miércoles, 15 de noviembre de 2006

Tosqueira aparente


(antes de tudo, peco desculpas pela ausência de cedilhas e tils – o teclado espanhol nao tem essas opcoes...)


Nao tem jeito. Eu tento, tento, tento, mas, mesmo sem querer, acabo sendo tosco. Simplesmente nao domino as regras da etiqueta. E nao consigo disfarcar como sou, muito menos entre amigos.


Eis que Nane veio visitar-me novamente. Na verdade, muito pouco provavelmente sou eu o motivo da visita. Mas o fato é que novamente tenho o prazer de recebê-la em minha casa. O evento é particularmente oportuno. Da última vez que veio, nossa relacao foi muito distante, fria, quase formal. Eu, entao, acabara de chegar a Buenos Aires e nos encontrávamos em tempos e ritmos distintos. Nao houve lembrancas de Gate´s e UK-Brasil, nem antigas histórias de Portugal ou de CM, nem novidades sobre nossas respectivas vidas amorosas... Os dias passaram e sua presenca apenas tangenciava minha existência. Ficou uma tristeza. Assim foi que recebi com alegria a notícia de seu retorno, apesar dos perrengues com Miss Perfection (“mas vocês nao morrem!!!”).


O vôo estava previsto para cegar às 23h30, em Ezeiza. Talvez, quarenta minutos em taxi e ela estaria em casa. Isso, naturalmente, nao fossem os atrasos no sistema aéreo brasileiro. De Sao Paulo, ela me ligou avisando que chegaria, pelo menos, 1h30 mais tarde. Sem problemas. Saí com a Caju para tomar umas cervejas no La Cigale (impresionante ir só agora a este bar que era reduto do intercambistas em 2003... eu realmente nunca me senti um deles...), voltamos caminando na noite quente portenha e dormimos, apesar do calor. Deixei a porta aberta para escutar o interfone.


O sono foi inconstante, agitado. Finalmente, tocou. Desci para abrir a porta e recebê-las (ela veio com a Anke, uma holandesa que ainda nao conheco). Abracos, alguma tentativa de articular algumas palavras em meio ao meu estado de semi-transe... Cegamos ao apartamento e deixei que ela apresentasse minha casa à amiga, enquanto eu voltava para minha cama e para meu sono...


Tosco, eu sei. Custava ter conversado um pouco? Oferecer algo para comer (elas deviam estar famintas, penso agora)? Mostrar a casa e deixá-las mais à vontade? Nao, nao custava. Mentira: sim custava, mas muito pouco. Quase nada, se comparado à satisfacao de sentir que se recebeu bem a uma pessoa querida.


Mas vai pensar nisso às 3h30 da manha... Assim, deixei sozinha uma pessoa que tantas noites varou comigo em tempos nem tao remotos...


Tosco, eu sei. Mas uma tosqueira apenas aparecente. Porque, no fundo, sei que nada foi por mal. E que, quem entra à minha casa, só o faz porque o merece (ou entao é convidado de Miss Perfection... fazer o quê?)

No hay comentarios.:

Publicar un comentario