lunes, 26 de febrero de 2007

Angina

Queria escrever várias linhas. Queria falar do ar imóvel e quente que inunda Buenos Aires. Queria falar talvez da noite de sábado, talvez do cinema de ontem (vi The Queen... achei mais ou menos...). Queria falar do calor que emana do fogão quando preparo milanesas. Do inútil que é sair ao balcão ou colocar-se abaixo do ventilador. Queria falar dessa faringite que me incomoda desde ontem. E também do edifício velho e em reforma do Hospital da Providência, que fica a duas quadras da minha casa. Talvez falasse da doutora, pequenina, de pele olivada e que, precisando auscultar-me, corou ao pedir que eu levantasse a camisa... Também queria falar do poster maltratado de Klimt, pendurado naquela parede descascada do saguão do plantão e da inevitável lembrança da K. Queria tanto, tanto, tanto... Mas vou ficar por aqui mesmo. Porque tenho sono, o corpo dói, a febre ameaça vir e eu... eu não consigo dormir. Nem pensar.

sábado, 24 de febrero de 2007

O meu shuffle...

Para algumas pessoas, não é novidade que um dos meus grandes dilemas dos últimos tempos é o espaço disponível no meu disco rígido... Dos 40 giga, sobram pouco mais de dois... Pelo menos 70% disso é música. De todos os estilos possíveis e imagináveis (bem, tem coisa que não entra mas, enfim, sublima...). Tudo bem organizadinho por nome do grupo/artista e, dentro de cada pasta, por disco (para os casos em que tenho os discos completos). Tudo menos uma pasta - a famigerada Various... Essa bendita pasta acaba virando uma espécie de limbo. As músicas vão parar lá porque em algum momento eu não criei a pasta de seus respectivos autores e, depois, acabei de esquecendo de classificá-las... São 136, segundo o WMP... Mas o simples fato de estarem no meu computador é suficiente para concluir que gosto de cada uma delas... E eis que hoje, enquanto tomo coragem para ir ao supermercado e enfrentar a fila quilométrica do Coto (hoje rola 10% de desconto para pagamento com cartão de débito... ai, ai, ai... como é duro ser pobre...), resolvi colocar tudo para tocar, aleatoriamente... Neste exato momento, por exemplo, to escutando umas das mais fantásticas versões de The Lady is a Tramp que já ouvi, que, diz o nome do arquivo, que é com o Robbie Williams... mas que, como não tenho certeza, ficou no purgatório (porque é claro que tenho uma pasta para o Robbie Williams!). Antes, acho que rolou Mariah Carey e, antes, Cruise (ai, que saudades da Clarinha...), Beck, and so far and so forth...

E aí me lembrei de um texto recente do Bilo... E deu vontade de deixar isso registrado aqui.

Shuffle (sometimes, at least) rules!

viernes, 23 de febrero de 2007

Amerika!!!

Entao, lembra daquele papo de me jogar? Pois é, tenho feito tudo direitinho... (sempre fui bom aluno... orgulho da mamae!!!).

Resultado? Aqui estou eu, 12h40, no trabalho, ainda meio bêbado... Detalhe: às 10hs estava me esforcando para seguir o fio da conversa em uma reuniao importante. Depois, quando ela comecou a falar de Piaget e tudo mais, confesso que me perdi um pouco. Mas, enfim, nao se pode tudo nessa vida... Felizmente, era gente amiga, queridíssima, interessante e, diga-se de passagem, se tudo der certo, fará parte da família em breve (caralho, se certa pessoa ler isso aqui, fudeu... hahahaha).

O ponto é: a noite foi ótima. Ai, como é bom beijar na(s) boca(s), nao é mesmo, minha gente. Aliás, foi por bem pouco que nao acabei acordando em outro lugar, mas enfim, tudo tem limite... E a K me ensinou a me portar bem nestes momentos de insanidade... Tem cada LOWKA solta por aí...

Lhes conto: o Amérika é exatamente o mesmo de antes. Nao mudaram absolutamente nada da decoracao e eu continuo sem saber se existe ou nao o infamous dark room... Mas, com aquele corredor escurinho no mezzanino, quem precisa de dark room, me diz? O ambiente continua sendo predominante gay. E como toda boate predominantemente gay, enche de heteros bem selecionados. O som melhorou horrores, pelo menos na minha opiniao. Ontem rolou dj convidado (Nico Moya) que se encarregou que manter o nível a noite toda. Música eletrônica de qualidade - à moda argentina, naturalmente: nada de drum´n bass, nada de psycho ou electro, um pouco de trance, muito de house e tecno - gente muito bonita (tá, gente feia sempre há, mas a gente sublima) e um clima ótima. Tá: o bar é deplorável e os sofás sao sujos. E, diga a tempo, nao me atrevi a entrar naquele cubículo de cristal que eles chamam pista e onde costumavam tocar coisas horrendas (incluindo axé...). Mas, queridos, nao estamos em Sao Paulo... Isso é Buenos Aires!!! Definitivamente, deve estar fazendo concorrência com o Club 69 que, aliás - me contaram ontem - mudou de lugar... Na próxima quinta, vou lá conferir...

Agora, que fique bem claro: eu fui na quinta. Porque na sexta e no sábado tem rolado festa da espuma e, francamente, ninguém é obrigado... Eu fico me imaginando os rostinhos dos cafucus que se jogam nesses dias... Ai, gente feia dá coceira... Nesses dias, se quiser, te puxo pelo braco e te levo a lugares mais interessantes. A diversao é por conta da casa e à escolha do cliente!

 

Ah, antes que eu me esqueca: antes, jantamos no Tipo Casa (Bulnes, 843). O lugar é lindo, aconchegante e os precos estao no chao. Bem, nessas condicoes, nao vale pedir comida excelente, nao é mesmo. Fair enough.

jueves, 22 de febrero de 2007

O que te excita?

O que te dá certeza de que você está viva?

Há vezes em que há mais indícios de vida em um rosto sonolento que se observa no espelho do que no corpo que se balanca freneticamente no meio da pista de danca. Embora, outras tantas vezes, o movimento que obedece o ritmo da música seja a evidência mais clara de que se sente. E que se está vivo. Plenamente.

Há tantas maneiras e caminhos tao diversos... Tanto de perder-se como de se encontrar. E nunca sao eternos. Quase nunca, perenes. Nao há outra forma de descobri-los senao percorrendo-os. Passo a passo. Adelante, siempre adelante.

 

O que te excita? O que te faz correr? O que te faz gozar?

É ver? É tocar? Sao cheiros? Texturas? O gosto salgado da pele suada? O conforto de uma xícara de chá? O escorrer da areia por entre os dedos, ampulheta abaixo?

Em tudo há prazer. E em nada.

Mas, responda-me, o que te excita? O que te faz gozar?

 

Porque a mim me excita ver-te em pleno gozo. Sentir o aroma que se desprende de você quando seus olhos vêem, mas já nao podem olhar, extasiados. Escutar os ruídos de seus passos firmes em direcao a rumo certo, ainda que desconhecido. (E tantas outras coisas nem você nem eu sequer imaginamos...)

E gozo quando você chega. Aos meus bracos. Ambos ofegantes.

 

Mas nao, nao me diga. Insinue, talvez. Deixe que eu também percorra esse labirinto que é você. Esse túnel escuro que sequer você mesma conhece e que eu apenas conhecerei dentro de uma realidade é que tao somente minha. Nao me conte. Nao perca tempo com palavras. Use esses minutos, essas horas, esses séculos para descobrir/construir - comigo? sozinha? com outro? nao importa - outras ruas, estradas, vielas, becos. Lamacais onde jogar-se e empapar-se com o barro de que somos feitos. Com o plasma branco de que se faz a vida.

 

E, quando eu estiver imundo, de terra, de fluidos, de sêmen, terei certeza que, naquele momento efêmero, estou vivo.

lunes, 19 de febrero de 2007

Butterflies in stomach

Ah... que engracadas sao as coisas... Quando dizemos que o mundo dá voltas... Nao há maior razao que estas palavras... E, se quiséssemos mudar o clichê, aí estaría Pe. Antonio Vieira: atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a coracoes de cera (God bless Google!). Há dois ou três anos, estive aqui de passeio por Buenos Aires. Na verdade, o passeio tinha um objetivo claro. Quanto voltei, na mala levava um livro do Benedetti e um CD do Jorge Drexler. O livro poderia ser para mim, mas tinha outro destinatário. E ia acompanhado de versos escritos em um desses vários cafés que povoam o centro portenho... Como parte de mim. Já o CD era encomenda do Henrique. Como sempre acontece nesses casos, chegou aberto. Tenho o péssimo hábito de abrir os CD´s que compro para meus amigos, escutá-los e, quando agradam, gravá-los. Este foi sem gravar. Achei insosso, chatinho, previsível... Na mala levava ainda o início de um fim e um beijo que pedia para ter ficado em Buenos Aires e que nunca mais houve - embora haja havido outros...

Enfim, o mundo dá voltas. E eis que ontem várias coisas me fizeram voltar estes anos no tempo. O Z que devia ter sido S, uma declaracao inesperada da menina cujas maos folhearam aquele livro do Benedetti, o cd do Jorge Drexler tocando em meu quarto, repetidas vezes, encantando-me cada vez mais.

Dois ou três anos depois, ela entendeu que jamais houve intencao de machucá-la e que eu realmente a quis, como merece ser querida uma menina tao linda, com olhos tao doces e um abraco tao sincero. Dois ou três anos depois, aquele beijo guardado secou, dado volta do avesso como a especular relacao que há entre o S e o Z. Dois ou três anos depois, estou eu em Buenos Aires, aguardando a chegada daquele querido amigo que, pela primeira vez, me apresentou à música daquele uruguaio que ganhou o Oscar com a trilha de Diários de Motocicleta. Dois ou três anos depois, volto a sentir o que sentia quando o aviao pousava no aeroporto de Brasília. A vontade de um encontro, a ansiedade na busca da palavra certa, a tentativa de acertar em cheios aqueles olhos. Dois ou três anos depois, o mesmo, mas diferente. E por outra pessoa.

O mundo da voltas. E eu quero girar com ele.

 

 

Guitarra Y Vos
Jorge Drexler

 

Que viva la ciencia,
Que viva la poesia!
Que viva siento mi lengua
Cuando tu lengua está sobre la lengua mía!


El agua esta en el barro,
El barro en el ladrillo,
El ladrillo está en la pared
Y en la pared tu fotografia.

 

Es cierto que no hay arte sin emoción,
Y que no hay precisión sin artesania.
Como tampoco hay guitarras sin tecnología.
Tecnología del nylon para las primas,
Tecnología del metal para el clavijero.


La prensa, la gubia y el barniz:
Las herramientas de un carpintero.

El cantautor y su computadora,
El pastor y su afeitadora,
El despertador que ya está anunciando la aurora,
Y en el telescopio se demora la última estrella.


La maquina la hace el hombre...
Y es lo que el hombre hace con ella.

El arado, la rueda, el molino,
La mesa en que apoyo el vaso de vino,
Las curvas de la montaña rusa,
La semicorchea y hasta la semifusa,
El té, los ordenadores y los espejos,
Los lentes para ver de cerca y de lejos,
La cucha del perro, la mantequilla,
La yerba, el mate y la bombilla.

 

Estás conmigo,
Estamos cantando a la sombra de nuestra parra.
Una canción que dice que uno sólo conserva lo que no amarra.
Y sin tenerte, te tengo a vos y tengo a mi guitarra.

 

Hay tantas cosas
Yo sólo preciso dos:
Mi guitarra y vos
Mi guitarra y vos.

 

Hay cines,
Hay trenes,
Hay cacerolas,
Hay fórmulas hasta para describir la espiral de una caracola,
Hay más: hay tráfico,
Créditos,
Cláusulas,
Salas vip,
Hay cápsulas hipnóticas y tomografias computarizadas,
Hay condiciones para la constitución de una sociedad limitada,
Hay biberones y hay obúses,
Hay tabúes,
Hay besos,
Hay hambre y hay sobrepeso,
Hay curas de sueño y tisanas,
Hay drogas de diseño y perros adictos a las drogas en las aduanas.

 

Hay manos capaces de fabricar herramientas
Con las que se hacen máquinas para hacer ordenadores
Que a su vez diseñan máquinas que hacen herramientas
Para que las use la mano.

 

Hay escritas infinitas palabras:
Zen, gol, bang, rap, Dios, fin...

 

Hay tantas cosas
Yo sólo preciso dos:
Mi guitarra y vos
Mi guitarra y vos.


 

domingo, 18 de febrero de 2007

S e Z

Hoje, caminhando por Buenos Aires, Centro Cultural da Recoleta, um domingo de sol e céu azul, depois de um sábado nublado e uma noite fria; hoje, um dia de solidão após tantas bocas e sorrisos, abraços e vozes; hoje, um dezoito de fevereiro, descobri, em um painel frio sobre uma escritora que nunca li, em um corredor esquecido daquele lugar, entre livros atados por correntinhas que impeddisem que incautos os guardassem em seus bolsos, que petisa, descobri, se escreve com S. E, ainda meio duvidoso, quiçás incrédulo, não pude evitar sorrir. Um sorriso já sem muito sentido, mas enfim.

Hay recuerdos que no voy a olvidar... En fin...

 

E volto depois a casa, a cabeça quente, a garganta seca, o corpo cansado. K. me oferece abraço. Mas há léguas demais entre nós. E muitos poucos metros que me separam de meus travesseiros, tão solitários como eu. Desço à inexistência, procurando - quem sabe mais tarde - voltar a algo que ainda não sei bem o que é.

 

Hoje, depois de tantas bocas e sorrisos, queria poder ter um que se abrisse exclusivamente e sincero para mim. Sorrizo, talvez. Vai, Carlos, ser gauche na vida. Mas sei que não vou por ali.

 

miércoles, 14 de febrero de 2007

Valentine´s...

Pois é... aqui para mim, tinha a impressao que Valentine's Day se comemorava dia 12 de fevereiro... Mas em todos lados da capital portenha anunciam que é hoje. Tudo bem, afinal, Dia dos Namorados no Brasil é só no meio do ano... Junho ou julho, nao me lembro. E é óbvio que nao me lembraria... A influência destas datas na minha vida nos últimos anos tem sido tao pouca... E confesso que nao para a minha total felicidade... Tampouco para meu desespero, mas, enfim... é sempre bom ter um cobertor de orelha por perto em dias assim... Aliás, uma namorada é um item que viria a calhar no meu kit de sobrevivência para os próximos meses. A ficha caiu ontem... Abri minha caixa de e-mail e lá estava o calendário acadêmico do meu mestrado... As aulas comecam em 5 de marco e vao até 15 de dezembro. Divididas em três trimestres com uma semana de pausa entre eles. Duas horas e meia diárias, de segunda a sábado, ininterruptamente... Em outras palavras, tenho programa para todas as minhas noites até o fim do ano. Tempting, don´t you think? Well, well... cheguei aqui sozinho, agora, agüenta. Mas que seria bom terminar acompanhado... ah... isso sim... Mas isso é só um pensamento em voz alta...

 

By the way... Sempre bom encontrar a Caju, mesmo quando é apenas para encher a panca no Siga La Vaca. Também é bom (mas nem se compara), depois de comer tudo aquilo no almoco, devorar um fondue de queijo, um normal (bourguignon) e outro de chocolate no jantar, falando merda, é claro... Azia? O que é isso? Precisa de estômago pra ter isso? Entao, acho que perdi o meu há uns bons anos...

 

By the way 2... Valentine's também vale para amigos, porra! Por que ninguém me liga???

lunes, 12 de febrero de 2007

Start Running!

Pois é, ninguém pode me dizer que nao estou me esforcando... Depois de enrolar o sábado inteiro, no domingo, em um dia maravilhoso, fui e me matriculei na academia. Tá, confesso: paguei o pacote mínimo, de três meses. Mas, quando o instrutor me perguntou meus planos e disponibilidade, me joguei: seis vezes por semana. Tá, todos sabemos que esses ideais geralmente morrem na segunda ou terceira semana... Mas se eu chegar até lá, já estarei satisfeito... E foi assim que hoje, às 6h30 da madrugada, lá estava eu, na porta da academia... Tive que voltar, porque hoje é segunda e, às segundas, eles abrem às 7h00 (e depois, só fecham no sábado... 24hs... perguntei o que farei nas minhas noites de insônia???). Mas retornei e fiz tudo direitinho, até os 25 minutos de esteira que sao UM SACO... Nunca imaginei que meu MP3 fosse algo tao útil...

Depois, correria... Deixar roupa para lavar, comprar fruta, tomar café (o reforco, porque nao dá para encher a panca antes de malhar...), buscar roupa, pendurar roupa, passar roupa, preparar almoco, ler jornal, olhar e-mails, lembrar de tudo o que tem pra fazer no dia e, ufa, finalmente, ir para o trabalho... Enfim, um pouquinho de stress é bom para comecar a segunda-feira, nao?

O fato é: a academia é apenas um elemento no pacote de decisoes de ano novo tardias (é, foi necessário eu cruzar a fronteira para sair da inércia). Contratar finalmente um plano de saúde é outro - vou marcar meu dentista já, porque tenho pesadelos imaginando que meus dentes podem ficar parecidos com essas coisas horríveis que os argentinos têm na boca... Os outros... enfim, é melhor nao publicar por aqui... Mas todo mundo sabe...

Já sabe aonde vai hoje? Hoje é segunda e já tenho vontade de me jogar. E nao é do alto de nenhum prédio...

viernes, 9 de febrero de 2007

A ordem dos fatores altera o produto?

Ele me perguntava, depois de perceber que nao havia cortado a pimenta pequena no fundo do prato... A ordem dos fatores altera o produto? E lá estava, entao, cortando-a na mao, em pedacos nao tao pequenos que jogaria depois naquela mistura de molho pronto, mendicrim e algo mais...

Lembrei-me, já sob o efeito dos vapores etílicos, de uma conversa semelhante havida há alguns meses. Naquela casa com pátio interno, ele - outro - me olhava com os olhos já condenando: primeiro o suco, depois a água. E repeti aquela frase que hoje escutava, dispensando a interrogacao e, quase arrogante, valendo-me da negativa. Foi quando ele me fez beber dois copos, para provar-me que nem tudo é passível de explicacao lógica...

Telefonei para ver se ele se lembrava. E acho que nao...

Mas é um fato: a ordem dos fatores sim altera o produto. Tanto como nao há dois sem três, me diriam outros olhos...

E é assim que as coisas vao acontecendo, em um caos original que a seqüência e nossa ignorância trata de organizar racionalmente. Estúpida diacronia. E ainda mais estúpida nossa crenca na palavra...

Vox... ultima ratio quando o coracao já nao suporta sentir.

 

miércoles, 7 de febrero de 2007

Desafiando a gravidade

Se eu me jogar, será que flutuo?

E, se flutuar, continuarei sendo eu?

E, se for, chegarei aos céus?

 

Pff...

 

É para rir. Mas ainda mais irônico é descobrir as próprias contradicoes. O meu discurso sobre abismo e chao, quando meus olhos estavam fixos no horizonte. E era um horizonte como o das montanhas alterosas que marcam minhas origens...

Ai... descobrir-me tao mineiro... que engracado...

O hiato entre o aparente e o oculto.

Os olhares, as palavras, os gestos. Tao enganosos ao olho destreinado...


E as suspeitas, a desconfianca, a necessidade do cálculo.
As riquezas ocultas embaixo do colchao, no fundo da gaveta, dentro do santo. Mas perceptível a alguns.

Me jogar? Rá.

Mas tudo que é concreto, um dia se desmancha no ar.

E, entao, me provocam. E me empurro.

A pergunta que fica: caio?

 

Colocando-me à prova. Apostando meu mundo e a mim mesmo.

martes, 6 de febrero de 2007

No primeiro dia

 

Haviam sido necessárias três pessoas que lhe dissessem aquilo para que ele acreditasse. Ou para que a sua crença fosse suficientemente forte como para mudar sua atitude.

Não, ele não pertencia ao mundo dos belos. Ele sabia. Mas tampouco era feio. Magro, alto… Dançava bem…

Ele também sabia que isso não era suficiente. Mas talvez não soubesse o que faltava. Ou o sabia, mas não suficientemente.

Foi então que lhe disseram, como o eco em um corredor que não tem fim. Repetidas vozes em momentos contíguos. Que da boca ganhavam o ar. Com novas faces a cada instante.

 

O errado está no ideal.

 

São os olhos que estão fechados. Guardiães de alma e corpo. Invulneráveis.

 

Foi então que ele ouviu. E acreditou.

E, agora, sua mão tremia. Não conseguia escrever em uma letra decente aquela seqüência de dez números. Mais ainda lhe custava aquele encadeamento de letras. Suava frio. Parou na segunda tentativa. O papel dobrado, com destinatário e remetente. O lance final de escadas. É preciso subir antes que a pressão acabe de despencar. Ele entenderá a letra?

 

Ele não ligará.

 

Mas, pelo menos, ele sabe que acredita.

lunes, 5 de febrero de 2007

Encardido

E, de volta a Buenos Aires, começo a semana lavando minha roupa. Rotina marcada de simbolismos.

A roupa sairá limpa da máquina.

Mas eu... ah, eu... não quero jamais livrar-me disso que me impregnou.

É preciso escrever tudo. É preciso deixar registrado cada momento desta última semana. Deste período entre aqueles que sei que são os meus. Aqueles que tanto amo e que são, definitivamente, parte de mim.

Seria necessário registrar cada conversa, bem como as reflexões que cada uma delas necessariamente provocam dentro de mim.

Seria necessário dar continuidade àquilo que começou já antes da viagem. Talvez, em um restaurante mexicano desta calorosa e úmida cidade portenha. Talvez antes, talvez depois.

Tudo isso para que eu permaneça sujo do abraço de cada um de meus amigos.

Não quero me lavar jamais.

 

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Tá, eu gosto de Alejandro Sanz... Sem falar que essa música é tão "sábado, 03/02/07"...


La Peleita (feat Alejandro Sanz)


Calle 13


Composição: Indisponível

Dame tu corazón
pequeño como un limón
tú dame tu corazón
pequeño como un limón

ay mira chiquita yo se que te gusta,
cuando te pones brava, te gusta, chiquita,
la peleíta,
pero yo quiero saber
de qué esta hecho tu corazón
yo quiero saber si esta dulce
o amargo

Dame tu corazón
pequeño como un limón
tú dame tu corazón
pequeño como un limón

ay mira chiquita yo se que te gusta,
cuando te pones brava, te gusta, chiquita,
la peleíta,

yo lo siento cuando cantas,
como un escalofrío, frío
como una cosita que yo no entiendo,
cómo te lo puedo explicar
a veces siento, a veces canto,
a veces duermo,
pero a veces muerdo

(coro)
dame tu corazón
pequeño como un limón
tú dame tu corazón
pequeño como un limón

oye mai, no seas cruel
que hoy me he puesto perfume de clavel
y he llegao como un pincel
para paseártelo por la piel
si no hay ningún motel
pues debajo del mantel, mujer
yo voy a ser franco
si tú no me lo das
yo te lo arranco
mamita yo no soy manco
por las orejas votando humo
como chimenea
este tipo por ti se mea dulcinea
las que son feas las torea
y las bonitas las bombardea

dame tu corazón
pequeño como un limón

dámelo, dámelo,
dame tu corazón yo quiero saber por qué tú no
me lo das
hay tanta gente en tu vida
que no se si quepo yo
pero es que no quiero entrar
yo no te digo nada
pero mi guitarra sí, mi guitarra sí
dame tu corazón...

dame tu corazón
pequeño como un limón (dame tu corazón colombiano)
tú dame tu corazón (ese corazón de España, esa España)
pequeño como un limón (corazón boricua)

usted es una perfecta candidata
para irse de regatas con este pirata
aquí hay conexión y no es cibernética
esta carroza tiene buena genética
ninguna mujer guapa se me escapa
este sudaca no se come cualquier cachapa
aquí hay conexión y no es cibernética
esta carroza tiene buena genética

oye mai, no seas cruel
que hoy me he puesto perfume de clavel
y he llegao como un pincel
para paseártelo por la piel
si no hay ningún motel
pues debajo del mantel, mujer
yo voy a ser franco
si tú no me lo das
yo te lo arranco
mamita yo no soy manco

oye mai, no seas cruel
que hoy me he puesto perfume de clavel
y he llegao como un pincel
para paseártelo por la piel
si no hay ningún motel
pues debajo del mantel, mujer
yo voy a ser franco
si tú no me lo das
yo te lo arranco
mamita yo no soy manco

oye mai, no seas cruel
que hoy me he puesto perfume de clavel
y he llegao como un pincel
para paseártelo por la piel
si no hay ningún motel
pues debajo del mantel, mujer
yo voy a ser franco
si tú no me lo das
yo te lo arranco
mamita yo no soy manco