jueves, 22 de febrero de 2007

O que te excita?

O que te dá certeza de que você está viva?

Há vezes em que há mais indícios de vida em um rosto sonolento que se observa no espelho do que no corpo que se balanca freneticamente no meio da pista de danca. Embora, outras tantas vezes, o movimento que obedece o ritmo da música seja a evidência mais clara de que se sente. E que se está vivo. Plenamente.

Há tantas maneiras e caminhos tao diversos... Tanto de perder-se como de se encontrar. E nunca sao eternos. Quase nunca, perenes. Nao há outra forma de descobri-los senao percorrendo-os. Passo a passo. Adelante, siempre adelante.

 

O que te excita? O que te faz correr? O que te faz gozar?

É ver? É tocar? Sao cheiros? Texturas? O gosto salgado da pele suada? O conforto de uma xícara de chá? O escorrer da areia por entre os dedos, ampulheta abaixo?

Em tudo há prazer. E em nada.

Mas, responda-me, o que te excita? O que te faz gozar?

 

Porque a mim me excita ver-te em pleno gozo. Sentir o aroma que se desprende de você quando seus olhos vêem, mas já nao podem olhar, extasiados. Escutar os ruídos de seus passos firmes em direcao a rumo certo, ainda que desconhecido. (E tantas outras coisas nem você nem eu sequer imaginamos...)

E gozo quando você chega. Aos meus bracos. Ambos ofegantes.

 

Mas nao, nao me diga. Insinue, talvez. Deixe que eu também percorra esse labirinto que é você. Esse túnel escuro que sequer você mesma conhece e que eu apenas conhecerei dentro de uma realidade é que tao somente minha. Nao me conte. Nao perca tempo com palavras. Use esses minutos, essas horas, esses séculos para descobrir/construir - comigo? sozinha? com outro? nao importa - outras ruas, estradas, vielas, becos. Lamacais onde jogar-se e empapar-se com o barro de que somos feitos. Com o plasma branco de que se faz a vida.

 

E, quando eu estiver imundo, de terra, de fluidos, de sêmen, terei certeza que, naquele momento efêmero, estou vivo.

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