miércoles, 29 de noviembre de 2006

Quebrando paradigmas


Pois, entao. É claro que eu estava surtando. Para piorar tudo, final de semestre, fim de semana chegando. Seis resenhas para entregar. E eu – ai, ai – lendo García Canclini... Um saco... Caríssimos, todos sabemos que eu adoro estudos culturais. Adoro essa coisa de discurso, construcao, hegemonia, etc, etc. Realmente, curto isso. E vivo isso. Talvez alguns estejam pensando: bullshit... Mas falo sério. Sou um liberal de esquerda. Too much leftist, indeed, in Mariani´s opinion. Mas realmente acredito nessas coisas e vivo em uma eterna utopia...


Mas o ponto é: é claro que eu estava surtando. E já nao podia continuar lendo. Já nao queria ler. Pelo menos, nao aquilo. Nem queria escrever. Por mais que tivesse as idéias claras, soubesse como comecar, desenvolver e concluir. Talvez, exatamente por isso. Eu nao queria escrever. Nao sobre aquilo. Nao naquele momento.


E o peso das regras, dos prazos... Internamente, eu só pensava: se, no fim das contas, faco isso para mim... Por que essa culpa? E por que essa cobranca?


Eu estava surtando. Ficando azul e morrendo, sem ar.


Nao queria ligar o computador. Seria abrir as possibilidades para a escrita. E eu nao queria escrever. Nao podia escrever. E nao queria fugir.


Foi entao que liguei para ela. Mas e se ela estiver com o namorado? E se ela estiver estudando? E se ela nao puder sair? E, se puder sair, devo realmente falar tudo o que penso? O que falar? Ligo?


Ela atende. Nao havia visto minha mensagem. Concedo o benefício da dúvida. Tomamos uma cerveja? Dale. Dale. Simples.


Um pouco de ar.


Banho rápido. Qualquer roupa – hum... essa calca jeans precisa ser lavada... Cabelo molhado, ouvindo música – Almost Famous – pela ampla avenida até a estacao de metrô. O trem demora. Vagao cheio às 21h40. Atravesso o parque, chego à sua porta. Bato a campainha, mas acho qeu está quebrada. Jessi? Ela sai. Vamos comer.


Ar, ar, ar, ar...


Como é bom respirar. Como é bom conversar. Como é bom poder dizer o que se sente, o que se pensa, sem ter que medir palavras... Como é bom interessar-se pelo que a outra pessoa te conta e sentir-se ouvido, independetemente do assunto.


Agradabilíssimas horas. O mundo continua girando. Nao há por que surtar. Sim, eu sou normal. E ela também é normal. Nao estamos fechados ao mundo. E nem o mundo se acabou. Apenas uma questao e sintonia. De escolhas. E de afinidades.


Volto à casa aliviado, feliz. No MP3, Fito Páez. E nem dá vontade de mudar.


Acordo hoje atrasado. Banho, café e rua.


Muito mais tranquilo.


Fodam-se os pseudo estudos culturais.


Vou acabar de ler Malinowski. E, depois, Tristes Trópicos. E vou abandonar essa merda logo.


Se é pra ralar, que seja com Economia. E a esquerdar continuará sendo um deleite, nao um sacrifício. Eterno diletante. Eterna poesia.


 


Qual o problema de abandonar alguma coisa pela metade? Primeiro, a monografia. Agora, isso. E virao outras. A vida é feita de tentativas e erros. E descobertas... Sempre.

martes, 28 de noviembre de 2006

Tentando me encontrar

Antes de trocar de roupa e ir para o trabalho, deixo aqui algumas linhas.

Tentando me encontrar...

Achei engraçado quando outro dia me confiaram, quase como fofoca, a opinião que duas pessoas que admiro têm sobre mim.

"Pensávamos que o Marcelo era uma alma em transição. Mas vimos que é fraco."

Achei engraçado. Gostei. Não sei se concordo, mas gostei. E acho que tem bastante de verdadeiro.

O contexto é importante. A transição estaria marcada pelo abandono deste universo REL/Brasília/UNESCO/ricos e famosos - que não é bem verdade - em troca de uma vida Antropologia/Buenos Aires/sobrevivente... Ao anunciar minha intenção de mudar da Antropologia (e da FLACSO) para políticas públicas (na Di Tella), ao constatar minha preocupação em não apenas compreender, mas, também e sobretudo, ganhar dinheiro (sim, meus caro, adoraria ser rico, bem rico), meus admirados colegas teriam chegado à conclusão de que eu fracassei. Mais uma vez, eu tive um futuro brilhante.

Queria poder conversar sobre isso. Conversar com elas. Ouvir delas.

Como sempre, preciso de alguém que me jogue na cara possíveis verdades que talvez eu queira evitar.

Ainda que neste caso, lá dentro, sinto que não fracassei.

Porque ainda sou pura poesia.

(E não há quem me convença sobre a superioridade dos acadêmicos que adquirem prestígio graças à desgraça alheia - cientificamente estudada com o olhar superior do analista...)

Não sou hipócrita a ponto de dizer que me considero igual a todos os outros. Mas, cá entre nós, somos todos a mesma merda.

Só que eu sei que quero ajudar. E que quero fazer o bem.

Não porque sou bonzinho (Bewahr mich Gott).

Mas porque preciso disso para suportar a vida. Para dar algum sentido àquilo que não tem nenhum.

Vou ali colocar minha roupa de fracassado. Terno e gravata. Combinando, naturalmente.

 

Ps: Júlia, saudades de você. E adoro seu namorado...

 

lunes, 27 de noviembre de 2006

Bruta fuerza del vivir


Segunda-feira... Ai, ai... Mais uma segunda-feira. Nao dormi bem hoje. Nao sei se é minha insônia que ameaca voltar ou se é apenas consequencia dos horarios trocados... Sabem como é... No fim de semana, a gente troca o dia pela noite. Pensando bem, nem foi tanto assi. Ontem, levantei-me cedo e nao dormi durante o dia. Tampouco estudei – para arrepender-me depois. Por outro lado, descobri que, sim, posso tocar algumas músicas da Alanis no violao...


Foi um domingo agradável. Clima instável em Buenos Aires. As nuvens se juntam no céu, ameacam chover. E, depois, vem o vento e as espalha, como um cao que brinca com o monte de folhas recolhidas da calcada. Teimosas, elas voltam a reunir-se e a espalhar-se, em uma constante disputa por chegar ao chao.


Chegar ao chao. No fundo, será o que todos queremos. O delírio da queda rumo à realidade. Dura e sólida. Tátil.


Havíamos combinado de ir ao teatro. Fuerza Bruta. Espetáculo semelhante – mas inferior, é necessário dizer – ao De La Guarda. Inevitável recordar que há dois anos assisti a este, levado pela Laura. Em uma época em que ainda respirávamos poesia. Até ela ficar azul e morrer. E eu? Acho que emergi em púrpura. O acordo era nos encontrarmos todos às 18hs na Plaza Francia. Nao sabia muito bem quem era todos. Certamente, Bola e Sebas. Talvez os franceses e os italianos (eu rezava para que nao), os brasileiros que visitam o Bola, enfim. Saí de casa às cinco. Caminhando por Rodriguez Peña e depois por outras ruas estreitas (evitei as avenidas), escutando música, sem pressa, sem nada. Sentindo um pouco o vento mais ou menos frio, uma ou outra gota de água que caía do céu. Primavera... April, April, April, der weiss nicht was er will... Aqui é em novembro – um setembro atrasado.


Caminhar descompromissado pela feira da Recoleta. Mais vazia, devido ao tempo nao muito convidativo. Passando em frente ao Cemitério e, logo, à Igreja, ensaio o sinal da Cruz. Engracado. Mas nao tenho buscado muitas explicacoes... Olho para o relógio. Há tempo. E me atrevo a um passeio pelo Centro Cultural. Esculturas de Tonny Cragg que desafiam a gravidade. Tem uma que parece um cocô, mas é linda. Pesados pedacos de mármore ou bronze pendentes, encostados, como em um Dali. E que nunca caem. Poucos pontos de apoio. Um insólito levitar. Também alguns desenhos. Eu gosto. Acho divertido e bonito. Descubro que ele morou muito tempo – ainda morará? – em Wuppertal. Lembro do Schwebebahn e também de uma praca... Como se chama? Aquele rosto partido no chao... Linda escultura... Será dele? Já nao lembro se era algum escritor ou se era Marx... Acho que era Günther Grass... Continuo caminhando. Já nao há tanto tempo, mas dou de ombros. Eles sempre se atrasam. Vejo algumas telas mais, algumas fotos, ilustracoes, vídeos, quadrinhos, lencóis... Eu compraria alguns...


Chego à Plaza Francia. Cruzo ao Café Modena. E lá estao Sebas, Clari, Nicolás e Felipe. Depois chega o Bola e outros. Cruzamos rumo à Faculdade de Direito. Atrás é o parque de exposicoes.


O espetáculo comeca. Um homem corre. Corre. Atiram e continua correndo. As pessoas que se cruzam indiferentes. Olhares que se cruzam e se seguem. O tocar-se sem intimidade de uma rua na qual cada um segue sua trajetória individual. O esforco para que tudo continue fazendo sentido. E a tormenta. Sílfides que dancam sobre a água, vertical. A tentativa va do encontro. A impossibilidade de comunicar-se, quando apenas um plano parece separar-nos. Água. A tormenta. E lembrar-se entao o gozo de jogar-se contra a água, de brincar como crianca, de sentir o líquido correr pelo corpo, fluir como se gravidade nao houvesse. Empuxo. E jogar-se.


Bom, muito bom. Talvez seja um pouco o que eu busco, ultimamente.


Depois, já molhado, buscar algum lugar onde tomar uma cerveja. Praticar o contato, diria uma amiga minha... Deixar o tempo passar um pouco.


Volto caminhando para casa. Música. Sempre música. De volta o vento, já nas amplas avenidas. E as nuvens que continuam sua eterna luta por cair. Por jogar-se e ganhar os homens. Ganhar a terra. Fecundar o chao.


 


Depois, a insônia.


 

domingo, 26 de noviembre de 2006

Não há bem que sempre dure...

Nem mal que nunca acabe. Já diziam na minha sábia terra.

Pois bem, minhas últimas visitas foram embora... E Miss Perfection (and mother!!!) se muda ainda esta semana. A vida, sempre tendendo ao equilíbrio...

Hoje tem Fuerza Bruta, com Bola e cia. Bom. Muito bom.

viernes, 24 de noviembre de 2006

Don´t wish me a Merry Christmas!

Sim, eu sou um ranzinza, amargo, mal-humorado. Também sou implicante e cada vez mais difícil de conviver. Aliás, ontem o darío fez questao de me lembrar isso várias vezes, entre uma e outra cerveja... Quem mandou ter amigos que só te dizem a verdade? Fazer o quê? Simplesmente, nao suporto pessoas que levantam felizes, dao bom dia ao sol, aos pássaros, à vida, se olham no espelho e dizem: eu te amo, te encontram fazendo café e soltam comentários do tipo: nao é um lindo dia hoje? Talvez eu tenha herdado isso da minha mae, o estereótipo do mau humor matutino. Em sa (cadê o til, porra?) consciência, ninguém se atreveria a dirigir a palavra à minha mae enquanto ela realiza o trajeto cama-banheiro-cozinha. Só depois de tomar café, fumar um cigarro, respirar tranquila algumas vezes, é que ela se torna um ser minimamente tratável. Antes disso, bem, é como eu na maior parte do tempo...

Na verdade, nao sou assim tao insuportável. Adoro piadas, sou super pateta e nada me deixa mais feliz do que falar merda em boa companhia. Depois de duas tacas de vinho, entao, sou incontrolável. Há, inclusive, provas materiais dos vários vexames públicos protagonizados por este que vos escreve. E cada um de meus amigos tem um extenso arquivo que, seguramente, será de muita utilidade se algum dia eu tiver um futuro brilhante (o que, ultimamente, tem muito pouca importância...).

Eis que me levanto esta manha, no meu estado natural de benevolência (nula), quando tive aquela visao. Analizando retrospectivamente, acho que me detive, pelo menos, dois ou três minutos tentando entender, imóvel diante daquela figura, transtornado por tal realidade.

Nao é novidade que Miss Perfection está deixando a casa (sim, tive que me controlar para nao colocar um pronome possessivo na primeira pessoa antes do último substantivo). Mais precisamente, até sexta-feira próxima, espera-se (pelo menos, eu espero) que ela tenha realizado sua mudanca à casa do candidato a Mr Perfection. Confesso que tal perspectiva nao me desagrada, em absoluto. Permite-me, inclusive, tentar reestabelecer alguma (mínima) base de convivência social. "Como vai?", "Tudo bem?", "Quer tomar sopa?", "Como andam as coisas na faculdade?" sao frases que se podiam escutar ontem à noite entre Miss Perfection e eu. Estamos avancando, pensei. Com sorte, conseguiria apagar qualquer tipo de ressentimento até o dia de sua partida e, quem sabe, nutrir uma saudade, algo de nostalgia obviamente irracional, que me confortaria quando, anos mais tarde, me pusesse a recordar os primeiros dias da minha volta a Buenos Aires.

Pois bem... Caminhava eu pela casa abandonada - Miss Perfection deve ter ido para a casa do futuro Mr. Perfection ou entao passeia com seus pais, recém-chegados de Perfectionland - preocupado com coisas banais: trocar a areia do Haroldo, lavar a louca, tirar me roupa do varal, acabar o capítulo do Malinowsky, nao perder a hora para o trabalho, quando, subitamente, vi, sobre a estante de livros que fica na sala, aquele objeto.

Aproximados vinte centímetros de altura, formado por duas madeiras pintadas de verde escuro, de formato triangular, que se cortavam/encaixavam pelo centro, dividindo-se assim em quatro semiplanos perpendiculares. Embora auto-sustentáveis, apoiavam-se sobre uma estreita base cilíndrica, que dava ao conjunto a impressao de que flutuava no ar. Em cada semiplano, uma série de perfuracoes me diâmetro considerável criavam vaos circulares dos quais pendiam bibelôs os mais diversos: cubos e esferas coloridos, miniaturas de animais e humanos, sempre sorridentes... Sim, sobre a estante de livros da sala, acima daquele depósito (inútil, é verdade) de conhecimento acadêmico, Miss Perfection, em um derradeiro átimo de sua presenca naquela casa, havia colocado nada menos que uma pequena e singela árvore de Natal. "Feliz Navidad", se podia ler. Feliz Navidad.

Atônito - nao poderia haver outra palavra para descrever meu estado. Perdido entre o riso e o desalento...

Um dia antes, presenciara uma situacao similar. Na cozinha do Ministério, entre restos de frango e xícaras sujas de café, uma minúscula árvore de festao verde, salpicada com alguma gosma branca, recordava-me o imperativo de, nos próximos trinta dias, ser bom, tolerante, piedoso, etc, etc, etc. De guardar meu mau humor no fundo do ármario e vestir o feliz dominó do bem-aventurado. Dei de ombros, naturalmente.

E, entao, aquilo. Dentro de minha casa (nao pude evitar o possessivo), em plena manha, como um post-it na tela do computador ou um recado no alarme do celular, aquele lembrete. De que é Natal. E que é preciso perdoar.

Ok, I give in. Mesmo porque o Darío, como sempre, tem razao...

jueves, 23 de noviembre de 2006

Deu pane no português!!!

Meus caros, tenho que admitir, chegou ao inadmissível.

No comeco, eram os tils e alguns acentos que faltavam. Culpa do teclado argentino... Depois, uma crase que sobrava, um por que trocado por um porque, uma preposicao que nao cabia, enfim, miudezas, distracoes, lapsos... Pelo menos, era assim que eu procurava justificar algo que nao mereceria outro nome senao erro. Erros, no plural.

Mas a obscenidade chegou ao intolerável. E nem precisou que a Krishna me apontasse o dedo: eu mesmo tive que presenciar a fatal cena. Publicamente, diante dos olhos de todos, escrevi: fui mal. Sim, poderia ter tentado corrigir: foi mal. Mas a verdade é que nao era essa minha intencao. Eu errei mesmo. Grotescamente. Troquei mau por mal. Depois dessa, escrever fasso ou deicho parece piada. E nao tenho certeza de que esteja muito longe deste ponto.

Estarei eu encaminhando-me à grafia dos miguxos cibernéticos? O pior é que penso que meus dons jamais alcancarao tamanha complexidade. Estarei condenado à torpeza dos erros vis e vexatórios. À mediocridade dos corregidos, degrais ou irmoes...

Frente a este quadro desalentador, considero fortemente a possibilidade de fazer uma rápida incursao a Puerto Madeiro e jogar-me da ponte fálica... Seria uma morte digna.

Mas, como sou covarde, acho que vou encomendar uns bons livros de literatura, uma gramática, um dicionário e um manual de redacao e estilo. Porque está difícil fazer a manutencao do sistema em terras portenhas. E eu tenho vergonha na cara.

Amo todos vocês.

Beijos.

miércoles, 22 de noviembre de 2006

A ciencia da podridao e outras coisas


Tá, eu sei que nao devia falar sobre esse tipo de coisa aqui... Imaginem o dia em me torne um homem público importante (importante, pois públicos somos todos... bem, talvez eu quisesse ser um pouquinho mais... mas, neste caso, acho que seria rodado, nao público, a palavra mais adequada... mas estou perdendo o fio) e decidam usar essas coisas contra mim... Mas, enfim, quem nao deve nao teme. E é fato público e notório – pelo menos entre as pessoas que convivem minimamente comigo – que eu, simplesmente, nao sei segurar pum (ou peido, se preferem). Nao consigo e ponto. Nunca aprendi. Nao sei fazer. E nem me parece normal tentar. Convenhamos: todos peidamos. E o peido é também uma maneira de (re)conhecer o próximo.


Com a Caju, por exemplo, outro dia conversávamos sobre isso. Que amigo pode se considerar verdadeiro digno desse nome se nao é capaz de identificar seu contraparte pelo cheiro do peido? Nenhum, meus caros, nenhum. Aliás, com nada mais que o olfato, o verdadeiro amigo percebe se você anda comendo bem, se encheu a cara ontem ou se você precisa, definitvamente, procurar um médico.


Pois bem, dito isto, devo confessar que, atualmente, creio que surpreenderia mesmo os meus melhores amigos – incluindo a Caju, cujos dons olfativos superam minha compreensao, e o Darío, cuja cumplicidade em momento bostísticos é realmente assombrosa... O fato é: eu ando fugindo do meu próprio pum. E o pior: acho que conheco o motivo de tamanha mudanca.


A grande vila? The Coca Cola Company. Sim, meus caros!!! A Coca Cola deve estar fazendo isso comigo.


Tudo comecou na sexta-feira passada. Como de praxe, convidei uns amigos para jantar em casa. Lasanha em homenagem à comitiva brasileira que passava por Buenos Aires. Enchi a geladeira de cerveja, comprei uma garrafa de vodka e, para nao pesar a consciencia, comprei duas garrafas de 2,25 litros (sim, isso é medida aqui na Argentina) de refrigerante. Uma Coca e um Sprite. Naturalmente, a noite correu como devia, sem que qualquer pessoa sequer tocasse as garrafas de bebidas nao-alcóolicas (por sorte, também a vodka permaneceu intacta – trouxeram outras tantas garrafas de vinho e ficamos só nos fermentados mesmo...). Daí surgiu o meu dilema...


Nunca fui de tomar refrigerante. Nao gosto e dá gases (we´re getting to the point). Mas, criado que fui na ética de Dona Sarah, nao suporto a idéia de comprar algo e nao consumir... Me vi com aquelas duas garrafas na geladeira. Pensei: ok, o Sprite pode esperar pacientemente até a abertura da vodka. Afinal, Sprite com vodka connects people. Mas o que fazer com os 2,25 litros de Coca Cola. Tsssssssssssssssss. E os abri. Desde entao, ou desde o domingo, para ser mais exato, tomo um ou dois copos de Coca durante o dia. E o efeito é imediato. Puns insuportavelmente fétidos, que se projetam com incrível forca cu afora, com uma ânsia incontrolável de ganhar o mundo. Expandem-se rapidamente, provocando pavor e desespero em minha pessoa e semeando a discórdia entre os que me cercam. Constrangedor, é tudo o que posso dizer.


Ainda falta pouco menos da metade da garrafa. E fico pensando se resistirei até lá. Tenho considerado fortemente a alternativa de processar The Coca Cola Company por danos gastro-instestinais, materiais, morais e sociais.


Mas, meu maior medo: quando este pesadelo acabar, voltarei ao meu cheirinho habitual de antes? Temo que meus amigos nao suportariam tamanha perda...



 


 


Mudando de assunto, adorei um bafón que publicaram no La Nación de ontem. Este é um dos jornais mais lidos aqui na Argentina. Tem uma linha editorial bem conservadora, de direita, com forte influência católica. E eis que uma das colunas de opiniao de página inteira de ontem se referia ao grande tópico do atual do parlamento italiano. Como eu sou péssimo com nomes, o relato ficará bem menos interessante, mas vamos lá.


Como é de conhecimento geral, o Parlamento italiano sempre arrasa – como tudo naquele país, desde a máfia até Versace. Pois bem, depois da Cicciolina, elegeram ano passado a primeira trava a ocupar um assento na câmara representativa no mundo. A mídia diz que ela é trans, mas, técnicamente, é trava mesmo – e nao parece demonstrar a mínima intencao de tirar o bilau. A D O R O. Pois bem, provavelmente em um dia de discussoes acalouradas, a deputada deve ter exagerado na água e teve que ir ao banheiro. Feminino, naturalmente. Quem estava por aquelas bandas? Nada (nada mesmo, porque essa criatura com certeza nao é gente) menos que a neta do Mussolini. Sim, na Itália, diferentemente da Alemanha, essas figuras nao apenas sobrevivem, como ainda podem ter carreira política... A facista querida, criada na melhor das tradicoes, naturalmente, sentiu-se ofendidíssima pela presenca da colega boneca. Nas palavras dela, sentiu-se agredida sexualmente. Deve ter sido alguma coisa meio Cocoon (se escreve assim), porque, pelo menos segundo nos consta, nao houve qualquer contato físico entre as duas (para a sorte da nossa colega trava – porque podridao pega...). Resultado: bafafonds forte no parlamento... E o La Nación cobrindo, com página inteira. A D O R O.


Mas adoro mesmo é um outro deputado, La Russa. Perguntado sobre o que achava da situacao, ele disse: se fosse a Sra. Mussolini, estaria mais preocupado com a outra deputada (nao me lembro o nome, merda), que é lésbica. Arrasa!


Como resolver? Pensaram criar uma terceira categoria de banheiro. Hum... qual seria a plaquinha na porta? Mandem suas propostas.


Taí o link para nao acharem que to mentindo: http://www.lanacion.com.ar/860630.



 


 


Piadinhas a parte, hoje seria aniversário do meu tio Nicola. Uma tristeza fina corta o dia. Saudades do meu companheiro de xadrez. Mais pai que o meu próprio... Saudades.


 


Saudades também da Jade. 28 anos ontem. E eu ainda nao fui visitá-la na fazenda... What a shame...

lunes, 20 de noviembre de 2006

Balanco da semana




  • Baladas fortes: 5 (Mint, Cream, After-Cream, Museum, Club 69)


  • Saidinhas leves: 5 (Sebas, La Cigale, minha casa, Romario “para llevar”, San Telmo no domingo, pós Caju)


  • Dias úteis: 3 (atestado báááásico na quinta e na sexta).


  • Dias inúteis: 4 (domingo pós Cream, sexta, sábado e mais um domingo – já pós Caju).


  • Caixas de antigripal: 2 (e hoje compro a terceira – valha-me Tabcin)


  • Xícaras de chá: várias. Nos piores momentos, com muito mel e limao.

Mais, um romance lido, alguns capítulos de Malinowski, mais um livro novo, várias palas, algum desentendimento, e-mails apra minhas irmas, muitas alegrias. Dois foras... Kkkk. Loser! E outras tantas coisas que nao dá para enumerar aqui...


Mas, definitivamente, o saldo é positivo – com muita folga.


E que importa se, depois de tudo, bate aquela tristeza? Se, no fundo, insiste aquela dorzinha de se sentir só?


Sao coisas independentes. Obedecem a lógicas distintas. Compartilham o mesmo eu. E nem se anulam, nem se complementam. Simpleste, sao. Este mosaico dinâmico de caquinhos juntados ao longo do caminho. Em uma eterna entropia cada vez mais profusa de sentimentos sem sentido certo, preciso. Sem muros, paredes. Nem sonhando, nem pensando: sem entender, sem distinguir entre o conhecido e o por conhecer.


Palavras claras? Diretas? Demandas expressas em setencas unívocas. Nunca as terei. Se um dia as tive, é porque perdido estava. Hoje, continuo perdido. Mas certo de que é este o caminho. Algum caminho. E que nao sei bem que caminho é.


Um pouco mais adiante. Cada dia, um pouco mais. Sempre. Até topar-me com uma pedra. Ou um abismo. Ou o fim – que é sempre um novo comeco.


Poderia dizer que é a febre. Ou o Tabcin. Ou nada.


Na verdade, sou apenas eu. Sem razao. Poesia descomposta. De um poeta sem musa, mas, ainda assim, apaixonado pela vida.


 


A visita da Caju vai deixar saudades. Mas, mais do que isso, deixa um gosto bom de sentir que, nao importa o que passe, os amigos sempre ficam. E que algumas pessoas sao, simplesmente, especiais.


Saudades também da época quando, para todas as outras coisas, existia Mastercard... Ai, ai...

jueves, 16 de noviembre de 2006

Jaca pouca é bobagem

Estou seriamente preocupado. Li no Clarín ontem, matando um pouco do meu tempo ocioso enquanto esperava que me concedessem uma bendita reuniao, que, por volta das 15hs daqui, o messenger comecou a dar pau em todo o país. Em tom sério, o jornalista advertia que, embora foie possível conectar-se, já nao se podiam enviar mensagens instantâneas. Pânico, naturalmente.


A nota nao parava por aí. Fontes oficiais da Microsoft informavam que o problema se devia à uma atividade de manutencao previamente programada na regiao. Supostamente, tudo sob controle, portanto. Mas o jornalista-ivestigador desconfiou. Fucou aqui, fucou ali e gracas aos seus informantes internacionais (cujas identidades sao mantidas em sigilo conforme a ética profissional) descobriu que em parte da Europa, Estados Unidos, Ásia, quem sabe, o essencial aplicativo tampouco funcionava.


Confesso que tive algum receio. Nao sou muito fa de contatos virtuais e nao gosto muito de bate-papos. Na realidade, é muito exclusivo o grupo de pessoas com quem me comunico por este meio e, faltando o messenger, haveria outros meios. Mas pensava no impacto que uma eventual pane no sistema poderia provocar em minha vida. Por exemplo, perder a lista de todos os meus contatos... Isso me aconteceu uma vez quando roubaram um antigo notebook meu (junto com todos os milhares de músicas dentro dele, para meu pesar)... Nao sou muito sistemático com essas coisas, mas várias vezes a agenda de contatos do hotmail me salvou da negligência ou do esquecimento... Talvez eu me compraria um caderninho desses bonitinhos e voltaria a escrever, primeiramente em horrível letra, depois com uma caligrafia remediada, as referências de meus contatos mais importantes... Obviamente, a cada cinco ou dez anos teria que passar tudo a limpo. Fazer o quê?


Na verdade, essa nao foi uma preocupacao muito grande. Mas nao posso mentir: desde entao, estou pensando seriamente em guardar todos os meus textos do blog em um lugar um pouco menos virtual. Nao: nao me preocupo com o futuro da literatura mundial. Mas, volta e meia, me divirto lendo linhas antigas...


 


Mudando de assunto: estou doente. Gripe. Nariz escorrendo, congestao, algo de tosse, febre, suor, mal-estar, enfim. Tudo recomenda repouso. Mas nao é à toa que meu tio, desde pequeno, me chama Teimosao. Além do mais, Caju, Nane e outras tantas pessoas na cidade, baladinha grátis, música boa... Antigripal, antifebril, descongestionante, e outras coisas que meu parco conhecimento médico nao me permitem identificar: para dentro. Marcelo: para fora. Chuva? Qual o problema? Convenhamos: você também passou nove meses no molhado e nem por isso era ruim. Pára taxi, desce na Museum, uma ou outra cerveja e depois o que te oferecem (vodka, de preferência, afinal, ser leal é importante). O resto, você já sabe. Marcelo dancando freneticamente, gritando horrores para se fazer escutar, cantando a pulmao pleno quando toca Elevation... Sim, eu estava afônico à tarde e hoje estou completamente mudo. Mas ontem... ai, meus caros... na balada a gente pede altas até para Jesus (aliás, principalmente para ele, porque o inferno é muito mais legal...). Tá, nem tudo é perfeito. Em um determinado momento você sente falta daquele beijo... Mas tá valendo. Afinal, fim de ano vem aí e acabei de saber: o destino é Rio, com direito a Black-Eyed Peas gratis. Pergunta se eu vou? Theys: get ready! We gonna dance all night long (e depois decide o que fazer depois do meio-dia...).

E hoje tem Club 69.

 

Pd: Paloso 2

(Tá, confesso, nao me lembro da conversa precedente...)

- Os nomes masculinos aqui têm muitos A´s.

- Ahn?

Repiti, achando que nao dava para entender por causa da minha voz de sono.

- Anh.

Caralho! Tá surda. Repeti, articulando bem as palavras.

- Tá, já sei. Mas e?

Putz, viajei de novo. E, acho que os nomes daqui têm A´s proporcionais à quantidade de tinta azul que falta nas minhas calcas jeans... Será que devo procurar um médico.

Desistimos e fomos dormir.

miércoles, 15 de noviembre de 2006

Tosqueira aparente


(antes de tudo, peco desculpas pela ausência de cedilhas e tils – o teclado espanhol nao tem essas opcoes...)


Nao tem jeito. Eu tento, tento, tento, mas, mesmo sem querer, acabo sendo tosco. Simplesmente nao domino as regras da etiqueta. E nao consigo disfarcar como sou, muito menos entre amigos.


Eis que Nane veio visitar-me novamente. Na verdade, muito pouco provavelmente sou eu o motivo da visita. Mas o fato é que novamente tenho o prazer de recebê-la em minha casa. O evento é particularmente oportuno. Da última vez que veio, nossa relacao foi muito distante, fria, quase formal. Eu, entao, acabara de chegar a Buenos Aires e nos encontrávamos em tempos e ritmos distintos. Nao houve lembrancas de Gate´s e UK-Brasil, nem antigas histórias de Portugal ou de CM, nem novidades sobre nossas respectivas vidas amorosas... Os dias passaram e sua presenca apenas tangenciava minha existência. Ficou uma tristeza. Assim foi que recebi com alegria a notícia de seu retorno, apesar dos perrengues com Miss Perfection (“mas vocês nao morrem!!!”).


O vôo estava previsto para cegar às 23h30, em Ezeiza. Talvez, quarenta minutos em taxi e ela estaria em casa. Isso, naturalmente, nao fossem os atrasos no sistema aéreo brasileiro. De Sao Paulo, ela me ligou avisando que chegaria, pelo menos, 1h30 mais tarde. Sem problemas. Saí com a Caju para tomar umas cervejas no La Cigale (impresionante ir só agora a este bar que era reduto do intercambistas em 2003... eu realmente nunca me senti um deles...), voltamos caminando na noite quente portenha e dormimos, apesar do calor. Deixei a porta aberta para escutar o interfone.


O sono foi inconstante, agitado. Finalmente, tocou. Desci para abrir a porta e recebê-las (ela veio com a Anke, uma holandesa que ainda nao conheco). Abracos, alguma tentativa de articular algumas palavras em meio ao meu estado de semi-transe... Cegamos ao apartamento e deixei que ela apresentasse minha casa à amiga, enquanto eu voltava para minha cama e para meu sono...


Tosco, eu sei. Custava ter conversado um pouco? Oferecer algo para comer (elas deviam estar famintas, penso agora)? Mostrar a casa e deixá-las mais à vontade? Nao, nao custava. Mentira: sim custava, mas muito pouco. Quase nada, se comparado à satisfacao de sentir que se recebeu bem a uma pessoa querida.


Mas vai pensar nisso às 3h30 da manha... Assim, deixei sozinha uma pessoa que tantas noites varou comigo em tempos nem tao remotos...


Tosco, eu sei. Mas uma tosqueira apenas aparecente. Porque, no fundo, sei que nada foi por mal. E que, quem entra à minha casa, só o faz porque o merece (ou entao é convidado de Miss Perfection... fazer o quê?)

martes, 14 de noviembre de 2006

Parabéns para a mestranda!

Tudo bem, quando as coisas vao bem.

Hoje saiu a resposta do processo de admissao do mestrado da USP. Cashew foi aceita para o mestrado em educacao! Logo: comemoracao hoje. Pai, afasta de mim essa jaca! Mas os amigos merecem. Merecem muito mais, aliás.

Eu vou tentando reunir aqui os documentos que preciso para apresentar a minha candidatura ao outro mestrado. Gosto de Antropologia, dos professores, etc. Até tenho vontade de fazer trabalho de campo e realmente fico feliz quando resolvo estudar. Mas, convenhamos: dinheiro também é importante nessa vida, nao é mesmo, minha gente? Ou seja, vou colocar o idealismo um pouco para dormir e voltar ao mundo real. Fraqueza da alma? Nao, meus caros... Gostos refinados custam caro. E eu adoro poder sair para jantar com meus amigos sem ter que pensar se o cartao vai passar ou nao...

lunes, 13 de noviembre de 2006

Em busca da resistência física

Ai, ai... A semana vai ser longa. Difícil mas ótima, com certeza. Vamos ver até onde o corpo agüenta...

Hoje acordei cedo como sempre. Arrumei algumas coisas e tentei avancar um pocuo a bendita traducao... O que a gente nao faz por um trocado, nao é mesmo, minha gente? Tudo para poder sair um pouquinho mais, dormir um poquinho menos...

Mas o fato é que ainda sinto o peso da acabacao do fim de semana... Devíamos ter direito a um domingo bis umas quatro ou cinco vezes por ano. Para repor as horas básicas de sono. Se bem que dizem que nao há isso de reposicao de horas de sono: perda irreversível e irreparável. Mas quer melhor perda que essa?

Enquanto isso na reparticao pública, aproveito essas horas do dia quando ainda há pouca gente - sim, a maioria das pessoas comeca a chegar lá pelo meio-dia... E quem falava mal do Estado brasileiro... Nem se compara ao argentino... Daqui a pouco, será inevitável acordar de vez e pegar no tranco. Mas só até as 4hs (sim, meu expediente é reduzido. A D O R O), porque depois tem mais Caju. Eba!!!

Uma boa notícia: encontrei de novo minha caneta! Pode parecer bobagem, mas tenho uma caneta de pena que comprei por algo menos que dois francos na Migros (supermercado do povao na Suica) e que é simplesmente um artigo fundamental na minha vida. Nada é mais confortável que ela (ok, a minha Lamy era, mas quebrou e nao existe mais...). Entrei em pânico no fim de semana quando procurei no estojo e nao a encontrei... Justo porque na sexta eu tinha tomado o maior cuidado em tomá-la das maos de uma mocréia aqui do trabalho que surrupiosamente já ia guardando a dita cuja no porta-lápis xumbreguésimo... Pesadelos só de imaginar a maldita arreganhando a pena. Só Augusto dos Anjos para descrever a cena... E logo, imaginar que todo cuidado havia sido vao. Por sorte, foi apenas descuido meu (blame on me, blame on me) que a tinha deixado sobre a minha mesa... Ai, ai... Respiro aliviado.

 

Pensando em ouvir música. Mas acho que meus ouvidos merecm um pouquinho mais de cuidado...

Ah, que sono...

domingo, 12 de noviembre de 2006

Creamfields 2006

O que escrever? O que dizer além de: "foi ótimo"?

Três anos depois. A mesma festa e tudo tão diferente.

Mas várias coisas que marcavam que ali tratávamos de dar continuidade a algo que não terminou nunca e que sempre continuará. No final, os amigos sempre ficam.

Faltou o Dario - sí, viejo, te extrañé muchísimo toda la fiesta y, una vez más, mientras nos íbamos entre millares de personas, miraba hacia todos los lados esperando repetir el encuentro de hace tres años cuando, tras haber pasado toda la noche prácticamente solo, te encontré a vos y a tus amigos, parra cerrar con gran finale mi noche que si no hubiese sido tan solo excelente, pero no muy linda...

Mas estavam Bola e Caju... Dois companheiros que juntos chegamos a esta cidade, juntos partimos e depois cada um voltou, à sua maneira, com suas lembranças, com suas histórias, com seus planos. Bola e Caju: minha noite foi muito mais linda por ter passado com vocês. Eu os amo!

Mas o que contar? Talvez dizer que chegamos às 23hs, já no meio da festa, que desde o início da tarde começara em Puerto Madero. Eu a procura do Cajero del Banco de la Provincia, que não existia. Ou se existia, não existiu. Perder-me de todos e depois encontrar-me, para então não separar-me mais.

Dezenas (centenas?) de milhares de pessoas. Todos os tipos. Muitas mais lindas que outras. Outras nem tanto. Gente que frita ao lado de gente que vai para observar o que aquele cara faz para transformar batidas, vozes, ruídos, em uma inexplicável experiência. Um pacífico tumulto para disputar um lugar dentro do campo de sonoro. Maré de corpos que se movem - em trânsito ou não, mais ou menos violentamente. Depois é vento, e campo. Frio? Algum. Seguido de um calor gostoso ao dançar com os olhos fechados ou das mãos que massageiam ao ritmo da música.

E assim até acabar-se o último set. Depois, caminhar rumo à próxima festa, ao longo do rio, uma manhã de céu azul, sem nuvens. Mais festa, mais música. Mais e mais e mais. Tudo adquire sentido em seu momento, pra depois desfazer-se plenamente. Não sobrarão além de borrosas recordações de que se foi feliz.

Comendo medialuna recheada com jamón y queso em um dos poucos cafés abertos em um domingo de sol. Ao lado da pessoa mais querida. Sim, fomos felizes.

Faltaste vos, Daro.

sábado, 11 de noviembre de 2006

Paloso

Acho que a conversa era sobre mudanças, sobre aproveitar a vida, sobre se permitir viver. Só acho, porque a essa altura já não tenho qualquer certeza de nada.

E de repente.

- Eu tava pensando em tingir minhas calças.

- Ahn?

Oops. Quê?

- Ahn. Féxion.

- ...

- Claro, porque em Sampa tudo é féxion e aqui tudo é féxion, e tudo a ver com mudanças.

-Claro, claro. ... Vamos dormir?

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

O Ministério da Saúde adverte: pessoas não são nada confiáveis depois de várias garrafas de vinho, baladinha e várias quadras caminhando de volta para a casa. Ainda menos às 6, 7 da manhã.

Te amo.

Vou fazer estrogonofe. Nhami.

viernes, 10 de noviembre de 2006

Mais um. E nunca o mesmo.

Sexta-feira, finalmente.

A semana foi agitada. As próximas serao ainda mais... Ah, como é bom perder-se nesse ritmo alucinante. Pensar, pensar, pensar. Para quê? Nao há sentido no pensamento que se projeta para além dos próximos instantes. As conjecturas metafísicas, as inquietacoes filosóficas, os questionamentos existencialistas... Hell with that. Prefiro perder-me embriagado na vertigem dos acontecimentos. Saltar de um a outro, continuamente, ininterrupto. Ir somando incoerências que vao compondo um mosaico que, no fim, sou eu. Muito mais autêntico que todas as minhas próprias racionalizacoes.

No fundo, será por isso que nao pude conviver com Ms. Perfection. E como com ela, inevitablemente esbarrarrei nas quinas que se multiplicam por aí. Arestas de quadrados perfeitos aos quais, eu, viscoso, amorfo, jamais me encaixarei.

E, portanto, hoje é sexta. E chega a Caju. E muitos outros. E vem a Creamfields. E depois mais. E mais.

A intensidade de sentidos. Que talvez nao me satisfarao. Mas certamente aliviarao a dor de saber que nao existe muito mais além deste imenso vazio.

Enquanto o amor nao vem. E depois que o amor se quebra.

jueves, 9 de noviembre de 2006

Baile de Máscaras ou Hoje acho que nem Monk me salva

Play that sax! Let the piano rule...

Porque hoje merece.

Baile de máscaras e, oops, acho que caiu.

Não era sem tempo.

Hilário ver Ms. Perfection em plena contradição...

 

Conto. Sem muitos detalhes porque pode ficar chato.

Todos sabem que Ms. Perfection se muda. E também sabem que Pedrinho vai substituí-la. Melhor dizendo: vai desbancá-la, porque Pedrinho é mooooooiiiittttooooo melhor que Ms. Perfection. Ela até fingiu uma alegria em saber da notícia. Digna. Claro, não seria diferente.

Eis que no intervalo, um desconhecido colombiano se interessou em mudar para o ap também. Pensei que não. Mas o menino se dizia sem lugar para ficar. Magnânimo, disse: tudo bem, vc pode ficar por uns dias para não ter que ficar em baixo da ponte. O colombiano, que pela folga podia ser brasileiro (tenho que admitir, a América Latina tá infestada de folgados...), entendeu: posso ficar um mês inteiro. Entendeu errado, naturalmente. Eu até ia corregi-lo, mas ele já meteu a mão pelos pés antes...

Sem ter nada combinado comigo, liga para casa e fala com Ms. Perfection. E fala tudo: que fica um mês, que quer saber quanto tem que pagar, que passa no dia seguinte para visitar o lugar e, o que é mais, pega o endereço. Ms. Perfection, boa, dá o endereço. Como já era noite e eu tenho uma vida social, só vim a saber disso hoje... Enfim, a merda já estava no ventilador e eu só esperando o ventinho...

Estava escrevendo para o colombiano para explicar que as conclusões dele estavam equivocadas, que uns dias é distinto de um mês e que eu não pretendia que el ficasse eternamente no apartamento... Enfim, mais uma vez ele se adiantou. Tocou o telefone. Já não gostei da voz... Com minha conhecida sutileza, expliquei que uns dias são uns dias e que não ia cobrar um mês justamente porque não queria qualquer compromisso e que o que eu estava fazendo era só porque ele tinha dito que não tinha lugar para ficar. Ele pareceu que entendeu e ponto.

Nada... Depois de um dia puxado mas maravilhoso de trabalho, encontro Ms. Perfection e seu pretendente mais uma vez debruçados sobre os computadores tentando fazer a bendita prova deles. A cozinha continuava suja (menos suja que duas horas antes, quando passei em casa com a intenção de comer alguma coisa e tive que mudar de planos porque era impossível esquentar uma água para fazer um chá sequer). Ms. Perfection se levanta e vem falar comigo. Se o colombiano vai ficar um mês, etc, etc, corresponde pagar o aluguel. Opa!

Disse que ele nâo ficaria um mês. Ah, mas ele disse. E que me importa o que ele disse? Eu digo que não fica. Ah... Não sabia o que dizer. Repeti a história. Contei do meu drama: na nossa cultura maldita, oferece-se a mão, querem o braço... E eu já arrependido de ter querido ajudar um pobre doutorando sem lugar para morar... Enfim. Ficou claro que Ms. Perfection não queria que o colombiano viesse. Tentava argumentar e não conseguia. Subiram os ânimos. E onde estão os argumentos??? E bastaria dizer: não quero. E ponto. Mas não pode. Porque não é certo. Porque o menino não tem casa. Porque eu já dei minha palavra. Porque não. Porque eu estive errado em não consultá-la. E porque se ele fica um mês... Etc, etc, etc.

Claro que escrevi para o colombiano dizendo que já não rola. Enfim, ele tem gingado suficiente para encontrar um puxadinho para ele. Só não sobra inteligência... E, naturalmente, tive que repetir várias vezes com todas as letras: sim, a decisão é minha de dizer ao colombiano que não venha porque eu não quero. Não é mentira. Mas também é verdade que Ms. Perfection não quer. Ah, mas isso é muito feio. Isso não pode...

Veremos como isso acaba. Semana que vem chegam duas amigas minhas. Já não haverá a desculpa do desconhecido... Além do mais, ela conhece as visitas... Então? Será que quebra a máscara?

Façam suas apostas, amores.

Eu vou viajando no piano do Monk...

E fazendo minha tradução... Porque dinheiro nunca sobra!

 

miércoles, 8 de noviembre de 2006

Registros rápidos...

E, finalmente, de volta ao ritmo insano da vida normal.

A semana começou a toda e estou tentando descobrir quando vou fazer os milhões de coisas que tenho que concluir o mais rapidamente possível. Isso inclui trabalho formal e não-formal, mestrado e amigos, naturalmente. Não precisa nem dizer: havendo oportunidade, beijar na boca também entra na roda. Ficando só depois de amigos na listinha de prioridades...

O fato é: depois de três meses de vida quase férias (tá, não era bem assim, mas deixa eu exagerar), há quatro dias que tudo com o que mais sonho é uma puta massagem para desfazer os nós de mármore nos meus ombros. Enquanto nenhuma mão caridosa se habilita, vão me salvando Monk, Coltrane e Davis. E Ella e Billie. E banhos quentes com bucha e sabão cheiroso...

E vou pensando: cadê aquela vaca da Theys que desapareceu do mundo??? A propósito, onde estão as outras vacas BestFriendforévis???

Para a alegria geral da minha nação, a Caju chega essa sexta. Contando os minutos.

No mais, Pedrinho vai substituir Ms. Perfection. Melhor, impossível. To começando a acreditar nesse treco de serendipity...

E dá-lhe Timberlake e Williams para começar o dia!!!

 

Ps: recomendo fortemente o post do Man In The Box de ontem. Mais rótulos para brincarmos!!!

sábado, 4 de noviembre de 2006

Serendipity

"the lucky tendency to find interesting or valuable things just by chance"

Como as pessoas que vão cruzando meu caminho, o poema que inadvertidamente chega aos olhos, a música de fundo em um restaurante...

Ou como encontrar, em um livro de Stephen King, semelhante tesouro. Claro que não fui eu (valha-me, Senhor!!!), mas, se serve de desculpa, ela só tinha 13 anos. E lia no original, tá??? hehehe. Te amo.

 

Hoje é sábado e tomo meu café antes de sair para a faculdade. Sim, este é um daqueles em que me corresponde brincar de universitário. Não desgosto. Ao contrário. Mas, em um sábado assim, com tanto sol, com tanta luz... Em um sábado assim, amanhecido depois de uma sexta tão triste, de uma dor calada tão fina... Talvez eu preferisse deitar-me na grama, ouvir música e pensar que tudo já vai passar...

 

Serendipitious... Assim é minha vida. E com carinho me lembro das profecias de meu falecido avô, tão freqüentemente recordadas por meu tio-pai (o que ainda vive...). Há pessoas que vêem coisas que jamais verei. Mas confio. Fecho então os olhos e deixo que o tempo passe. Novas pessoas chegarão e habitarão minha casa. Novas músicas entrarão pelos meus ouvidos e, pelo menos por um tempo, essa dor já vai passar - e, por alguns dias, tudo transbordará em alegria.

 

Há dias em que tudo o que se necessita é um abraço. Ou mesmo menos. Y sin embargo...

jueves, 2 de noviembre de 2006

Suas vacas!!!

Vacas estão na moda - e na política.

Primeiro foi o Prof. Paulo Kramer, que chamou publicamente uma aluna de vaca em uma lista de discussão de uma pós. Hoje, é a Eliana Castanhede da Folha que nos conta que recebeu e-mail de um alucinado chamando-a pelo mesmo termo. No primeiro caso, a vaca era petista. No segundo, anti-lulista.

Como já diria minha amiga Claire: vacas são dignas. E estão em voga, pelo jeito.

(como sempre: adianto tendências... chamo minhas queridas amigas de vaca há séculos. fino)

(a Suíça deve estar felicíssima com essa nova onda)

miércoles, 1 de noviembre de 2006

Morte anunciada de Ms. Perfection


E quando tudo vai bem... Pode piorar. Ou melhorar. Tudo depende do ponto de vista. Ms. Perfection está de mudanca... Vai morar com o namorado chavista. Já estava previsto... Ainda nao sei se estou triste. Mas também nao estou contente. Construir um personagem dá tanto trabalho... Ter que comecar tudo de novo a partir do material bruto. Enfim, bonne chance et courage.


Nossa convivência havia melhorado significativamente na última semana. Milagre? Nada disso... Resultado natural de nossa menor contato. Primeiro, suas longas estadias na casa do candidato a Mr. Perfection. Logo, viagem a casa dos pais. Mais de duas semanas... chegava a duvidar se ainda me lembrava de sua fisionomia... e até senti saudades. Tanto que, de volta ao lar, voltamos a uma relacao cordial, com direito a compartir refeicoes e superficialidades – mais do que isso, jamais, afinal, aprendi que isso de fazer a íntima nao costuma terminar bem...


No fundo, gozava deliciosamente o fato de, morando na mesma casa, ter vivido uma vida que ela totalmente desconhecia. Coisas que vao desde almocos e jantares a amigos – alguns em comum, inclusive – até ímpetos de luxuria, passando, naturalmente, pelos passeios pelado à cozinha... E ia deixando, perfidamente, pistas espalhadas por aí, para que ela talvez desconfiasse, mas jamais estivesse certa sobre o que havia acontecido...


Enfim... Mas eu acho que já sentia que ela ia embora, que eu perdia Ms. Perfection. Foi entao que resolvi seguir o conselho do Bola: adiante-se a ela. Ser gongado, assim, de surpresa? Imagina!!! E, aproveitando a rara ausência do futuro pai de sua prole, introduzi o tema. “Vocês nao pensam em morar juntos?”. A resposta nao poderia ter comecado direferente (Theys: you’re simply right): “entao, na verdade...”. E me contou que pensava mudar-se em dezembro ou janeiro. Quis falar sobre a relacao – a nossa – e eu desconversei finamente... Quero deixar bem claro: discussoes de relacionamento só valem a pena quando há recompensas sexuais.


Pensei em derrubar uma ou duas lágrimas. Mas pareceu um pouco patético. Um sorrizinho simpático, um olhar “que pena, mas seja feliz” e de volta aos nossos mundos. Comecei a difundir a mensagem: casting aberto para o substituto de Ms. Perfection. Já em outro roteiro, é claro...


Frio, eu? Diga isso à proprietária do meu apartamento. Já dizia Cat Stevens.... Uh, babe, babe, it´s a wild world. It´s hard to get by just upon a smile...