nem tão pequenos assim... Houve o casamento da Michelle, por exemplo... Entre as petites choses estão uma ou outra palavra gentil, a comemoração de um aniversário, a visita de uma amiga querida, um retorno à casa, uma nova pessoa que se conhece, uma lágrima a menos que cai, uma linda poesia que nasce... Aos poucos, as coisas vão mudando... Até a chuva ameaça a parar de cair... Mas vai cair ainda mais... Ainda vai. A Giu, já cheia dessa história, lamenta. Mas eu, no meu jogo do contente, vão e chato, me alegro ao olhar, de manhã, os inúmeros "manjericõezinhos" que abundam na minha jardineira...

 

Pequenas mudanças. E pausas.

miércoles, 12 de abril de 2006

Who's the ant???

Meu dilema diário...

 

 


Todos os dias, a FORMIGA chegava cedinho ao escritório e pegava duro no trabalho. Era produtiva e feliz.

O gerente MARIMBONDO estranhou a FORMIGA trabalhar sem supervisão. Se ela era produtiva sem supervisão, seria ainda mais se fosse supervisionada. E colocou uma BARATA, que preparava belíssimos relatórios e tinha muita experiência como supervisora.

A primeira preocupação da BARATA foi a de padronizar o horário de entrada e saída da FORMIGA.

Logo a BARATA precisou de uma secretária para ajudar a preparar os relatórios. Contratou também uma ARANHA para organizar os arquivos e controlar as ligações telefônicas.

O MARIMBONDO ficou encantado com os relatórios da BARATA, e pediu também gráficos com indicadores e análise das tendências que eram mostradas em reuniões. A BARATA então contratou uma MOSCA, e comprou um computador com impressora colorida.

Logo a FORMIGA, que era produtiva e feliz, começou a lamentar-se de toda aquela movimentação de papéis e reuniões.

O MARIMBONDO concluiu que era o momento de criar a função de gestor para a área onde a FORMIGA, produtiva e feliz, trabalhava. O cargo foi dado a uma CIGARRA, que mandou colocar carpete no seu escritório e comprar uma  cadeira especial.


 



A nova gestora CIGARRA logo precisou de um computador e de uma assistente (sua assistente na empresa anterior) para ajudá-la a preparar um plano estratégico de melhorias e um controle do orçamento para a área onde trabalhava a FORMIGA, que já não cantarolava mais e a cada dia se tornava mais chateada.

A CIGARRA então convenceu o gerente MARIMBONDO de que era preciso fazer um estudo de clima. Mas o MARIMBONDO, ao rever as cifras, se deu conta de que a unidade na qual a FORMIGA trabalhava já não rendia como antes, e assim contratou a CORUJA, uma prestigiada consultora, para que fizesse um diagnóstico da situação.

A CORUJA permaneceu três meses no escritório e emitiu um volumoso relatório, o qual concluía : "Há muita gente nesta empresa".

O MARIMBONDO, seguindo o conselho do relatório da CORUJA, mandou demitir a FORMIGA, porque ela andava muito desmotivada e aborrecida.

Maldito Detran-DF

Eu odeio o Detran-DF. Ai, odeio mesmo e não é de hoje. Tudo começou com a terrível demora para a efetivação da transferência de titularidade do meu carro... A demora naturalmente resultou em uma multa, que paguei sem pestanejar. Está no código, fazer o quê?
Mas esta manhã renovou-se meu ódio. Recebi nova autuação. Conduzindo acima da velocidade máxima permitida. Eu estava a 73km/h, em uma rodovia onde a velocidade máxima é 80km/h. 80km/h em pelo menos 80% de toda sua extensão. Menos, é claro, não nos seus primeiros 500m... Pois é... Tomei uma multa no km 0,5 da maldita BR075, sentido Samambaia, em um trecho mínimo no qual o limite é 60km/h. Puta que pariu... Isso porque eu sou normalmente o chato que sempre anda dentro do limite de velocidade...
Mas a revolta não pára por aí. Afinal, eu sou um bom cidadão. Há leis, há que cumpri-las. Se o trouxa aqui não prestou atenção na sinalização (parto do pressuposto que a mesma existe e encontra-se bastante visível - o que é obviamente questionável) é justo e é direito que seja autuado que que arque com as penalidades impostas.
Mas a revolta reside no fato de que a imposição mesma da penalidade não é nada objetiva. Prevê nosso grandioso código de trânsito que, além da multa (R$ 127,00, que caem para R$ 102,00 se eu pagar até a data do vencimento), eu deveria ser penalizado com cinco pontos na minha CNH.
Qual não foi contudo minha surpresa ao verificar no sistema do nosso magnânimo e correto Detran-DF que não consta qualquer ponto na minha carteira, nem mesmo os 5 relativos àquela primeira multa, já paga, blá, blá, blá... Uma vez paga a fatura, evanescem os pontos... Penalidade a 50%...
Vão-se embora todos os argumentos sobre cidadania, Estado de Direito, justiça, etc. A ordem é arrecadar e ponto.
Mas tudo bem. Como bem me lembra a Thais: o que não tem remédio...
Dá-lhe música, que o dia ainda é longo...

 

(Mas por que eu não tenho uma placa do RJ???)

martes, 11 de abril de 2006

Música no rádio

 Acabei de ouvir essa música, voltando para casa. Uma versão ao vivo. Não sei se existe outra.

Não gosto muito de Daniela Mercury. Gostava quando menor... A Jade tinha uma fita dela. A primeira, eu acho. Lembro que ficávamos na casa dela, lá no alto da Afonso Pena, escutando música por música e decidindo de quem era cada tema... Tínhamos muitas paixões então e certamente cada uma valia um milhão de canções. Havia também dramas e pequenas tragédias pessoais, assim como constantes vestígios de alegria.

Voltando para casa, ouvindo essa música no rádio, me lembrei daquela época. E, uma vez mais, dediquei o tema a uma parte da minha vida. Tanto hoje como antes...

"mesmo sem sentido, sem motivo, sem querer... andei fazendo planos para você".

 

 


Meu Plano


Daniela Mercury


 


Meu plano era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você pensar
Meu plano era deixar você falar o que quiser
Meu plano era deixar você falar
Coisas sem sentido, sem motivo, sem querer
Andei fazendo planos pra você

Engano seu achar que fosse brincadeira
Engano seu
Aconteceu de ser assim dessa maneira
Engano é meu
Mesmo sem motivo, sem sentido, sem saber
Andei fazendo planos pra você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos
Deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Meu plano era deixa você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano seu achar que o plano é passageiro
Engano meu
Acho que o destino antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos
Deixo tudo ao lado
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você!

viernes, 7 de abril de 2006

Só falta você

Pare e pense...

Não, não pense em nada...

Pense só no estado do sujeito.

Nem Estado nem sujeito de direitos.

Tampouco objeto, complemento, suplemento...

Vixi... Pare tudo.

Pare que eu quero descer.

Melhor, eu quero é me deitar.

Ai, ai, ai...

Ressaca. Só.

 

***

Pare e pense no estado de inconsciência do sujeito.

Depois de ontem, aumentado de passivos...

Pare e pense: R$ 60,00...

A minha ilusão é pensar que fui roubado.

De lambuja, me roubaram o dia de hoje...

Ai, ai...

Ressaca.

Para tudo que eu quero descer.

 

***

 

Mas não pare, não. Nem pense.

Qual é a boa de hoje?

Mais uma para reverter a rebordose...

E dá-lhe vida por diante.

 

***

 

"Um belo dia resolvi mudar/ e fazer tudo o que eu queria fazer/ me libertei daquela vida vulgar (...) / agora só falta você"

lunes, 3 de abril de 2006

Texto anônimo para começar a semana

Um desses textos que chegam por e-mail, sem autoria...

Só espero que não me acusem de plágio ou outra infração aos direitos autorais...

Verdade ou mentira, vale a poesia.

Enquanto isso, de volta ao mundo real, tento me encontrar no caos de minhas pendências...

Nos vemos numa brecha dessas.

 

 



PROCESSO SELETIVO DA Volkswagen: A redação abaixo foi desenvolvida por um candidato num processo de seleção. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso e ele com certeza será sempre lembrado pela sua criatividade, sua poesia e acima de tudo pela sua alma.



 



LEIA =================================



 Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba apressado, já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas, já subi em arvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chã o do banheiro, Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado, já me joguei na piscina sem vontade de voltar, Já bebi uísque até sentir dormente os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um ''para sempre'' pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú, chamado coração.



 E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: ''- Qual sua experiência?''. Essa pergunta ecoa no meu cérebro:''experiência...experiência...'' Será que ser ''plantador de sorrisos'' é uma boa experiência? Não!!!



Talvez eles não saibam ainda colher sonhos!'' Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo o momento tudo se renova?



Gostou?



 



 ======================================

domingo, 2 de abril de 2006

Da matéria da vida

Tanto já se falou da matéria dos sonhos...

E a vida? De que é feita?

Seja o que for, essa coisa vicia.

E é bom pra burro...

 

***

 

Mais um dia de pura música.

E mais nada.

Nada mais.

One for the road...

 

"O tempo voa rapaz

Pegue seu sonho rapaz

A melhor hora e o momento

É você quem faz

 

Recitem poesias e palavras de um rei

Faça por onde que eu te ajudarei"

 

Cidade Negra

 





 

Desprentensiosa. A tarde que começa assim e vai avançando, noite adentro.

Música, muita música. Entre Beatles, Pixinguinha e Liga Tripa...

Uma ou outra cerveja. Uma ou outra perna que passa. Um olhar, uma piada, uma falsa revolta, uma autêntica certeza de estar.

Quê importa a vida? Quê importam as angústias? Quê importam as tristezas e o desespero?

Deixa ela avançar assim. Como a perna da menina que passa. Lenta e graciosa. Como os gestos daquela garota.

Quase sublime.

Por não pensar em ser assim.

 

One for the road and keep walking.

 





 


EU NASCI PARA SER UM HOMEM BOM



Nicolas Behr


eu nasci para ser um bom pai
               - meu ideal olímpico -
eu nasci para ser um bom filho mas
               não sou um bom filho, um dia serei
eu nasci para ser um bom irmão mas ainda
                não sou um bom irmão (irmãos que não
são de sangue são mais irmãos) - falha minha
eu nasci pra te dizer
               que aquela árvore é uma sapucaia
eu nasci para ser tudo, menos indiferente
eu nasci para chorar de vez em quando
eu nasci para gostar de cazuza, restos e raspas
eu nasci para ser um bom marido
               que às vezes se trai
eu nasci para gostar de ler adélia
eu nasci para interromper este poema
               e limpar o vômito do meu filho no banheiro
eu nasci para pedir que não te mates
eu nasci para gostar de cheiro
               de esterco de gado no curral
eu nasci para tentar dizer tudo o que sinto neste poema,
               quase uma oração
eu nasci para acordar todos os dias ao lado
                de alcina e agradecer a Deus por isso
eu nasci para ser forte e justo!
eu nasci para gostar de música, qualquer música
eu nasci para transpor o poema-obstáculo, este
eu nasci para cuidar dos meus filhos
                como um bom mamífero
eu nasci para ficar olhando um tempão os passarinhos
                comerem mamão maduro no pé
eu nasci para te pedi que na hora do desespero
                pegue uma caneta e um papel e escreva,
                qualquer coisa
eu nasci para fernando pessoa tivesse
                mais um leitor no conjunto 8 da QL 11
do Lago Norte
eu nasci para ser feliz (quem não quer ser  feliz?!)
eu nasci para levar lanche e suco às prostitutas
                - que vida difícil a das prostitutas -
eu nasci para ser do jeito que eu sou, egoista,
                impaciente, imperfeito, humano
eu nasci para ensinar a vocês
                o significado da palavra dendrolatria
eu nasci para às vezes ser duro
                coisas que dói no coração
eu nasci para ter saudades de uma amigo
                que perdi (se matou)
eu nasci para entender quase tudo de palmeiras
eu nasci para passar, fenecer, evaporar
eu nasci para abraçar e beijar meu amigos e amigas
eu nasci a dez mil anos atrás. mentira.
eu nasci para de vez em quando visitar o velho isaias
eu nasci para ler rótulos e placas de monumentos
                                       que ninguém lê
eu nasci para lançar uma dúvida: jesus cristo realmente
               existiu como pessoa ou foi uma figura mitológica?
eu nasci para morrer - morrer é fácil - viver é difícil -
eu nasci para tentar trtar a todos
                com consideração e respeito
eu nasci para às vezes ser dramático e piegas, fazer o que?
eu nasci para prestar atenção nos discursos
                dos pobres Srs. Deputados
eu nasci para ler e decorar esta frase no para-choque
                do caminhão: no horizonte do teu sutiã
                                 eu vejo o seio da saudade
eu nasci para começar a escrever este poema
                no carro, indo pra Brazilândia,
                no dia dezoito de maio de de dois mil e um,
                lá pelas quatro e meia da tarde
eu nasci para entender nada de computadores
eu nasci para plantar árvores,
                não máquinas de fazer sombra
eu nasci para admirar as mulheres passando na rua
eu nasci para que o ar que respiramos tenha alguém
               que também o valorize
eu nasci para decorar nomes e datas, te im impressionar
eu nasci para dizer que cristo salva, o diabo deleta
eu nasci para me conformar: essa frase ai de cima
                não é minha, infelizmente
eu nasci para lhe dar esperança, seja lá do que for
eu nasci para ser poeta - por isso nasci nu
eu nasci para dar informações, fazer mapas
                já desci do carro sabendo:
                tu tá perdido, né ? expliquei, tá perto.
                é a segunda entra à esquerda, a uns 3 a 4 km,
                logo depois da subida
eu nasci para colecionar histórias de golpes.
                conheces a do video-cassete?
eu nasci para ser amigo de ana
                ( lembre-se sempre ana:
                quem entra num poema
                 não morre nunca,
                 dizia o velho mario quintana)

eu nasci para dizer a vocês todos
                que nunca desistam da vida,
                que a vida é um dom de Deus,
                que a vida quer você vivo!

eu nasci para que este poema nunca tenha fim,
                para que você o continue e sinta a leveza
                e felicidade que senti ao chegar até aqui