sábado, 2 de diciembre de 2006

Vide imparfait

Acabou... Ela se foi. E devo admitir que a casa tem um certo ar de tristeza. Houve uma vã tentativa de uma última conversa. Mas esse pontos talvez jamais se encontrem novamente no espaço. Seguirão seus trajetos vertiginosos - é por isso, minha cara, que já não te podes levantar; percebes que a vida não tem essa firmeza do chão? solta-te e não te perderás... - até que se apaguem.

O aguayo boliviano já não está no hall de entrada, assim como não estão os postais, os descansos de prato e algumas coisas que - é verdade - conferiam novos ares, mais humanos, quiçás, a esta casa de paredes frias... Percebo que não sei ocupar os espaços desta maneira - era tudo dela... Ponho-me a pensar em minhas outras casas e, novamente, acho que era assim. Minha presença se materializa de maneira menos pensada, menos intencional. O pote de chá, o CD dentro do som, a roupa que espera ser lavada... Não são rastros ou pistas. Restos, apenas. De um trajeto contínuo, que não se permite essas pequenas pausas que teriam talvez por fim deixar marcas para a posteridade.

O telefone toca. Uma hora é tudo que resta desta sensação de vazio. Talvez eu devesse ir à lavanderia. Mas acho que esperarei.

Respirar um pouco mais dessas paredes sem persolidade impressa. E sentir um pouco mais o que sou.

 

No fundo, ela não era perfeita. Acho que esta foi sua principal falha...

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