miércoles, 29 de noviembre de 2006

Quebrando paradigmas


Pois, entao. É claro que eu estava surtando. Para piorar tudo, final de semestre, fim de semana chegando. Seis resenhas para entregar. E eu – ai, ai – lendo García Canclini... Um saco... Caríssimos, todos sabemos que eu adoro estudos culturais. Adoro essa coisa de discurso, construcao, hegemonia, etc, etc. Realmente, curto isso. E vivo isso. Talvez alguns estejam pensando: bullshit... Mas falo sério. Sou um liberal de esquerda. Too much leftist, indeed, in Mariani´s opinion. Mas realmente acredito nessas coisas e vivo em uma eterna utopia...


Mas o ponto é: é claro que eu estava surtando. E já nao podia continuar lendo. Já nao queria ler. Pelo menos, nao aquilo. Nem queria escrever. Por mais que tivesse as idéias claras, soubesse como comecar, desenvolver e concluir. Talvez, exatamente por isso. Eu nao queria escrever. Nao sobre aquilo. Nao naquele momento.


E o peso das regras, dos prazos... Internamente, eu só pensava: se, no fim das contas, faco isso para mim... Por que essa culpa? E por que essa cobranca?


Eu estava surtando. Ficando azul e morrendo, sem ar.


Nao queria ligar o computador. Seria abrir as possibilidades para a escrita. E eu nao queria escrever. Nao podia escrever. E nao queria fugir.


Foi entao que liguei para ela. Mas e se ela estiver com o namorado? E se ela estiver estudando? E se ela nao puder sair? E, se puder sair, devo realmente falar tudo o que penso? O que falar? Ligo?


Ela atende. Nao havia visto minha mensagem. Concedo o benefício da dúvida. Tomamos uma cerveja? Dale. Dale. Simples.


Um pouco de ar.


Banho rápido. Qualquer roupa – hum... essa calca jeans precisa ser lavada... Cabelo molhado, ouvindo música – Almost Famous – pela ampla avenida até a estacao de metrô. O trem demora. Vagao cheio às 21h40. Atravesso o parque, chego à sua porta. Bato a campainha, mas acho qeu está quebrada. Jessi? Ela sai. Vamos comer.


Ar, ar, ar, ar...


Como é bom respirar. Como é bom conversar. Como é bom poder dizer o que se sente, o que se pensa, sem ter que medir palavras... Como é bom interessar-se pelo que a outra pessoa te conta e sentir-se ouvido, independetemente do assunto.


Agradabilíssimas horas. O mundo continua girando. Nao há por que surtar. Sim, eu sou normal. E ela também é normal. Nao estamos fechados ao mundo. E nem o mundo se acabou. Apenas uma questao e sintonia. De escolhas. E de afinidades.


Volto à casa aliviado, feliz. No MP3, Fito Páez. E nem dá vontade de mudar.


Acordo hoje atrasado. Banho, café e rua.


Muito mais tranquilo.


Fodam-se os pseudo estudos culturais.


Vou acabar de ler Malinowski. E, depois, Tristes Trópicos. E vou abandonar essa merda logo.


Se é pra ralar, que seja com Economia. E a esquerdar continuará sendo um deleite, nao um sacrifício. Eterno diletante. Eterna poesia.


 


Qual o problema de abandonar alguma coisa pela metade? Primeiro, a monografia. Agora, isso. E virao outras. A vida é feita de tentativas e erros. E descobertas... Sempre.

5 comentarios:

  1. Hahaha, caralho, acho que meu ex tá namorando uma mulher que postou uma foto vestida identicamente à que vc descreveu pra eu usar na sexta (escrevi suar. Ato falho relacionado a quê?). Ai, não é mágoa, mas é foda. Será que sou tão loser qto ela? Ou pior? Eu estou me sentindo um cocô. Não por isso, mas pelo resto. Eu não sou namorável.
     
    Mas o que eu queria dizer mesmo é que eu usei Estudos Culturais, gosto e tal. Mas a questão é que, exatamente por eles alcançarem praticamente TUDO e todas as áreas, eu duvido um pouco da credibilidade. Sei não. Por isso mesmo que me acho um erro. Até meu trabalho, muito elogiado, citado no Correio... é uma fraude. E eles acreditaram direitinho.

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  2. Não falei o nome dele pra poder negar até a morte.

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  3. Depois dessa, não opino mais sobre roupas. hehehehehe Isso que dá deixar-se guiar pelo "se está usando"... So mediocre.
    Ato falho total: também suo frio só de me imaginar na situação.
    Amore: estudos culturais sâo legais. Não são uma fraude. Só não são A verdade. Verdade não existem. Existem versões. Ou, já que estamos nessa, discursos, narrativas, etc... Cada um acredita no que quer. E nós, enfim, vamos construindo outras mentiras... Questão de sobrevivência. Enquanto a gente trata de viver.
    Te amo.
    Por falar em nomes: descobri algo seu que não sabia... kkk. tá no e-mail.

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  4. Verdade não existe. Sem m no final.

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  5. Eu só não concordo com isso de mentiras. Acho que são verdades também. Verdades existem! Muitas! O foda dos Estudos Culturais é que, depois de uma intensiva deles, não se sai mais de casa sem pensar demais.

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