viernes, 23 de marzo de 2007

Ela passeia pelas ruas

Ela passeia pelas ruas. Nao se sabe se foge ou se busca aproximar-se. De quê? Nao se sabe. Ela simplesmente vai migrando. E vai deixando atrás de si pedacos seus que já nao lhe servem. Despojando-se de si mesma. Depurando-se, reduzindo-se. Até chegar ao essencial. Ou até desaparecer.

 

O que vem antes do comeco? Nao sei se ela sabe. Eu tampouco sei. Só sei que ela vai migrando pelas ruas e dói vê-la dobrar cada esquina sabendo que nao pretende olhar para trás. Mas calo. Porque acredito que, de alguma forma, sempre acabamos voltando a algumas ruas. E porque algo meu segue com ela. E que talvez, quando eu dobre aquela esquina, ela estará vindo na direcao contrária.

 

(De tanto olhar para a roda, ela decidiu rodar. Mas a da bicleta gira sobre um mesmo eixo e, para seguir adiante, precisa aderir-se à dureza do chao.)

 

 

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