Em Brasília, véspera de feriado.
Lá pelas 21h30. Nada. Haveria, mas não.
É também falta de dinheiro. É também falta de vontade.
Também um pouco de tristeza. Também um pouco de preguiça.
Um pouco de inércia também.
Mas é muito além de tudo isso.
É um pouco, um grande pouco de mim.
Em Brasília, véspera de feriado.
E eu com meus monólogos. Minhas frases soltas, as palavras sem sentido.
Negando-me à metafísica. Miando de volta quando meu gato mia agudo.
De vez em quando, sem paciência. De vez em quando, sem nada.
Não sou de profundas palavras. Muito menos de palavras claras.
Tampouco é que seja amante das obscuras. Não penso nisso.
Muitas vezes - na maioria delas - não penso. Só sinto.
E elas vão saindo.
Às vezes se entalam, se atropelam, se entopem.
(Como meu vaso sanitário - não há meios de desentupi-lo...)
Então respiro. Ouço música. Ouço meu barulho pela casa, o barulho da rua.
Tudo é música.
Sabe, não sou mesmo de muitas palavras.
Não é por predileção à coméstica ou à superficialidade.
É porque não existe nada além disso - e não adianta inventá-lo.
Aproveitar a vida da maneira rasa como ela se apresenta.
E isso já é intenso demais.
O superficial também é intenso.
Basta saber ler as entrelinhas.
Seja curto o feriado.
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