Descobri hoje um poema maravilhoso. Mentira, não o descobri, me apresentaram. Uma amiga mais que querida veio com essa jóia, para minha surpresa, do Mário Quintana. É a minha cara e a cara de alguns dos meus melhores amigos. Também é arrogante, mas enfim, entre tantos defeitos no mundo eu poderia ter escolhido piores. E bem que me esforço para me controlar... No fundo, sou um bom menino.
E mesma amiga me lembro da Tabacaria. Tanto tempo que não o lia... Voltei a ele. (sim, ando bem vagal ultimamente. Desde que anunciei que vou-me embora para Passárgada, se esqueceram de que ainda me pagam para trabalhar...) Foi bom relê-lo. Sempre há alguma identificação. E ele é tudo o que mais quero evitar. Chegar ao fim e ver que tanto se sonhou e apenas isso... Sim, a vida são devaneios, abismos, transes. Mas os pés estão no chão e precisam avançar. Adelante, siempre adelante. As mãos precisam ter o que tocar. Há que haver utilidade para os braços. E recusar o dominó que não nos cabe...
Sobre meu recente "onde é que há gente no mundo?", explico, embora não devesse fazê-lo. Não é meu. É o Poema em Linha Reta. Sim, aquele famoso, clichê... Mas a coisa é por aí mesmo. Quero ver as pessoas. Gente de verdade, que, como eu, tenha levado porrada, seja vil e seja reles. Quero ver os rostos, as marcas, os defeitos. Onde está a humanidade? Basta de Olimpo...
Aos meus amigos: amo-os todos.
COCKTAIL PARTY
Mario Quintana
(para Eloí Callage)
Mario Quintana
(para Eloí Callage)
Não tenho vergonha de dizer que estou triste,
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças
d'água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!
Não dessa tristeza ignominiosa dos que, em vez de se matarem, fazem poemas:
Estou triste por que vocês são burros e feios
E não morrem nunca...
Minha alma assenta-se no cordão da calçada
E chora,
Olhando as poças barrentas que a chuva deixou.
Eu sigo adiante. Misturo-me a vocês. Acho vocês uns amores.
Na minha cara há um vasto sorriso pintado a vermelhão.
E trocamos brindes,
Acreditamos em tudo o que vem nos jornais.
Somos democratas e escravocratas.
Nossas almas? Sei lá!
Mas como são belos os filmes coloridos!
(Ainda mais os de assuntos bíblicos...)
Desce o crepúsculo
E, quando a primeira estrelinha ia refletir-se em todas as poças
d'água,
Acenderam-se de súbito os postes de iluminação!
êêêêê
ResponderBorrarentão, sou adepto dos defeitos, tb. É bom ser torto. Não tenho tido muito talento em ser arrogante, até por falta de motivo. ô, mas vaidade, ai q delícia. Mas o torto, é tão divertido. Sabe, uma paixão daquelas, q risca tudo, marca e marca. Quantos narcisos tem no mundo? Ah, sei lá, mas devem ser poucos. O espelho nem é torto o suficente pra se poder encantar. Bom, o meu é, mas isso é pobrema meu!
Meu espelho gigante também é torto!
ResponderBorrarSe eu for parte dos feios e burros, eu choro!
ResponderBorrar:p