martes, 6 de marzo de 2007

Pollyanna revisited = Pigmaleao

Primeiro dia de aula. Havia uma recepcao de boas-vindas marcada para as 18h30. Às 18h15 eu ainda estava esperando o metrô... Desci na estacao Juramento uns quinze minutos depois e percorri, apressado, os oito quarteiroes que marcam a distância até a faculdade. Deviam faltar uns dez minutos para as sete horas quando cheguei, transpirando (sim, após alguns dias de frio, voltou a fazer calor em Buenos Aires). No salao de usos múltiplos, um coletivo de rostos desconhecidos... Uma mesa com alguma coisa para beliscar, garrafas térmicas cheias de café, garrafas vazias de Coca. "Excelente", pensei, "primeiro dia e eles já estao atrasados... E nem para calcular bem a quantidade de coca-cola gelada em um dia de calor..." Pé esquerdo. Mas eu havia lido o conto de Pigmaleao durante o dia, em várias versoes distintas, e decidi fingir que nao estava incomodado. Aproveitei o atraso para ir ao banheiro e me recompor, afinal, nao precisava de testa brilhando para completar o visual, que já contava com uma bendita e enorme espinha que decidiu sair abaixo do nariz justamente naquela manha... Voltei ao salao e instantes depois o coordenador do curso, recém designado, diria uma meia dúzia de palavras... Ele seria também o professor que me daria a aula logo mais.

Na sala, surpreendi-me com a quantidade de alunos. 35. Lembro-me bem de ter perguntado na entrevista quantos alunos eram admitidos e a quantidade de alunos em sala de aula - algo fundamental, na minha opiniao. "25, no máximo" foi a resposta, seguida de um belo discurso sobre a importância de ter uma sala com número reduzido de alunos para garantir o debate, etc, etc, etc... Eu, naturalmente, acreditei. E agora nao podia evitar meu mau humor. Pigmaleao, Pigmaleao. Da-lhe, Marcelo, um sorriso...

A aula, introdutória, transcorreu sem muitas novidades. Temas conhecidos, apresentacoes, enfim, o velho roteiro de sempre. Para completar o pacote, o professor decidiu que este semestre faremos trabalhos em grupo... E eu buscando descifrar nos rostos desconhecidos algo que me permitisse respirar um pouco mais tranquilo. Em vao... Enfim, pensando positivamente, eu realmente preciso desenvolver minhas habilidades para trabalhar em grupo... Fundamental nos dias de hoje... Sim, eu acredito nisso. Se repetir mais algumas vezes, vou terminar acreditando.

O professor também demorou a voltar do intervalo. E o carinha da xerox nao estava lá quando supostamente devia estar. Mas tampouco estavam os textos... Tudo imaginado para proporcionar alguns momentos de socializacao, é claro... Nao preciso dizer como me saio nestas horas... Por que insito em perguntar como se chamam se segundos depois já nao me lembro? Foi necessário esforcar-me durante a segunda hora para fixar que a menina dentuca se chama F. e que o menino do interior se chama I.. Como se chama a equatoriana? E a brasileira? Enfim, nao se pode ter tudo ao mesmo tempo...

Pelo menos, acabou mais cedo e o ônibus passou rápido. Vi que em quarenta minutos posso estar em casa. E que a uma hora e meia que sobra antes da meia-noite é suficiente para cozinhar algo decente e dormir tranquilo...

Foi o primeiro dia. O primeiro de longos nove meses. Mas, tenho cá para mim, que vai valer a pena. E se eu repetir isso mil vezes, vou acabar acreditando. Sei que vou.

 

Enquanto isso, eu a via transformar-se em minha Galatéia. E acordei com sua resposta a uma mensagem que eu havia enviado. O que é delírio? me perguntou. Nao sei. Mas é bom. Deliremos?

Vontade de encontrá-la...

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