jueves, 29 de diciembre de 2005
Fugindo da bancarrota...
domingo, 18 de diciembre de 2005
Nada realmente importante...
domingo, 11 de diciembre de 2005
Sistemas complexos...
jueves, 1 de diciembre de 2005
Rainy days...
Escutando Jamie Cullum e tentando me salvar...
sábado, 26 de noviembre de 2005
Apenas antes de voltar ao caos...
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio
Que a morte de tudo em que acredito não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito, a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que amo seja pra sempre amada mesmo que distante
Porque metade de mim é partida, a outra metade é saudade.
Que as palavras que falo não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço, a outra metade é o que calo.
Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e paz que mereço
Que a tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que penso, a outra metade um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
E o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
Que o espelho reflita meu rosto num doce sorriso que me lembro ter dado na infância
Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria pra me fazer aquietar o espírito
E que o seu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo, a outra metade é cansaço.
Que a arte me aponte uma resposta mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar, pois é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia a outra metade é canção.
Que a minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor
e a outra metade também
domingo, 20 de noviembre de 2005
Da vergonha
martes, 15 de noviembre de 2005
Corrigendum... ou nota pátria
Augusto dos Anjos...
BUDISMO MODERNO
Tome, Doutor, esta tesoura, e... corte
Minha singularíssima pessoa.
Que importa a mim que a bicharia roa
Todo o meu coração, depois da morte?!
Ah! Um urubu pousou na minha sorte!
Também, das diatomáceas da lagoa
A criptógama cápsula se esbroa
Ao contato de bronca destra forte!
Dissolva-se, portanto, minha vida
Igualmente a uma célula caída
Na aberração de um óvulo infecundo;
Mas o agregado abstrato das saudades
Fique batendo nas perpétuas grades
Do último verso que eu fizer no mundo!
domingo, 13 de noviembre de 2005
O que é Brasília?
viernes, 11 de noviembre de 2005
Por dónde se escapa del purgatorio?
un cadáver conectado a Internet,
Mona Lisa llorando en el jardín,
un licor de cianuro,
muera el futuro,
pasado mañana es ayer.
La enfermedad del corazón
tan mortal, tan eterna,
tiñe de amargura la aventura del yo,
peligros de la vida moderna.
Una secta de hermanos de Caín,
una lágrima por ordenador,
aguafuertes del muro de Berlín,
pasarelas de hielo,
para modelos
violadas por Christian-Dior.
Tragicomedia musical,
cementerio de besos,
hoy, a la deriva, por la General Paz,
naufraga el galeón de los excesos.
Filosofías de arrabal,
mártires del rock and roll
discutiendo, entre las piernas
del dolor
el álgebra de la vida moderna.
Y al final
nunca sé como empezar
a decirte a gritos
que necesito
más que respirar,
que necesito
escapar
del purgatorio de sobrevivir,
hasta el año dos,
hasta el año tres,
hasta el año diez,
hasta el año cien mil.
La soledad
es la ecuación
de la vida moderna.
sábado, 5 de noviembre de 2005
Herr Keuner
Me encanta Brecht...
Massnahmen gegen die Gewalt... Así es...
Bert Brecht
Maßnahmen gegen die Gewalt
Als Herr Keuner, der Denkende, sich in einem Saale vor vielen gegen die Gewalt aussprach, merkte er, wie die Leute vor ihm zurückwichen und weggingen. Er blickte sich um und sah hinter sich stehen - die Gewalt.
"Was sagtest du?" fragte ihn die Gewalt. "Ich sprach mich für die Gewalt aus", antwortete Herr Keuner.
Als Herr Keuner weggegangen war, fragten ihn seine Schüler nach seinem Rückgrat.
Herr Keuner antwortete: "Ich habe kein Rückgrat zum Zerschlagen. Gerade ich muß länger leben als die Gewalt."
Und Herr Keuner erzählte folgende Geschichte: In die Wohnung des Herrn Egge, der gelernt hatte, nein zu sagen, kam eines Tages in der Zeit der Illegalität ein Agent, der zeigte einen Schein vor, welcher ausgestellt war im namen derer, die die Stadt beherrschten, und auf dem Stand, daß ihm gehören soll jede Wohnung, in die er seinen Fuß setzte, ebenso sollte ihm auch jedes Essen gehören, das er verlange; ebenso sollte ihm auch jeder Mann dienen, den er sähe.
Der Agent setzte sich in einen Stuhl, verlangte Essen, wusch sich, legte sich nieder und fragte mit dem Gesicht zur Wand vor dem Einschlafen: "Wirst du mir dienen?"
Herr Egge deckte ihn mit einer Decke zu, vertrieb die Fliegen, bewachte seinen Schlaf, und wie an diesem Tage gehorchte er ihm sieben Jahre lang. Aber was immer er für ihn tat, eines zu tun hütete er sich wohl: das war, ein Wort zu sagen.
Als nun die sieben Jahre herum waren und der Agent dick geworden war vom vielen Essen, Schlafen und Befehlen, starb der Agent.
Da wickelte ihn Herr Egge in die verdorbene Decke, schleifte ihn aus dem Haus, wusch das Lager, tünchte die Wände, atmete auf und antwortete: "Nein."
martes, 1 de noviembre de 2005
Nem tudo é preto, nem tudo é branco, nem tudo é cinza...
lunes, 31 de octubre de 2005
Para um dia apenas, um pouco de poesia...
"Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu"...
Nem partir, nem morrer. Estancado, talvez. Mas há realmente dias em que melhor quiças fosse, realmente, não ceder ao tocar insistente do dspertador, não se meter forçosa e mecanicamente em baixo do chuveiro, não empurrar goela abaixo goles grandes de café espesso... Há dias em que talvez fosse melhor ficar em casa e dormir. E acordar, e ler um bom livro... Para, assim, sentir que, sim, o tempo passa - vagaroso, nas folhas das árvores, no gato que se espreita à beirada da cama...
Há dias em que a vida parece não ter sentido. Mas não é que falte sentido à vida. É que o sentido é tão simples que não precisa de todos os dias para caber... O sentido da vida é ser. É estar vivo. Aqui estou, cumprindo-o... Hoje, somente isso. Amanhã, talvez, algo mais.
Natal na Ilha do Nanja
Cecília Meireles
Na Ilha do Nanja, o Natal continua a ser maravilhoso. Lá ninguém celebra o Natal como o aniversário do Menino Jesus, mas sim como o verdadeiro dia do seu nascimento. Todos os anos o Menino Jesus nasce, naquela data, como nascem no horizonte, todos os dias e todas as noites, o sol e a lua e as estrelas e os planetas. Na Ilha do Nanja, as pessoas levam o ano inteiro esperando pela chegada do Natal. Sofrem doenças, necessidades, desgostos como se andassem sob uma chuva de flores, porque o Natal chega: e, com ele, a esperança, o consolo, a certeza do Bem, da Justiça, do Amor. Na Ilha do Nanja, as pessoas acreditam nessas palavras que antigamente se denominavam "substantivos próprios" e se escreviam com letras maiúsculas. Lá, elas continuam a ser denominadas e escritas assim.
Na Ilha do Nanja, pelo Natal, todos vestem uma roupinha nova — mas uma roupinha barata, pois é gente pobre — apenas pelo decoro de participar de uma festa que eles acham ser a maior da humanidade. Além da roupinha nova, melhoram um pouco a janta, porque nós, humanos, quase sempre associamos à alegria da alma um certo bem-estar físico, geralmente representado por um pouco de doce e um pouco de vinho. Tudo, porém, moderadamente, pois essa gente da Ilha do Nanja é muito sóbria.
Durante o Natal, na Ilha do Nanja, ninguém ofende o seu vizinho — antes, todos se saúdam com grande cortesia, e uns dizem e outros respondem no mesmo tom celestial: "Boas Festas! Boas Festas!"
E ninguém, pede contribuições especiais, nem abonos nem presentes — mesmo porque se isso acontecesse, Jesus não nasceria. Como podia Jesus nascer num clima de tal sofreguidão? Ninguém pede nada. Mas todos dão qualquer coisa, uns mais, outros menos, porque todos se sentem felizes, e a felicidade não é pedir nem receber: a felicidade é dar. Pode-se dar uma flor, um pintinho, um caramujo, um peixe — trata-se de uma ilha, com praias e pescadores ! — uma cestinha de ovos, um queijo, um pote de mel... É como se a Ilha toda fosse um presepe. Há mesmo quem dê um carneirinho, um pombo, um verso! Foi lá que me ofereceram, certa vez, um raio de sol!
Na Ilha de Nanja, passa-se o ano inteiro com o coração repleto das alegrias do Natal. Essas alegrias só esmorecem um pouco pela Semana Santa, quando de repente se fica em dúvida sobre a vitória das Trevas e o fim de Deus. Mas logo rompe a Aleluia, vê-se a luz gloriosa do Céu brilhar de novo, e todos voltam para o seu trabalho a cantar, ainda com lágrimas nos olhos.
Na Ilha do Nanja é assim. Arvores de Natal não existem por lá. As crianças brincam com. pedrinhas, areia, formigas: não sabem que há pistolas, armas nucleares, bombas de 200 megatons. Se soubessem disso, choravam. Lá também ninguém lê histórias em quadrinhos. E tudo é muito mais maravilhoso, em sua ingenuidade. Os mortos vêm cantar com os vivos, nas grandes festas, porque Deus imortaliza, reúne, e faz deste mundo e de todos os outros uma coisa só.
É assim que se pensa na Ilha do Nanja, onde agora se festeja o Natal.
domingo, 23 de octubre de 2005
Decepção...
sábado, 22 de octubre de 2005
Receita de sábado
jueves, 20 de octubre de 2005
Drummond e o desarmamento
A Morte do Leiteiro
Carlos Drummond de Andrade
(a Cyro Novaes)
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morados na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.
Fonte: Antologia Poética - Editora Record, 40ª edição,
página 134
Para empezar...
el señor ribeyro
--------Presiento que la ausencia del señor Ribeyro no fue planeada con antelación. Me lo indica el estado en que se encuentra su casa. Su máquina de escribir todavía conserva una hoja inconclusa y el cenicero de cristal permanece sobre su escritorio atestado de colillas y cerillos consumidos. Todo esto me da mala espina.
- "Avanzo, libre, hacia el río, con mi cabeza de oso en la mano, decapitado, feliz. Atrás, sólo la tienda iluminada del circo. En el circo, Marcial, Max, Irma, Kong, los soldados meones, todo enterrado, todo olvidado. Avanzo hacia el agua, sereno al fin, a hundirme en ella, a cruzar la selva, tal vez a construir una ciudad. Merezco todo eso por mi fuerza. No me arrepiento de nada. Soy el vencedor."
- ¿Hasta cuándo piensas recitar ese párrafo?
- No lo sé. Tal vez hasta que te canses.
- Bueno, si de mí depende, entonces ya tuve suficiente.
- ¿Te sangran las orejas?
- Por supuesto que no.
- Entonces todavía no has tenido suficiente, pedazo de mierda... "Si esas luces de atrás son antorchas, si esos ruidos que cruzan el aire son ladridos, tanto peor. Los llevo hacia la violencia, es decir, hacia su propio..."
A pesar de que el señor Ribeyro es un fumador contumaz, sé que es un hombre muy quisquilloso cuando se trata de la limpieza de su cenicero; me niego a pensar que pudo partir sin siquiera arrojar los restos de su vicio al cesto de la basura. No es usual en él. Simplemente, no es su estilo.
- ¿Me permites fumar?
- Ya te dije que no. Este no es uno de tus cuentos, ¿está claro? Aquí se hace lo que a mí me parece.
- Sí, ya lo entendí. Pero hasta el momento no sé qué cosa quieres.
- "Si esas luces de atrás son antorchas, si esos ruidos que cruzan el aire son..."
- ¡Basta!
- "¡Si esas luces de atrás son antorchas! ¡Si esos ruidos que cruzan el aire son ladridos, tanto peor! ¡Los llevo hacia la violencia, es decir, hacia su propio exterminio! ¡Yo avanzo! ¡Rodeado de insectos, de raíces, de fuerzas de la naturaleza! ¡Yo mismo soy una fuerza y avanzo aunque no haya camino! ¡Me hago un camino avanzando!" ¡Me hago un camino avanzando!
- Repítela un millón de veces si quieres. No, mejor aún, un billón. Quizá para ese momento ya me sangren los tímpanos.
- Qué gracioso, imbécil.
Además, ese ventilador portátil gira persistentemente, revolución tras revolución, como si le urgiese un breve respiro. Y hay una taza llena de café sobre el tablero, también tostadas endurecidas en el horno, y si no me equivoco, me pareció ver la ventana del baño abierta. Definitivamente, el televisor está encendido, de eso no me cabe la menor duda porque ese comercial de dentífrico lo conozco como si fuera mi palma.
- La verdad, no sé por qué vine a buscarte.
- Claro que lo sabes. Me buscas porque me tienes miedo. No soportas que yo ande suelto por ahí.
- Será mejor que me vaya. Ya me aburriste.
- Como tú quieras, pero te prometo que no te vas a librar de mí. No te vas a librar de mí hasta que hagas lo justo.
- Sabes perfectamente que no puedo hacer eso.
- ¡Claro que puedes! Si puedes hacer que Irma aguante el peso de Marcial todas las noches, si puedes hacer que el oso agonice en su jaula, que el teniente Sordi olvide su pistola en el cuartel, entonces puedes matarme, una y mil veces si te da la gana.
Otra razón que me lleva a especular acerca de su partida es la ostensible molestia de Madame Pichot. La pobre mujer lleva dos días esperando al señor Ribeyro, pues éste le prometió merendar con ella y echarle un vistazo a una carta que, según la regordeta señora, el mismísimo Guy de Maupassant le envió a su abuelo materno allá por el siglo XIX. No sé si será cierto, pero tampoco me incumbe. En todo caso, lo que es verdaderamente preponderante es el intempestivo viaje del señor Riberyo.
- ¿Viniste solamente para pedirme que te mate?
- Vine porque quiero que se haga justicia. ¡Yo no pienso pudrirme en esa selva para siempre! ¡Tú me vas a matar!
- Ya te dije que no.
- ¡Tienes que hacerlo! ¡Ya no aguanto más ese lodazal, ni el calor, ni toda esa vida de mierda!
- Me largo de aquí. Déjame pasar.
- ¡Tú no sabes lo que es estar en esa selva, Ribeyro! ¡No lo sabes! ¡Cada vez que alguien lee esas páginas Irma se compadece a sí misma! ¡Y es tan hermosa! ¿Por qué la hiciste así de bella? ¡Y Max, y Kong, y todos esos soldados inútiles! ¡Tú dices que yo soy una fuerza, que soy el vencedor, y es a mí al que vencieron! ¡Es a mí! ¡Pero mi sufrimiento nunca acaba, se repite cada vez que abren el libro, se repetirá por siempre, y todo porque no quisiste matarme!
¿Por qué se fue sin cargar equipaje? Monsieur Baruch dice que el martes pasado lo vio tomar un taxi con las manos vacías. ¿A dónde pudo haber ido el señor Ribeyro? La sobria hoja que dejó en su máquina de escribir solamente muestra una decena de efes y enes y repetidas equis.
- No seas melodramático, Fénix. Es sólo un cuento.
- ¡Tú sabes que no es así! ¡Tú sabes que no es sólo un cuento porque yo estoy vivo! ¡Necesito morir, Ribeyro! ¡Cambia el final!
- No. El cuento se va a quedar tal y como está. Muerto no me sirves.
- ¡Mátame, hijo de puta! ¡Di que una serpiente me mordió en el río! ¡Que Sordi me pegó un balazo!
- ¡El cuento se queda tal y como está, Fénix!
- ¡Si pudiera partirte el pescuezo, lo haría sin pensarlo dos veces!
No sé si deba dar parte a la policía. Los vecinos están un poco intrigados, pero el casero todavía no da por desaparecido al señor Ribeyro. Tal vez ya esté por regresar y me preocupo sin razón. ¿Qué son unas cuantas colillas en el cenicero, unos cerillos? Voy a esperarlo hasta las cinco. Francamente, no quisiera irme sin el autógrafo que le prometí a Gilda y sin que me responda un par de interrogantes que tengo acerca de ese cuento llamado Fénix.
- Tú eres mi creación y puedo hacer contigo mi antojo.
- Sí. Pero de aquí no saldrás vivo.
- Fénix, no me amenaces. Sabes muy bien que no puedes levantar un solo dedo en mi contra. Eso no está escrito.
- Tal vez yo no pueda hacer eso, pero él sí.
- ¿Él? ¿Quién es él?
- El autor de este cuento te va a matar.
- No sé de qué autor me hablas. Además, si yo muero, tú jamás podrás salir de la selva. Eso no te conviene, Fénix.
- Te equivocas. Si tú mueres, yo continuaré exactamente en el mismo tiempo y espacio donde me encuentro ahora.
- ¿De qué hablas?
- Yo no soy Fénix. Y tú tampoco eres el verdadero señor Ribeyro. Nosotros somos los personajes del cuento número V. Tu nombre es Alfa. Yo me llamo Beta. Cuando Gamma se haga presente, el cuento concluirá.
- ¿Gamma?
- Gamma es tu auténtica Némesis. Por cierto, Alfa, ya no tardas en pedirle por tu vida.
*Basado en Fénix de Julio Ramón Ribeyro