lunes, 26 de marzo de 2007

Gilt das für eine Antwort?

Könnte mein Atem

Federn in Schwebe halten

und einen Flaum steigen lassen,

  bis ihn der Wind davontrüge,

    wäre nicht viel,

      nur andeutungsweise

der Erde Schwerkraft widerlegt.

 

(Günter Grass - Fundsachen für Nichtleser)

viernes, 23 de marzo de 2007

Ela passeia pelas ruas

Ela passeia pelas ruas. Nao se sabe se foge ou se busca aproximar-se. De quê? Nao se sabe. Ela simplesmente vai migrando. E vai deixando atrás de si pedacos seus que já nao lhe servem. Despojando-se de si mesma. Depurando-se, reduzindo-se. Até chegar ao essencial. Ou até desaparecer.

 

O que vem antes do comeco? Nao sei se ela sabe. Eu tampouco sei. Só sei que ela vai migrando pelas ruas e dói vê-la dobrar cada esquina sabendo que nao pretende olhar para trás. Mas calo. Porque acredito que, de alguma forma, sempre acabamos voltando a algumas ruas. E porque algo meu segue com ela. E que talvez, quando eu dobre aquela esquina, ela estará vindo na direcao contrária.

 

(De tanto olhar para a roda, ela decidiu rodar. Mas a da bicleta gira sobre um mesmo eixo e, para seguir adiante, precisa aderir-se à dureza do chao.)

 

 

jueves, 22 de marzo de 2007

Out of service


This is an automated response. Marcelo is broken into pieces and will reply as soon as he manages to put some of them together again. He is waiting for redemption - whatever this might be. The brightest path has not led to a quieter place and he cannot manage to save himself from chaos (maybe he is not really willing to). For ultra urgent matters, please refer to Haroldo. Hugs accepted.

 

martes, 20 de marzo de 2007

Por causa de você, menina...

Por causa de você bate em meu peito
Baixinho, quase calado
Coração apaixonado por você

 

Menina... Menina que não sabe quem eu sou
Menina que não conhece o meu amor

 

Pois você passa e não me olha
Mas eu olho pra você

 

Você não me diz nada
Mas eu digo pra você

 

Você por mim não chora
Mas eu choro por você

 

A música, salvo equívoco, é do Jorge Ben. Da época em que ele se chamava Jorge Ben, mesmo, antes de culpar à numerologia pelo seu olvido... Quando ele resolveu voltar, nos anos 90, foi um desastre... Enfim, acho que ele nao tem a genialidade dos Mutantes... Felizmente, depois de alguns estrondosos fracassos com remixagens e um sucesso mais que efêmero (se é que Faustao e novela das seis podem ser considerados indicadores de sucesso), acho que ele renunciou ao "Jor" e voltou a ser o que era antes. E, diga-se de passagem: era muito bom. Nenhuma grande revolucao na música, mas, sem dúvida alguma, um marco na música negra brasileira dos anos 70, com uma deliciosa mistura de samba e funk... Cancoes que animariam muitas noites minhas em Brasília... e que me leva para um pouquinho mais próximo de casa quando as escuto nestas terras estranhas...

A versao que eu tenho da música acima nao é a versao original. Na minha modesta e questionável opiniao, é melhor. Trata-se de um dueto dele com a Ivete Sangalo - para o pavor de amigos como a K e o Renato... É lindo quando ela canta "você por mim nao chora" e ele "choro, choro, choro", para que ela entao replique "é mentira que eu sei..." e conclua "mas eu choro por você", enquanto ele insiste... Simples e lindo. O samba tem um pouco disso. Uma tristeza singela que nem parece triste...

Estou impregnado dessa tristeza.

É que também no meu peito, baixinho, quase calado, bate um coracao apaixonado por você... que mal sabe quem eu sou...

lunes, 19 de marzo de 2007

Monday, monday...

E do 13 pulamos ao 19, sem posts novos no caminho... E vale ressaltar o detalhe: terca-feira 13, na Argentina, é dia de azar... Mas, felizmente, minha experiencia pessoal nao serviu para corroborar a sabedoria popular. Ao contrário: os últimos dias foram bastante agitados e, apesar da correria, agradáveis. A casa está uma bagunca e é quase impossível controlar a sujeira, que parece gerar-se espontaneamente. A comida desaparece da geladeira em proporcao exponencial. As horas definitivamente sao mais curtas, bem como as noites de sono. Entretanto, porém, contudo... o balanco é positivo. A convivência com o Henrique e com a Adriana tem sido extremamente prazeirosa, apesar do meu mau humor crônico. Tenho encontrado algum tempo para nao deixar as coisas do mestrado se acumularem e estou um pouco mais otimista que no princípio (embora ainda guarde sérias ressalvas sobre a selecao dos meus queridos coleguinhas...). Também tenho me disciplinado a criar algum tempo para as coisas importantes da vida: som, textura, movimento, em suas distintas roupagens. Claro que segundas-feiras sao sempre segundas-feiras (principalmente porque em Buenos Aires nao tem Calaf...), mas, quer saber a verdade? nem é tao ruim assim...

martes, 13 de marzo de 2007

Contando até três e tomando fôlego...

Eu nao varei a noite escrevendo, nem cometi a insanidade de ir malhar no meio da madrugada. Cheguei a casa e tudo estava limpo, a comida estava pronta... Pequenos sinais. Conversar um pouco e tomar um banho me fez bem... Pensei em seguir direto e tentar terminar tudo o que tinha que fazer. Mas sabia que estava cansado e que nao daria resultados. Rolei uma hora na cama, sofrendo com o calor e com os mosquitos, a cabeca dando voltas de preocupacao. Mas, uma hora depois, dormi. Foi o melhor a ser feito.

Acordei cedo hoje e me coloquei a escrever. Ainda faltam algumas coisas importantes. Mas há outras coisas mais importantes. O ritmo continua acelerado, as coisas pendentes nao deixaram de existir e ainda me pergunto como e quando conseguirei colocar tudo em ordem... Mas sei que depois tudo voltará ao caos... E terei que continuar em pé...

Logo, pelo momento, acho que o importante é assegurar-me de que meus músculos continuem doendo por causa da nova série na academia, que eu possa levar com calma meus estudos e leituras, que invista em outras coisas que disfarcem o quanto desgosto de certas rotinas...

E, o melhor de tudo, me preparar para a chegada do Henrique, que desembarca amanha em Buenos Aires, dando mais uma volta - positiva e caótica, certamente - na minha já complicada vida.

Movimento. É isso que importa. Vai com fé e se joga... e se aparecer alguma mao para se agarrar, enfim... há oportunidades que é melhor nao desperdicar...

lunes, 12 de marzo de 2007

Particularmente medíocre

Eu poderia escrever qualquer coisa ruim. Uma lista de queixas sobre as coisas que vêm acontecendo desde sábado... Coisas que vao da necessidade de trabalhar em algo que você nao gosta até o imperativo de lavar roupa à mao porque a mal comida da lavanderia compensa suas frustracoes com o poder sobre a assignacao das máquinas de lavar roupa...


Eu poderia deixar registrado meu mal humor, minha falta de paciência e a total falta de inspiracao. De lambuja, deixaria gravada minha mediocridade como escritor e ser humano.


Mas eu acabei de entrar no blog da K, reli a história da Sandra e ri. Entao eu decidi entrar aqui e fazer exatamente o que eu poderia fazer. Só que diferente. Afinal, às vezes, nao se pode escapar ao ordinário...

 

 

Insane thoughts:
Como é bom mudar de rotina na academia e sentir dores musculares... eu devia ir malhar hoje depois da aula...
Para completar, eu devia dar um gás final e acabar de vez com aquele maldito relatório... nem que seja para dormir às quatro da manha...
(well, actually, this is not sooooo insane...)

viernes, 9 de marzo de 2007

Reencontro

Ela volta à cidade. Depois da aula, quando a lua já vai alta no céu, ele a espera. Reencontros.
Tomam vinho e, entre um gole e outro, vao desfiando as contas de suas vidas. Primeiro ela, ele depois. Oracoes entrecortadas, regressoes e digressoes – que refletem idéias, que revelam experiências, que os poem a descoberto. Os olhos se cruzam algumas vezes, mas, na maior parte do tempo, vagam pela sala...
Eles estao nus um diante do outro. Nao se olham, mas se vêem. Falam, mas sabem que os significados vao muito além dos fonemas que reverberam. Obviacoes, elipses e silepses. Também negras lacunas.
Chegam as empanadas. Eles comem, bebem, fumam, enquanto o tempo escorre.
O tempo, os sons, os gostos. As imagens, as texturas, os vapores. Tudo comunica. Os transforma em um corpo comum. Comunhao.
E, quando ela vai embora, ele se deita e dorme.

jueves, 8 de marzo de 2007

Complicadas coisas simples

Há uns dois ou três anos, em uma mostra de cine latino-americano em Brasilia, assisiti com a Caju um filme argentino: Cielo Azul, Cielo Negro. Era uma dessas mostras do CCBB, com horários de sessao pouquíssimo convenientes e entradas simbólicas... Passavam dois ou três filmes por dia, um depois do outro...
Pois bem, aquele se tornou um dos meus filmes preferidos – ao lado de The Godfather (parte 2), Butterfield 8, Twelve Angry Men, Lola rennt, Exiles, enfim... Fui vê-lo duas vezes durante aquela mesma mostra e, alguns meses depois, quando esteve em cartaz por curtíssimo período, o vi pela terceira vez. Completamente apaixonado.
Comprei a indignacao de vários amigos com isso. Arrastava-os ao cinema comigo, prometendo-lhes uma das melhores experiências da vida deles. Mas aquela sequência de imagens superpostas, os sons ininterruptos, os acontecimentos nao lineares, a narracao confusa, as coreografias, tudo aquilo parecia encantar a mim apenas. E à Caju...
Quando vim a Buenos Aires – tema que já foi objeto de um post recente – procurei o dvd em alguns lugares, mas sem resultados... Voltei com as maos vazias a Brasília, mas certo de que tornaria a ver aquele filme.
Finalmente, quando regressei a esta cidade já nao como visitante, mas como residente, tinha a firme conviccao de que encontrar Cielo Azul, Cielo Negro era uma questao de tempo.
Talvez um pouco mais de tempo do que pensava.
Perguntava aos meus amigos daqui se a haviam visto e a resposta era sempre negativa, mesmo entre os mais ligados ao mundo do cinema... Aos poucos, comecei a desconfiar de que o filme nao havia sido distribuido no circuito comercial, diminuindo significativamente minhas chances de voltar a vê-lo.
Foi uma surpresa quando, conversando com uma colega de trabalho, ela contou-me que conhecia uma das diretoras – que, em realidade, era coreógrafa, ajudando-me a entender o sentido do movimento ao longo de todo filme... Dias depois, ela me enviou um e-mail com seu endereco eletrônico. Eu deveria escrever-lhe perguntando sobre como conseguir ter acesso ao meu objeto de desejo (já quase uma obsessao).
Esperei alguns dias até que pudesse comentar o fato com a Agustina. A idéia era promover meu ingresso quase triunfal ao cine club... Juntos preparamos o e-mail a Paula de Luque.
No dia seguinte, ela me respondeu. Nao mais que duas ou três frases secas, dizendo que eu deveria entrar em contato com a produtora. Broxei. E nao escrevi.
Entao, hoje, a produtora me escreveu, supostamente com a desculpa de que o e-mail que a diretora tinha me mandado nao era correto. Pedia mais detalhes.
Sem nada a perder, apostei minhas últimas fichas. Em tom nada formal, quase íntimo, confessei minha admiracao e minhas humildes pretensoes. Nao deixei espacos para eventuais ilusoes de oportunidades e riquezas. Eu nao era mais que um fan, que nem sequer entedia muito bem de cinema, mas que queria, de qualquer maneira, assistir e mostrar para outras pessoas aquele filme que tanto me apaixonava... Esclareci que o que buscava era algo supostamente simples. Mas apenas uma coisa mais na infinita lista de complicadas coisas simples. Porque eu nao tinha disponibilidade nem intencao de desembolsar qualquer centavo além dos limitados recursos de um estudante... Porque eu tampouco esperava que eles abrissem maos daquilo que é o pao...
E, ao apertar o “enviar”, via a bolinha branca e pesada rolar.
Alea jacta est.
Esperemos.

miércoles, 7 de marzo de 2007

Blasting bubbles?

Ai, ai... sobre a efemeridade das coisas... Quando você acredita que está ali, já na beiradinha, apoiado apenas nos calcanhares, os bracos abertos, prontos para a queda... eis que te trazem de volta à firmeza do concreto, do chao plano e seguro, do horizonte nítido e certeiro...

Assim sao as coisas... as que realmente importam, pelo menos...

Já nao tenho dúvidas de que apaixonar-se é um ato de vontade. Pelo menos em parte - a maior parte. Decide-se apaixonar-se. E se escolhe alguém. Nao um alguém qualquer, é claro. Mas, ainda assim, alguém - indefinido até o momento exato em que os olhos lhe atribuem aquele quê que consiste em requisito mínimo para apaixonar-se... A partir deste momento, as coisas tomam seu rumo natural e cada detalhe cobra uma importância anteriormente inexistente. Vao se acumulando até formar algo de dimensoes tao grandes que parecería que o ser nao poder conte-las em si mesmo. E entao sao sorrisos, músicas, cores.

Engracado, mas é algo quase idêntico a um movimento de especulacao financeira. E talvez porque apaixonar-se seja também um investimento especulativo... E, às vezes, de repente, por algo aparentemente sem muita relevância, estoura e deixa de existir (lá na minha Minas, dizemos "pocar"... pocar bolhas de sabao...).

Eu decidi apaixonar-me. E alguém tornou-se ela. O feio fez-se belo, o ordinário, peculiar. O ar pareceu encher-se de poesia, o piegas transformou-se em autêntica manifestacao do sublime sentimento. No estômago, a azia ganhou asas e as esperas, sufixo: esperancas. E atuei conformemente - dentro da minha limitada capacidade, do meu conhecimento torpe...

Mas as certezas se debilitaram. Em algum tempo, eram dúvidas. Que se transformaram em intuicoes, crencas, rumores... Em um lapso de tempo insuficiente para que qualquer coisa criasse raízes... Triste.

E tudo pareceria findo. Nao fosse uma música. Que já nao tem nada a ver com ela ou qualquer outra, mas sim comigo. Um detalhe que disfarca o frio, fazendo-o morno.

Man, there´s got to be somebody for me.

E, de repente, eu pressinto que talvez eu nao tenha decidido desapaixonar-me. Porque também isso é um ato de vontade.

 






Mr. Jones


Counting Crows


I was down at the New Amsterdam staring at this yellow-haired girl
Mr. Jones strikes up a conversation with a black-haired flamenco dancer
She dances while his father plays guitar
She's suddenly beautiful
We all want something beautiful
Man I wish I was beautiful
So come dance this silence down through the mornin'
Sha la la la la la la la yeah.. uh huh, yeah...
Cut up, Maria! Show me some of that Spanish dancin'
yeah, but, Pass me a bottle, Mr. Jones
Believe in me
Help me believe in anything
'Cause I wanna be someone who believes
Yeah...

Mr. Jones and me tell each other fairy tales
And we stare at the beautiful women
"She's looking at you. Ah, no, no, she's looking at me."
Smiling in the bright lights
Coming through in stereo
When everybody loves you, you can never be lonely

Well, I'm gonna paint my picture
Paint myself in blue and red and black and gray
All of the beautiful colors are very very meaningful
Yeah, well, you know gray is my favorite color
I felt so symbolic yesterday
If I knew Picasso
I would buy myself a gray guitar and play

Mr. Jones and me look into the future
Yeah, we stare at the beautiful women
"She's looking at you. I don't think so. She's looking at me."
Standing in the spotlight
I bought myself a gray guitar
When everybody loves me, I'll never be lonely
I'll never be lonely
Son, I'm never gonna be lonely

I wanna be a lion
E-Everybody wants to pass as cats
We all wanna be big big stars, yeah, but we've got different reasons for that
Believe in me 'cause I don't believe in anything
and I, I wanna be someone to believe, to believe, to believe,yeah

Mr. Jones and me stumbling through the barrio
Yeah we stare at the beautiful women
"She's perfect for you, Man, there's got to be somebody for me."
I wanna be Bob Dylan
Mr. Jones wishes he was someone just a little more funky
When everybody loves you, oh, son, that's just' bout as funky as you can be

Mr. Jones and me staring at the video
When I look at the television, I wanna see me staring right back at me
We all wanna be big stars, but we don't know why and we don't know how
But when everybody loves me, I'll be just' bout as happy as I could be
Mr. Jones and me, we're gonna be big stars.


 

martes, 6 de marzo de 2007

Pollyanna revisited = Pigmaleao

Primeiro dia de aula. Havia uma recepcao de boas-vindas marcada para as 18h30. Às 18h15 eu ainda estava esperando o metrô... Desci na estacao Juramento uns quinze minutos depois e percorri, apressado, os oito quarteiroes que marcam a distância até a faculdade. Deviam faltar uns dez minutos para as sete horas quando cheguei, transpirando (sim, após alguns dias de frio, voltou a fazer calor em Buenos Aires). No salao de usos múltiplos, um coletivo de rostos desconhecidos... Uma mesa com alguma coisa para beliscar, garrafas térmicas cheias de café, garrafas vazias de Coca. "Excelente", pensei, "primeiro dia e eles já estao atrasados... E nem para calcular bem a quantidade de coca-cola gelada em um dia de calor..." Pé esquerdo. Mas eu havia lido o conto de Pigmaleao durante o dia, em várias versoes distintas, e decidi fingir que nao estava incomodado. Aproveitei o atraso para ir ao banheiro e me recompor, afinal, nao precisava de testa brilhando para completar o visual, que já contava com uma bendita e enorme espinha que decidiu sair abaixo do nariz justamente naquela manha... Voltei ao salao e instantes depois o coordenador do curso, recém designado, diria uma meia dúzia de palavras... Ele seria também o professor que me daria a aula logo mais.

Na sala, surpreendi-me com a quantidade de alunos. 35. Lembro-me bem de ter perguntado na entrevista quantos alunos eram admitidos e a quantidade de alunos em sala de aula - algo fundamental, na minha opiniao. "25, no máximo" foi a resposta, seguida de um belo discurso sobre a importância de ter uma sala com número reduzido de alunos para garantir o debate, etc, etc, etc... Eu, naturalmente, acreditei. E agora nao podia evitar meu mau humor. Pigmaleao, Pigmaleao. Da-lhe, Marcelo, um sorriso...

A aula, introdutória, transcorreu sem muitas novidades. Temas conhecidos, apresentacoes, enfim, o velho roteiro de sempre. Para completar o pacote, o professor decidiu que este semestre faremos trabalhos em grupo... E eu buscando descifrar nos rostos desconhecidos algo que me permitisse respirar um pouco mais tranquilo. Em vao... Enfim, pensando positivamente, eu realmente preciso desenvolver minhas habilidades para trabalhar em grupo... Fundamental nos dias de hoje... Sim, eu acredito nisso. Se repetir mais algumas vezes, vou terminar acreditando.

O professor também demorou a voltar do intervalo. E o carinha da xerox nao estava lá quando supostamente devia estar. Mas tampouco estavam os textos... Tudo imaginado para proporcionar alguns momentos de socializacao, é claro... Nao preciso dizer como me saio nestas horas... Por que insito em perguntar como se chamam se segundos depois já nao me lembro? Foi necessário esforcar-me durante a segunda hora para fixar que a menina dentuca se chama F. e que o menino do interior se chama I.. Como se chama a equatoriana? E a brasileira? Enfim, nao se pode ter tudo ao mesmo tempo...

Pelo menos, acabou mais cedo e o ônibus passou rápido. Vi que em quarenta minutos posso estar em casa. E que a uma hora e meia que sobra antes da meia-noite é suficiente para cozinhar algo decente e dormir tranquilo...

Foi o primeiro dia. O primeiro de longos nove meses. Mas, tenho cá para mim, que vai valer a pena. E se eu repetir isso mil vezes, vou acabar acreditando. Sei que vou.

 

Enquanto isso, eu a via transformar-se em minha Galatéia. E acordei com sua resposta a uma mensagem que eu havia enviado. O que é delírio? me perguntou. Nao sei. Mas é bom. Deliremos?

Vontade de encontrá-la...

lunes, 5 de marzo de 2007

Galatea

Ontem, quando a noite já ia tarde, havendo comido e com sono, realizava algumas últimas alterações em um documento que havia estado esperando todo o fim de semana. Completando pequenos buracos de informação que havia recolhido anteriormente, ajustando uma ou outra citação, enfim. Foi então que me deparei com uma solicitação nova: deveria agregar, ao pé de página, uma nota sobre o efeito Pigmaleão e as profecias auto-cumpridas. Achei graça, mas, já com sono, respondi que deixaria para hoje de manhã. E foi assim que minha manhã começou com Wikipédia e um pouco de mitologia grega...

 

Pigmalión es según la mitología griega un rey de Chipre que además de ser sacerdote, era también un magnífico escultor. Su obra superaba en habilidad incluso a la de Dédalo, el célebre constructor del Laberinto. Se destacó siempre por su bondad y sabiduría a la hora de gobernar.


Durante mucho tiempo Pigmalión había buscado una esposa cuya belleza correspondiera con su idea de la mujer perfecta. Al fin decidió que no se casaría y dedicaría todo su tiempo y el amor que sentía dentro de sí a la creación de las más hermosas estatuas.

Así, realizó la estatua de una joven, a la que llamó Galatea, tan perfecta y tan hermosa que se enamoró de ella perdidamente. Soñó que la estatua cobraba vida.

Ovidiodice así sobre el mito en el libro X de Las metamorfosis: «Pigmalión se dirigió a la estatua y, al tocarla, le pareció que estaba caliente, que el marfil se ablandaba y que, deponiendo su dureza, cedía a los dedos suavemente, como la cera del monte Himeto se ablanda a los rayos del sol y se deja manejar con los dedos, tomando varias figuras y haciéndose más dócil y blanda con el manejo. Al verlo, Pigmalión se llena de un gran gozo mezclado de temor, creyendo que se engañaba. Volvió a tocar la estatua otra vez, y se cercioró de que era un cuerpo flexible y que las venas daban sus pulsaciones al explorarlas con los dedos.»

Cuando despertó en lugar de la estatua se hallaba Afrodita, que le dijo "Mereces la felicidad, una felicidad que tú mismo has plasmado. Aquí tienes a la reina que has buscado. Ámala y defiéndela del mal". De esa forma Galatea se transformó en una mujer real.

Moraleja: Mantengamos las más altas ilusiones en aquellos con quienes convivimos; si sinceramente creemos en sus posibilidades, las veremos cumplidas.

 

viernes, 2 de marzo de 2007

Eu prefiro as putas

Sabe, eu sei que pode parecer chocante, mas eu prefiro as putas. Nao, nao me refiro a estas que andam pelas ruas, que enchem as páginas de catálogos (ou books, se você prefere os eufemismos) em hotéis n-estrelas ou as colunas dos classificados (embora deva confessar que estas provavelmente tenham mais coisas que me interessam que as puritanas que habitam os círculos da cultivated society...)

Ah, uma mulher, para ser digna desse título, tem que ter algo de puta. Tem que ter um olhar, tem que poder - oops - se esbarrar em você quase sem querer, tem que deixar que você veja algo que - ai - nao deveria... Tem que provocar, que aticar... Tem que ter desejo.

Ah, uma mulher, uma mulher de verdade, tem que ter sede, vontade de morder, de apertar, de engolir... Com os olhos. Discretamente e faminta. Faminta, mas calma, meticulosa. Enquanto sorri aos olhos dos demais comentando alguma coisa insignificante sobre a comida, sobre o tempo, sobre a vida chata e comum das pessoas chatas e comuns... The perfect bitch...

Sinceramente, eu prefiro as putas, as despudoradas, as que nao têm vergonha de dizer que adoram ter prazer, que adoram seduzir, que adoram ser olhadas, desejadas, possuídas... ao mesmo tempo em que têm a mais absoluta certeza que, de qualquer maneira, sao elas que possuem...

Ah... eu prefiro as putas como eu prefiro a vida. Ou talvez deva dizer que prefiro as putas porque prefiro a vida. A vida que também te olha, com o canto dos olhos, furtivamente, prometendo-se. Apenas se... Um passo mais. Você se arrisca?

Ah, meus caros, as putas... as putas... Sao as melhores.

 

Pd: alguém aí passou pela experiência da piranha no banheiro? hahahaha. Eu recomendo. Mas essa já é outra história. Hoje o papo é um pouco mais metafísico...

jueves, 1 de marzo de 2007

De retour!

A febre, por fim, passou. Também a dor. A garganta ainda está inflamada, mas já posso comer e me sinto muito, muito melhor. Foram dias de muitas camisetas completamente encharcadas, de muita dor de cabeça, também de um pouco de tristeza e solidão. Dias de mau humor - mais que o normal. Mas, pelo menos por enquanto, dias que parecem ter ficado para trás. Destes momentos, ficarão a lembrança do carinho de pessoas que quiseram cuidar de mim (Lauras, Lili, Pedro...), a ajuda de um amigo com quem sei que sempre poderei contar (Daro), os desejos de melhora que vieram de longe (Theys, Nane, Giu, Pato...), as horas redentoras da companhia daquela com quem a conversa nunca se esgota (Agus) e umas tantas fotos resultantes das minhas horas de febre mais delirante... Algumas delas podem ser vistas no álbum ao lado. E, claro, a constante companhia do Haroldo...

Agora, de volta à rotina. Porque há muita coisa à minha espera.

 

Ps. uma das coisas é o Imposto de Renda... Alguém pode me ajudar com isso???