viernes, 15 de diciembre de 2006

Saltado de lomo


Eu estava em casa. Acho que lia meus e-mails, talvez me preparasse para responder à Claude, talvez para comecar a dar uma olhada nas coisas da consultoria – que, afinal, se revelou maior do que eu imaginava... Quando me chegou sua mensagem. “K haces?”. Sem acento e vindo de quem vinha, o verbo tinha seu sentido original... Logo: “No kieres comer algo? Puedo cocinar”. Na cozinha, Pedro preparava milanesas, encorajado pela namorada. Eu, como era de se esperar, o provocava. Engracado vê-lo aprender. Também me faz feliz. Mas decidi. E, assim: “ven a mi casa en 35 min”. Achei graca nos 35 minutos. Sao assim nossos encontros... Avisei que nao comeria em casa e, em dez ou vinte minutos, saía em direcao ao Subte Línea A. A também de Acoyte.


Nao sei se tardei cinqüenta minutos ou uma hora. De qualquer maneira, foi o tempo justo. Ela acabara de voltar do Disco, sacolas ainda na sala. Cat Stevens cantava... Sim, eu sabia fazer arroz e ela limpava a carne. Uma cerveja? Dá-lhe. Poucas coisas para contar desde domingo e mesmo os comentários sobre os amores e desamores se tornavam escassos para preencher o vazio dos minutos... Mas nada tinha importância. Cozinhávamos e bastava.


Enquanto o arroz cozinhava, cebola, tomate e carne saltavam. O ají se encarregaria do picante leve. Um pouco de molho de soja. Salivacoes. Lembrancas de Genebra. Engracado como se pode estar mais próximo de certos lugares apesar da posicao no mapa...


Já nao sei o que tocava. Vicentico? Acho que era. Depois houve Chico, Shakira, Sabina... Também houve cerveja, vinho, rum... E muita vida: a intensidade do que foi e as dúvidas sobre o que a mesma vida viria a ser... Dúvidas sem importância. Só o que importava era estar ali. O tempo, passando. Ativamente o passávamos. Até deixar atrás, novamente, momentos que se borrariam em doces lembrancas de uma amizade.


A vida (também) é feita de momentos assim.

No hay comentarios.:

Publicar un comentario