sábado, 30 de diciembre de 2006

Melhoras ao Sushi!

Ela me liga às sete horas da manhã, em uma sexta-feira. Aqui é feriado, mas ela não sabe. Ainda que soubesse, ligaria, temo. O Pedro atende. Ele viajaria naquele dia e, certamente, a ansiedade o espetava na cama. Perambulava pela casa desde antes. Vem me acordar. "Me parece que es tu vieja". "Decile que estoy durmiendo".

Duas horas depois, ou um pouco mais, me levanto. Saio do banho. "Te volvió a llamar tu vieja, cuando estabas en la ducha. Está preocupada con un sueño que tuvo y quiere hablar con vos".

Estão todos loucos.

Meia hora depois, o telefone volta a tocar. Era ela. No sonho, eu, encolhido no seu colo, chorava, chorava... "Não, está tudo bem. Nâo, não tem nada de errado. Não, não tem nada que eu precise falar com você".

Estão todos loucos...

Acho que o relógio marcava as cinco da tarde, quando ela voltar a ligar. Chorava.

"Sabe o sonho? Pois então, o Sushi foi atropelado. Acho que ele vai sobreviver, mas amassaram a patinha dele. E não tem nenhum veterinário nesse fim de mundo."

Merda. Coitado do bicho.

Ela se larga a chorar, compulsivamente.

"São coisas que acontecem. No fim das contas, é só um cachorro!"

Insensibilidade ao extremo. Vai ser bruto assim lá na puta que pariu...

Internamente, acho que tinha medo de que o cachorro realmente me tivesse usurpado o lugar.

Estamos todos loucos...

Feliz ano novo!

miércoles, 27 de diciembre de 2006

Coisas que só acontecem comigo...

Alguém se lembra de Carlos Escudé? Pois eu lembro. Lia esse cara na faculdade... Ele e sua teoria sobre o realismo periférico... Óbvio que naquela época ninguém lia... Imaginem! Alunos decentes nao liam nada que nao viesse do hemisfério Norte - na verdade, nada que nao viesse dos Estados Unidos ou do Reino Unido... E aí estava esse cara, argentino, falando que a Argentina tinha mesmo era que se aliar aos Estados Unidos para conseguir alguma projecao regional/internacional e mandar o Brasil de vez à merda. Bem, nao é um detalhe menos importante que esse "cara" fosse assessor de política externa do governo Ménem, o que explica muita coisa... Acabou produzindo material em abundância para que depois nosso bom e velho Amado Cervo escrevesse páginas e mais páginas sobre o Paradigma Normal... Ai, ai, ai... Naqueles anos, tudo isso ainda tinha alguma importância para mim e o fato era que eu lia Carlos Escudé... Tá, também lia Paulo Roberto de Almeida e por pouco nao virei revisor voluntário dos originais do louco... Por sorte, recobrei a consciência e passei a me dedicar a coisas mais divertidas (PRA é um saco...).

Eis que, tantos anos passados - tá, foram apenas uns três ou quatro anos, mas eu sou novinho, vai - abro minha caixa de e-mail e... lá estava um e-mail do Carlos Escudé. Ahn? Sim. Franzi a sobrancelha, olhei com aquela cara que ex-alunos de REL fazem tao bem - uma mistura de incompreensao com desprezo - vasculhei rapidamente minha memória (que funciona pior que um 486 DX-266, lembram?) e pensei: tá, em algum momento insano devo ter escrito pro cara pedindo algum artigo ou referência, devo ter ficado na lista de endereco de "leitores internacionais", ele deve estar lancando um livro e deve estar tentando vendê-lo para estes idiotas que, com alguma sorte, ainda se dedicarao ao estudo da TRI que se produz nas zonas meridionais... O assunto do e-mail: Atualizacoes. Em espanhol, por supuesto.

Abri o bendito. No corpo da mensagem, instrucoes apra a atualizacao do seu website. Coisas realmente escatológicas - por exemplo, que deviam adicionar as informacoes genealógicas do dito cujo, colocar umas fotos de Málaga (que será que esse homem anda fazendo lá???) e colocar um texto, de 2001, sobre uma hipótese de conflito entre o Cone Sul e o Eixo Chávez/FARC. Claro: o trabalho era remunerado - 100 pesos (setenta reais).

Olhei nos destinatários. Nao constava meu nome, nao constava meu e-mail. "Puta merda, me mandou em cópia oculta, para piorar tudo". Mas tudo se esclareceu. Eis que o curioso trabalho sobre conflitos sul-americanos era, em realidade, uma co-producao (claro: alguma louca escreveu e ele assinou junto... ai, ai... escrevemos cada coisa quando precisamos nos formar...). O nome da querida: Mariana Souto. O Sr. Escudé deve ter se equivocado em uma ou outra letra e, em vez de mandar a cópia à Mariana - para que ela soubesse que seu texto seria finalmente publicado!!! o pior é que já havia sido publicado pela Di Tella, em 2001... e pensar que eu estou indo justamente para lá... ai, ai, ai... - mandou-o para este que vos escreve.

Ri. Coisas da vida. Apertei "Responder". E escrevi uma educada e elogiosa mensagem, informando e lamentando o equívoco. Também desejei um feliz 2007. Nao... nao é falsidade. É cortesia... Afinal de contas, ninguém tem culpa de um dia ter tido uma idéia absurda e que o tenham escutado... Assim nasceram alguns gênios. O resto, enfim, mediocridade...

 

Pd: depois, por curiosidade, busquei-o no Google. Ele tem uma barba medonha... E confirmei: ele nao está mais na Di Tella... Roda mundo, roda gigante...

viernes, 22 de diciembre de 2006

New jazz

 

Mais uma noite quente em Buenos Aires. Noite úmida, de sexta-feira. Eu saio à varanda e me sento. Estico as pernas e sinto os insetos minúsculos que habitam a noite. Quisera ter algum ponto de luz que me permitisse escrever sem ajuda das lâmpadas fortes que há na sala. Vou então armazenando as idéias na cabeça e sinto alguma brisa que vem do rio. E também o barulho dos carros e ônibus, que chegam à minha janela no sétimo andar. Em frente, reflexos vermelhos, intermitentes e constantes. Fosse outra época do ano, eu imaginaria experimentos com óvnis ou rádios-pirata… Mas são apenas árvores de Natal. Mais presente lá que aqui… Na varanda em frente à minha, chegam dois homens. Um se despe, até ficar de cueca. Perambula pela casa, buscando livrar-se do calor pegajoso. O outro sai em busca de ar fresco, como eu. E acende um cigarro. Eu também gostaria de fumar em noites como essa… Um clichê tão necessário às vezes… Deve ser boa a sensação… Se ao menos eu tivesse um beck… Um pouco além, no andar de baixo, uma moça vestida com uma camiseta azul já velha limpa o escritório. Varre, tira o pó, aspira… Acho engraçado… Ninguém pisará ali nos próximos quatro dias (a não ser que o funcionário decida trepar de novo com a secretária… será?). Um pouco depois, percebo que a moça de camiseta azul, já terminada a faxina, empurrava o carrinho de bebê. Ela e seu filho (um entre quantos? Terá marido?) já podem preparar sossegados a ceia de natal… Mas quem ceia, como todos os dias, é a família que vive logo acima dos escritórios… O velho senhor sentado à cabeceira. La mirada contundente… Ao seu redor, um filho (mais novo?) que termina de abrir as janelas, a filha (mais velha) hoje, mal vestida, arruma algum detalhe sobre a mesa enquanto prende novamente os fios de cabelo que se soltaram do meio-coque… Logo acima da varanda do rapaz que fuma(va - para onde terá ido…) azuis acusam uma televisão. E reflexos de corpos na parede, solidão… No meu som, new jazz… But don't let me be lonely tonight…

miércoles, 20 de diciembre de 2006

Tudo isso...

Sim, tudo isso. Pois "só" seria um termo por demais impreciso para descrever o que, de qualquer maneira, palavras nao podem descrever. Mas é muito. E muito intenso.

Estou exausto. E feliz.

Foram quase todos. Una vez más, faltaste vos, viejo... Por qué te descompusiste después que te pusieron un diez, boludo? Y bueno... sos vos, no podía ser distinto... Também faltou a menina... E a Virginia (pobrecita, se murió la abuela...). Mas éramos dezenove - grupos diferentes que se encontravam pela primeira vez. E a linda colisao deu origem a uma colorida massa... Da cozinha, eu os ouvia. Feliz, feliz.

Tenho essa coisa com comida... Alimentar o corpo é acariciar a alma... E, enquanto eles conversavam, bebiam, riam, comiam, me enchiam de algum sentido. 

E, quando tudo acabou, quando já às 3h00 da manha nao sobravam mais que pratos, panelas, copos, talheres e todo o rastro de uma sagrada comunhao, eu tratava de apagar as marcas do que havia sido, relegando tudo ao espaco da borrosa memória. Eu nao me sentia sozinho. Me sentia cansado, muito. Como depois de uma noite de amor.

Acordei com o frio de um dia chuvoso.

 

Gracias Pedro, por haberte encargado de la picada y haberte bancado mi histeria! Gracias por estar ahí. Jessi, Lau, Andi, Pimi, Maiu, Santi, Agus, Ampi y familia, Lili, Hernán, Fer, Hogl y María: gracias por venir (ustedes no saben el real valor de estas palabras).

Viejo: estabas ahi, lo sé.

 

martes, 19 de diciembre de 2006

Só pq me recuso a servir empanadas...

Tá, tranquilo... Tudo vai sair bem, tudo dará certo... Amanha vc vai olhar para trás e vai dizer: só isso?

Mentira. O cenário mais provável é que eu acorde amanha com a casa completamente inabitável, a cozinha abarrotada de pratos meus e emprestados (se trouxerem mais pratos), o gato desesperado e eu, mais desesperado, procurando qualquer roupa (sem passar) para colocar e voar para Aguero e French simplesmente para usar o telefone... E, de lá, o de sempre... E mais e mais e mais.

Fim de ano é uma coisa realmente desesperadora (caralho, isso existe ou é espanhol?). Por mais que vc se mantenha alheio aos festejos natalinos, nao tenha árvore de Natal na sua casa (Miss Perfection foi embora com a árvore cantante), nao tenha gastado tempo e dinheiro procurando presentes baratos para seus amigos (já que o limite do cartao de crédito e o bom senso - tá, confesso, só o bom senso, no meu caso), ainda nao saiba onde (e com que roupa) vai passar o fim de ano e esteja longe da família e todos os protocolos que isso implica (é mais rápido telefonar do que ter que fazer visitas intermináveis), ainda assim tudo é mil vezes mais acelerado que no resto do ano... E eu que pensava que isso só era assim com o Governo, que tem que torrar a grana antes do fim do ano fiscal... Enfim...

O fato é: tenho jantar para vinte pessoas hoje na minha casa. Já sei o que vou cozinhar e adiantei algumas coisas ontem. Nada que me autorize afirmar com alguma margem de certeza de que comeremos antes da meia-noite, mas tudo bem. Só me resta torcer para os vizinhos nao encherem o saco e nao chamarem a polícia (sim, outro dia chegaram a esse ponto para um outro morador...). Em um passo estrategicamente equivocado, tentei prevenir alertando a vizinha louca de que haveria algum barulho hoje e pedindo sua compreensao... Resultado: a ébria se auto-convidou para meu jantar... E somos 21 na lista... ai, ai... Tomara que ela encha a cara antes e nao consiga nem abrir a porta da casa dela... Se ela vier, vou encher a velha de vodka...

Para completar a bendita universidade a quem estou pedindo uma bolsa (de misericórdia) resolveu marcar uma reuniao informativa justamente hoje, lá na casa do caralho, às 19hs... Ou sejE: devo chegar em casa, na melhor das hipóteses, às 21h30... Os convidados, supostamente, chegam às 22hs (logo, 23hs, no mínimo...).

Como já é costumeiro, estou todo empolado, minha cabeca coca, tenho azia e dor de cabeca. Nervosismo, é claro.

Mas respira. Respira.

Calma, tranquilo. Tudo vai dar certo.

E amanha direi: só isso?

viernes, 15 de diciembre de 2006

Saltado de lomo


Eu estava em casa. Acho que lia meus e-mails, talvez me preparasse para responder à Claude, talvez para comecar a dar uma olhada nas coisas da consultoria – que, afinal, se revelou maior do que eu imaginava... Quando me chegou sua mensagem. “K haces?”. Sem acento e vindo de quem vinha, o verbo tinha seu sentido original... Logo: “No kieres comer algo? Puedo cocinar”. Na cozinha, Pedro preparava milanesas, encorajado pela namorada. Eu, como era de se esperar, o provocava. Engracado vê-lo aprender. Também me faz feliz. Mas decidi. E, assim: “ven a mi casa en 35 min”. Achei graca nos 35 minutos. Sao assim nossos encontros... Avisei que nao comeria em casa e, em dez ou vinte minutos, saía em direcao ao Subte Línea A. A também de Acoyte.


Nao sei se tardei cinqüenta minutos ou uma hora. De qualquer maneira, foi o tempo justo. Ela acabara de voltar do Disco, sacolas ainda na sala. Cat Stevens cantava... Sim, eu sabia fazer arroz e ela limpava a carne. Uma cerveja? Dá-lhe. Poucas coisas para contar desde domingo e mesmo os comentários sobre os amores e desamores se tornavam escassos para preencher o vazio dos minutos... Mas nada tinha importância. Cozinhávamos e bastava.


Enquanto o arroz cozinhava, cebola, tomate e carne saltavam. O ají se encarregaria do picante leve. Um pouco de molho de soja. Salivacoes. Lembrancas de Genebra. Engracado como se pode estar mais próximo de certos lugares apesar da posicao no mapa...


Já nao sei o que tocava. Vicentico? Acho que era. Depois houve Chico, Shakira, Sabina... Também houve cerveja, vinho, rum... E muita vida: a intensidade do que foi e as dúvidas sobre o que a mesma vida viria a ser... Dúvidas sem importância. Só o que importava era estar ali. O tempo, passando. Ativamente o passávamos. Até deixar atrás, novamente, momentos que se borrariam em doces lembrancas de uma amizade.


A vida (também) é feita de momentos assim.

Estória triste


Ele era seu salvador. E ela, desamparou-se. Se jogou lá do alto, como corresponde, nesses casos. E flutuou a queda. Levitou por entre os mais doces, febris, voluptuosos sentimentos. Engolia o ar espesso que lhe entrava violentamente por todos os poros. Eternamente orgásmico.


Mas ele buscou o horizonte. Rejeitou a escuridao do abismo. E, metido em metafísicas, descobriu que o amparo que tinha nao correspondia à sua idéia de salvacao.


E colidiram sem se tocar. Em um instante, desfizeram-se. Amparo e Salvador.


Ela tocou o chao. E sentiu o destrocar-se em infinitos pedacos.


Ele seguiu silente, baixo. Em busca de algum céu.


Ela, em busca de Amparo. Ele, enfim... se perdeu.

martes, 12 de diciembre de 2006

Vertigem

Nao paro de tossir... Um saco... E junto com a tosse, uma moleza terrível. Uma leve vertigem, transpiracao. Nao sei se é febre. Talvez seja o calor. Tudo parece derreter-se, mas aludir a Dali seria um clichê fácil demais...

Na lavanderia, o calor e a umidade aumentam exponencialmente.

E quinze minutos alongam-se em delírios eternos.

Dói. A cabeca dói. O corpo.

E tudo é vontade de horizontalidade.

Ao horizonte. Caminhando. Sempre caminhando.

Tenho que ir ao supermercado...

E preciso cortar o cabelo.

Preciso que me paguem.

E preciso de outras coisas...

domingo, 10 de diciembre de 2006

Sábado à noite

 

Toca o telefone. Era o Walter. Ex-Ivan. Perguntava o que eu estava fazendo. Eu dormia. Depois de ter tomado dois litros de cerveja sozinho, jogando gamão na internet, eu dormia. Esperava uma ligação. Outra. Então disse que depois nos falávamos. Cinco minutos depois, eu estava em pé. Ligo de volta. Onde vc está? Como? Não tem música? O que aconteceu? To indo pra aí. Calça jeans e camiseta branca. Rua. Efetivamente, não havia música. Festa estranha com gente esquisita e eu não tô legal. Subi. Acho que sufocava. Ligo para o Bola. Onde? Libertador y María Campos. Ligo para o Walter: querido, me voy. Nos saudamos. E fui. Mas não era lá. Não era Campos, mas Ocampo… Trinta quadras de diferença. Ou vinte pesos. Cheguei e esperei em baixo. Desce um harém. Todos em volta da Bárbara. Acho que nunca tinha reparado nas pernas da Bárbara. Pernões… Um menino chato de cabeça raspada e o Bola, bêbado, não gosta dele. Depois viria a descobrir que é o Santiago, irmão da Agus… Life has a funny way… Sim, Icky, it has indeed… Esperanto, podestá… Alamo? Terminamos ao lado do Miloca. Bola muy loco. Cervecita nomás. O Agus, que um dia foi ruivo, é engraçado. Mas não entendeu nada. Eu não tomo whisky. Mas para quê tantos detalhes? A vida às vezes pode prescindir de coisas importantes. Cómanse a besos esta noche. Yo llevo Bola a casa. Acá está, tirado en el colchón. Querido amigo, duerme.

Asado

E fui. De bermuda florida. Linda, diga-se de passagem. E também fui com minha sunga, que está longe de qualquer coisa parecida a uma slip. Em casa, um corpo jogado ronca... É o Bola... Querido Bola.

No caminho, Placebo. My Special K.

Gravity.

jueves, 7 de diciembre de 2006

Respirando, respirando...

A noite passou sem jaca mesmo. Cheguei em casa, acabei de completar os formulários que faltavam, fiz mais algumas coisas inúteis e enfim... Respirar, respirar, respirar. Também cozinhei e isso definitivamente me ajudou bastante. No fim, macarrao com Pedro e Vir. Depois, cama. Digno.

Hoje entrego tudo. Saio daqui, pago e aluguel e tomo o 29... Esperando ter que tomá-lo quatro vezes por semana a partir de marco. Sim, gostamos de sofrer. Veremos como tudo se desenrola...

Por enquanto, com os dedos cruzados esperando notícias da K. Claro que tudo saiu bem. Mas to esperando mesmo assim.

 

Férias. O que fazer nas férias? Tenho apenas uma semana. E orcamento extremamente limitado. Aceito sugestoes. E doacoes.

Aceito também um amor. Afinal, essas coisas só têm valor quando chegam assim, de presente, do nada...

Férias e um amor. Nao viria mal...

 

Ok... Club hoje? Amanha é feriado...

miércoles, 6 de diciembre de 2006

Forcando a divagacao

Se o amor fede ou se é úmido... Nao sei... Mas se for assim, entao acho que encontrei o amor ontem. Só que era amarelo e líquido. Sim, o Haroldo mijou na minha cama. Eu poderia antropomorfizar (kkk - isso existe?) o comportamento dele e dizer que foi sua vinganca por eu nao ter-lhe dado muita bola... Ou entao, acreditando em pragas e afins, dizer que lá de Montevidéu a maldita Ms Perfection proferia suas bruxarias. Nao sei se acredito em alguma destas justificativas. Talvez acredita nas duas. Nao importa... O fato é que eu fiquei puto e hoje de manha pateticamente conversava com o gato como um pai que dá bronca no filho... E pensando seriamente deixar de lado minha solidariedade masculina e mandar castrá-lo já...

Fui ao meu encontro ontem. E promessas de uma nova Buenos Aires se abriram em leque diante de mim. Apenas palvras, porém. Aliás, uma verborragia agradável, tao comuns nessas ocasioes supostamente de paquera. Tá, acho que eu ainda sei fazer isso. O triste problema é que só o faco quando nao há interesse real. Enfim, mais uma pessoa que se candidata à minha extensa lista de solidao...

Meio perdido por aqui... Nada fora do lugar. Nenhum abismo.

Enfim, a gente respira fundo e continua caminhando.

Naturalmente, meu colchao está no balcao, secando ao sol... Lavar colchao em plena quarta-feira de manha... How exciting can it be?

 

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Crise compulsiva ontem. Resultado: um cd triplo de Ella e Louis, o novo CD do Calamaro e outro antigo dele, duplo. Detalhe: meu cartao nao passou e tive que pagar com débito... Comprar CD com juros é meio contra os meus princípios. Mas sair da loja com as maos vazias era bem mais conflitante com minha ética...

Importante registrar que tive que mudar de loja. Na Musimundo da Santa Fé, milhares de meninas - e alguns rapazes - se amontoavam desesperadas por um autógrafo de Ricky Martin... Sim, ele estava ali lancando seu mais novo CD. Parece que é um acústico. Eu, naturalmente, ainda vou escutá-lo... Deixa só eu dar uma esvaziada básica no meu computador, comprar um disco externo e voltar a colocar o e-mule em acao. Imaginem se eu nao vou me manter atualizado com as novidades do mundo pop.... Rá.

 

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Theys mandou uma história ótima... Vou ver se me animo um pouquinho e lhe dou nova versao.

 

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Pensado aqui com meus botoes, eu poderia dizer que buscar explicacao para o mijo do Haroldo é como querer explicar por que estou sozinho ou por que nos apaixonamos... Tracar paralelos entre o sem razao da vida e a irracionalidade do meu gato. Mas aí eu desisti... Forcacao tem limite. E, no fundo, é tudo punhetagem.

 

martes, 5 de diciembre de 2006

Registro ordinário

Escrevamos, escrevamos! Para nao perder o hábito, escrevamos! Ou as recordacoes nao serao mais que manchas borrosas, perdidas em algum canto dessa mixórdia que é minha memória.

Comecemos por uma breve recapitulacao...

Sexta-feira: festa alema no Goethe Institut... A música era sofrível, a cerveja acabou, mas as companhias, divertidíssimas. Salvaram a noite. Bem, na verdade, salvaram a matiné, porque a coisa lá acabou bem cedo mesmo. Nao importa. Desta jornada, há várias fotos... Verei se me presto ao esforco homérico de resgatá-las todas e colocar algumas aqui.

Sábado: Pedrinho mudou-se à casa e há algo registrado neste sentido. Houve o almoco boliviano na casa da Dani e do Alfredo. Miss Perfection nao foi e o dia fluiu gostoso, com muita comida, vinho, cerveja e afins... Debates e debates sobre o amor - alguns, metafísicos, outros, para lá de pragmáticos... Intensidade de nós mesmos, sem máscaras, sem nada. Bom estar entre eles. De lá, fomos com um par de penetras à despedida do meu futuro-ex-mestrado. Um tédio. Mas a companhia, como sempre, vale a pena.

Domingo: Coto com o Pedrinho. Engracado ver balas e alfajores no carrinho... Um dia lindo, com muito sol, algum vento. Uma mensagem no celular da Clari me chamando para escutar música clássica nos Bosques de Palermo. Chegando lá, milhoes de pessoas disputando cada centímetro de chao. Deixamos que se matassem e ficamos jogando conversa fora. Meu esporte preferido... Amor, mais uma vez, um dos temas centrais. Entre tantos desamores... Depois, cruzamos a multidao e chegamos à casa do Bola... O dia terminou com McDonald´s para acalmar o bajón... Bom, bom...

A semana comecou e tudo vai bem. Miss Perfection entrou sorrateira na casa e roubou o colchao limpo... Deixou o dela, mijado pelo Haroldo e mofado porque a burra o tinha coberto com plástico... Pouco fino, achei. Mas nem morto vou discutir com quem nao tem idéia de elegância.

Hoje, supostamente, iria ao El Dazón, ouvir jazz em boa companhia. Mas descobri que nao tem jazz hoje. Fica só a boa companhia. E já é mais do que suficiente.

Até o fim da semana pretendo resolver minhas férias e entregar finalmente minha solicitacao de matrícula para o novo mestrado. Olhando assim, parecem metas pouco ambiciosas. Mas há que reservar espaco para viver.

 

Tudo só nao é mais lindo porque, longe, alguém chora. E eu nao sei muito como ajudar. Te amo. E tenho o pensamento em você.

sábado, 2 de diciembre de 2006

Vide imparfait

Acabou... Ela se foi. E devo admitir que a casa tem um certo ar de tristeza. Houve uma vã tentativa de uma última conversa. Mas esse pontos talvez jamais se encontrem novamente no espaço. Seguirão seus trajetos vertiginosos - é por isso, minha cara, que já não te podes levantar; percebes que a vida não tem essa firmeza do chão? solta-te e não te perderás... - até que se apaguem.

O aguayo boliviano já não está no hall de entrada, assim como não estão os postais, os descansos de prato e algumas coisas que - é verdade - conferiam novos ares, mais humanos, quiçás, a esta casa de paredes frias... Percebo que não sei ocupar os espaços desta maneira - era tudo dela... Ponho-me a pensar em minhas outras casas e, novamente, acho que era assim. Minha presença se materializa de maneira menos pensada, menos intencional. O pote de chá, o CD dentro do som, a roupa que espera ser lavada... Não são rastros ou pistas. Restos, apenas. De um trajeto contínuo, que não se permite essas pequenas pausas que teriam talvez por fim deixar marcas para a posteridade.

O telefone toca. Uma hora é tudo que resta desta sensação de vazio. Talvez eu devesse ir à lavanderia. Mas acho que esperarei.

Respirar um pouco mais dessas paredes sem persolidade impressa. E sentir um pouco mais o que sou.

 

No fundo, ela não era perfeita. Acho que esta foi sua principal falha...