Haviam sido necessárias três pessoas que lhe dissessem aquilo para que ele acreditasse. Ou para que a sua crença fosse suficientemente forte como para mudar sua atitude.
Não, ele não pertencia ao mundo dos belos. Ele sabia. Mas tampouco era feio. Magro, alto… Dançava bem…
Ele também sabia que isso não era suficiente. Mas talvez não soubesse o que faltava. Ou o sabia, mas não suficientemente.
Foi então que lhe disseram, como o eco em um corredor que não tem fim. Repetidas vozes em momentos contíguos. Que da boca ganhavam o ar. Com novas faces a cada instante.
O errado está no ideal.
São os olhos que estão fechados. Guardiães de alma e corpo. Invulneráveis.
Foi então que ele ouviu. E acreditou.
E, agora, sua mão tremia. Não conseguia escrever em uma letra decente aquela seqüência de dez números. Mais ainda lhe custava aquele encadeamento de letras. Suava frio. Parou na segunda tentativa. O papel dobrado, com destinatário e remetente. O lance final de escadas. É preciso subir antes que a pressão acabe de despencar. Ele entenderá a letra?
Ele não ligará.
Mas, pelo menos, ele sabe que acredita.
No hay comentarios.:
Publicar un comentario