lunes, 27 de noviembre de 2006

Bruta fuerza del vivir


Segunda-feira... Ai, ai... Mais uma segunda-feira. Nao dormi bem hoje. Nao sei se é minha insônia que ameaca voltar ou se é apenas consequencia dos horarios trocados... Sabem como é... No fim de semana, a gente troca o dia pela noite. Pensando bem, nem foi tanto assi. Ontem, levantei-me cedo e nao dormi durante o dia. Tampouco estudei – para arrepender-me depois. Por outro lado, descobri que, sim, posso tocar algumas músicas da Alanis no violao...


Foi um domingo agradável. Clima instável em Buenos Aires. As nuvens se juntam no céu, ameacam chover. E, depois, vem o vento e as espalha, como um cao que brinca com o monte de folhas recolhidas da calcada. Teimosas, elas voltam a reunir-se e a espalhar-se, em uma constante disputa por chegar ao chao.


Chegar ao chao. No fundo, será o que todos queremos. O delírio da queda rumo à realidade. Dura e sólida. Tátil.


Havíamos combinado de ir ao teatro. Fuerza Bruta. Espetáculo semelhante – mas inferior, é necessário dizer – ao De La Guarda. Inevitável recordar que há dois anos assisti a este, levado pela Laura. Em uma época em que ainda respirávamos poesia. Até ela ficar azul e morrer. E eu? Acho que emergi em púrpura. O acordo era nos encontrarmos todos às 18hs na Plaza Francia. Nao sabia muito bem quem era todos. Certamente, Bola e Sebas. Talvez os franceses e os italianos (eu rezava para que nao), os brasileiros que visitam o Bola, enfim. Saí de casa às cinco. Caminhando por Rodriguez Peña e depois por outras ruas estreitas (evitei as avenidas), escutando música, sem pressa, sem nada. Sentindo um pouco o vento mais ou menos frio, uma ou outra gota de água que caía do céu. Primavera... April, April, April, der weiss nicht was er will... Aqui é em novembro – um setembro atrasado.


Caminhar descompromissado pela feira da Recoleta. Mais vazia, devido ao tempo nao muito convidativo. Passando em frente ao Cemitério e, logo, à Igreja, ensaio o sinal da Cruz. Engracado. Mas nao tenho buscado muitas explicacoes... Olho para o relógio. Há tempo. E me atrevo a um passeio pelo Centro Cultural. Esculturas de Tonny Cragg que desafiam a gravidade. Tem uma que parece um cocô, mas é linda. Pesados pedacos de mármore ou bronze pendentes, encostados, como em um Dali. E que nunca caem. Poucos pontos de apoio. Um insólito levitar. Também alguns desenhos. Eu gosto. Acho divertido e bonito. Descubro que ele morou muito tempo – ainda morará? – em Wuppertal. Lembro do Schwebebahn e também de uma praca... Como se chama? Aquele rosto partido no chao... Linda escultura... Será dele? Já nao lembro se era algum escritor ou se era Marx... Acho que era Günther Grass... Continuo caminhando. Já nao há tanto tempo, mas dou de ombros. Eles sempre se atrasam. Vejo algumas telas mais, algumas fotos, ilustracoes, vídeos, quadrinhos, lencóis... Eu compraria alguns...


Chego à Plaza Francia. Cruzo ao Café Modena. E lá estao Sebas, Clari, Nicolás e Felipe. Depois chega o Bola e outros. Cruzamos rumo à Faculdade de Direito. Atrás é o parque de exposicoes.


O espetáculo comeca. Um homem corre. Corre. Atiram e continua correndo. As pessoas que se cruzam indiferentes. Olhares que se cruzam e se seguem. O tocar-se sem intimidade de uma rua na qual cada um segue sua trajetória individual. O esforco para que tudo continue fazendo sentido. E a tormenta. Sílfides que dancam sobre a água, vertical. A tentativa va do encontro. A impossibilidade de comunicar-se, quando apenas um plano parece separar-nos. Água. A tormenta. E lembrar-se entao o gozo de jogar-se contra a água, de brincar como crianca, de sentir o líquido correr pelo corpo, fluir como se gravidade nao houvesse. Empuxo. E jogar-se.


Bom, muito bom. Talvez seja um pouco o que eu busco, ultimamente.


Depois, já molhado, buscar algum lugar onde tomar uma cerveja. Praticar o contato, diria uma amiga minha... Deixar o tempo passar um pouco.


Volto caminhando para casa. Música. Sempre música. De volta o vento, já nas amplas avenidas. E as nuvens que continuam sua eterna luta por cair. Por jogar-se e ganhar os homens. Ganhar a terra. Fecundar o chao.


 


Depois, a insônia.


 

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