sábado, 30 de diciembre de 2006

Melhoras ao Sushi!

Ela me liga às sete horas da manhã, em uma sexta-feira. Aqui é feriado, mas ela não sabe. Ainda que soubesse, ligaria, temo. O Pedro atende. Ele viajaria naquele dia e, certamente, a ansiedade o espetava na cama. Perambulava pela casa desde antes. Vem me acordar. "Me parece que es tu vieja". "Decile que estoy durmiendo".

Duas horas depois, ou um pouco mais, me levanto. Saio do banho. "Te volvió a llamar tu vieja, cuando estabas en la ducha. Está preocupada con un sueño que tuvo y quiere hablar con vos".

Estão todos loucos.

Meia hora depois, o telefone volta a tocar. Era ela. No sonho, eu, encolhido no seu colo, chorava, chorava... "Não, está tudo bem. Nâo, não tem nada de errado. Não, não tem nada que eu precise falar com você".

Estão todos loucos...

Acho que o relógio marcava as cinco da tarde, quando ela voltar a ligar. Chorava.

"Sabe o sonho? Pois então, o Sushi foi atropelado. Acho que ele vai sobreviver, mas amassaram a patinha dele. E não tem nenhum veterinário nesse fim de mundo."

Merda. Coitado do bicho.

Ela se larga a chorar, compulsivamente.

"São coisas que acontecem. No fim das contas, é só um cachorro!"

Insensibilidade ao extremo. Vai ser bruto assim lá na puta que pariu...

Internamente, acho que tinha medo de que o cachorro realmente me tivesse usurpado o lugar.

Estamos todos loucos...

Feliz ano novo!

miércoles, 27 de diciembre de 2006

Coisas que só acontecem comigo...

Alguém se lembra de Carlos Escudé? Pois eu lembro. Lia esse cara na faculdade... Ele e sua teoria sobre o realismo periférico... Óbvio que naquela época ninguém lia... Imaginem! Alunos decentes nao liam nada que nao viesse do hemisfério Norte - na verdade, nada que nao viesse dos Estados Unidos ou do Reino Unido... E aí estava esse cara, argentino, falando que a Argentina tinha mesmo era que se aliar aos Estados Unidos para conseguir alguma projecao regional/internacional e mandar o Brasil de vez à merda. Bem, nao é um detalhe menos importante que esse "cara" fosse assessor de política externa do governo Ménem, o que explica muita coisa... Acabou produzindo material em abundância para que depois nosso bom e velho Amado Cervo escrevesse páginas e mais páginas sobre o Paradigma Normal... Ai, ai, ai... Naqueles anos, tudo isso ainda tinha alguma importância para mim e o fato era que eu lia Carlos Escudé... Tá, também lia Paulo Roberto de Almeida e por pouco nao virei revisor voluntário dos originais do louco... Por sorte, recobrei a consciência e passei a me dedicar a coisas mais divertidas (PRA é um saco...).

Eis que, tantos anos passados - tá, foram apenas uns três ou quatro anos, mas eu sou novinho, vai - abro minha caixa de e-mail e... lá estava um e-mail do Carlos Escudé. Ahn? Sim. Franzi a sobrancelha, olhei com aquela cara que ex-alunos de REL fazem tao bem - uma mistura de incompreensao com desprezo - vasculhei rapidamente minha memória (que funciona pior que um 486 DX-266, lembram?) e pensei: tá, em algum momento insano devo ter escrito pro cara pedindo algum artigo ou referência, devo ter ficado na lista de endereco de "leitores internacionais", ele deve estar lancando um livro e deve estar tentando vendê-lo para estes idiotas que, com alguma sorte, ainda se dedicarao ao estudo da TRI que se produz nas zonas meridionais... O assunto do e-mail: Atualizacoes. Em espanhol, por supuesto.

Abri o bendito. No corpo da mensagem, instrucoes apra a atualizacao do seu website. Coisas realmente escatológicas - por exemplo, que deviam adicionar as informacoes genealógicas do dito cujo, colocar umas fotos de Málaga (que será que esse homem anda fazendo lá???) e colocar um texto, de 2001, sobre uma hipótese de conflito entre o Cone Sul e o Eixo Chávez/FARC. Claro: o trabalho era remunerado - 100 pesos (setenta reais).

Olhei nos destinatários. Nao constava meu nome, nao constava meu e-mail. "Puta merda, me mandou em cópia oculta, para piorar tudo". Mas tudo se esclareceu. Eis que o curioso trabalho sobre conflitos sul-americanos era, em realidade, uma co-producao (claro: alguma louca escreveu e ele assinou junto... ai, ai... escrevemos cada coisa quando precisamos nos formar...). O nome da querida: Mariana Souto. O Sr. Escudé deve ter se equivocado em uma ou outra letra e, em vez de mandar a cópia à Mariana - para que ela soubesse que seu texto seria finalmente publicado!!! o pior é que já havia sido publicado pela Di Tella, em 2001... e pensar que eu estou indo justamente para lá... ai, ai, ai... - mandou-o para este que vos escreve.

Ri. Coisas da vida. Apertei "Responder". E escrevi uma educada e elogiosa mensagem, informando e lamentando o equívoco. Também desejei um feliz 2007. Nao... nao é falsidade. É cortesia... Afinal de contas, ninguém tem culpa de um dia ter tido uma idéia absurda e que o tenham escutado... Assim nasceram alguns gênios. O resto, enfim, mediocridade...

 

Pd: depois, por curiosidade, busquei-o no Google. Ele tem uma barba medonha... E confirmei: ele nao está mais na Di Tella... Roda mundo, roda gigante...

viernes, 22 de diciembre de 2006

New jazz

 

Mais uma noite quente em Buenos Aires. Noite úmida, de sexta-feira. Eu saio à varanda e me sento. Estico as pernas e sinto os insetos minúsculos que habitam a noite. Quisera ter algum ponto de luz que me permitisse escrever sem ajuda das lâmpadas fortes que há na sala. Vou então armazenando as idéias na cabeça e sinto alguma brisa que vem do rio. E também o barulho dos carros e ônibus, que chegam à minha janela no sétimo andar. Em frente, reflexos vermelhos, intermitentes e constantes. Fosse outra época do ano, eu imaginaria experimentos com óvnis ou rádios-pirata… Mas são apenas árvores de Natal. Mais presente lá que aqui… Na varanda em frente à minha, chegam dois homens. Um se despe, até ficar de cueca. Perambula pela casa, buscando livrar-se do calor pegajoso. O outro sai em busca de ar fresco, como eu. E acende um cigarro. Eu também gostaria de fumar em noites como essa… Um clichê tão necessário às vezes… Deve ser boa a sensação… Se ao menos eu tivesse um beck… Um pouco além, no andar de baixo, uma moça vestida com uma camiseta azul já velha limpa o escritório. Varre, tira o pó, aspira… Acho engraçado… Ninguém pisará ali nos próximos quatro dias (a não ser que o funcionário decida trepar de novo com a secretária… será?). Um pouco depois, percebo que a moça de camiseta azul, já terminada a faxina, empurrava o carrinho de bebê. Ela e seu filho (um entre quantos? Terá marido?) já podem preparar sossegados a ceia de natal… Mas quem ceia, como todos os dias, é a família que vive logo acima dos escritórios… O velho senhor sentado à cabeceira. La mirada contundente… Ao seu redor, um filho (mais novo?) que termina de abrir as janelas, a filha (mais velha) hoje, mal vestida, arruma algum detalhe sobre a mesa enquanto prende novamente os fios de cabelo que se soltaram do meio-coque… Logo acima da varanda do rapaz que fuma(va - para onde terá ido…) azuis acusam uma televisão. E reflexos de corpos na parede, solidão… No meu som, new jazz… But don't let me be lonely tonight…

miércoles, 20 de diciembre de 2006

Tudo isso...

Sim, tudo isso. Pois "só" seria um termo por demais impreciso para descrever o que, de qualquer maneira, palavras nao podem descrever. Mas é muito. E muito intenso.

Estou exausto. E feliz.

Foram quase todos. Una vez más, faltaste vos, viejo... Por qué te descompusiste después que te pusieron un diez, boludo? Y bueno... sos vos, no podía ser distinto... Também faltou a menina... E a Virginia (pobrecita, se murió la abuela...). Mas éramos dezenove - grupos diferentes que se encontravam pela primeira vez. E a linda colisao deu origem a uma colorida massa... Da cozinha, eu os ouvia. Feliz, feliz.

Tenho essa coisa com comida... Alimentar o corpo é acariciar a alma... E, enquanto eles conversavam, bebiam, riam, comiam, me enchiam de algum sentido. 

E, quando tudo acabou, quando já às 3h00 da manha nao sobravam mais que pratos, panelas, copos, talheres e todo o rastro de uma sagrada comunhao, eu tratava de apagar as marcas do que havia sido, relegando tudo ao espaco da borrosa memória. Eu nao me sentia sozinho. Me sentia cansado, muito. Como depois de uma noite de amor.

Acordei com o frio de um dia chuvoso.

 

Gracias Pedro, por haberte encargado de la picada y haberte bancado mi histeria! Gracias por estar ahí. Jessi, Lau, Andi, Pimi, Maiu, Santi, Agus, Ampi y familia, Lili, Hernán, Fer, Hogl y María: gracias por venir (ustedes no saben el real valor de estas palabras).

Viejo: estabas ahi, lo sé.

 

martes, 19 de diciembre de 2006

Só pq me recuso a servir empanadas...

Tá, tranquilo... Tudo vai sair bem, tudo dará certo... Amanha vc vai olhar para trás e vai dizer: só isso?

Mentira. O cenário mais provável é que eu acorde amanha com a casa completamente inabitável, a cozinha abarrotada de pratos meus e emprestados (se trouxerem mais pratos), o gato desesperado e eu, mais desesperado, procurando qualquer roupa (sem passar) para colocar e voar para Aguero e French simplesmente para usar o telefone... E, de lá, o de sempre... E mais e mais e mais.

Fim de ano é uma coisa realmente desesperadora (caralho, isso existe ou é espanhol?). Por mais que vc se mantenha alheio aos festejos natalinos, nao tenha árvore de Natal na sua casa (Miss Perfection foi embora com a árvore cantante), nao tenha gastado tempo e dinheiro procurando presentes baratos para seus amigos (já que o limite do cartao de crédito e o bom senso - tá, confesso, só o bom senso, no meu caso), ainda nao saiba onde (e com que roupa) vai passar o fim de ano e esteja longe da família e todos os protocolos que isso implica (é mais rápido telefonar do que ter que fazer visitas intermináveis), ainda assim tudo é mil vezes mais acelerado que no resto do ano... E eu que pensava que isso só era assim com o Governo, que tem que torrar a grana antes do fim do ano fiscal... Enfim...

O fato é: tenho jantar para vinte pessoas hoje na minha casa. Já sei o que vou cozinhar e adiantei algumas coisas ontem. Nada que me autorize afirmar com alguma margem de certeza de que comeremos antes da meia-noite, mas tudo bem. Só me resta torcer para os vizinhos nao encherem o saco e nao chamarem a polícia (sim, outro dia chegaram a esse ponto para um outro morador...). Em um passo estrategicamente equivocado, tentei prevenir alertando a vizinha louca de que haveria algum barulho hoje e pedindo sua compreensao... Resultado: a ébria se auto-convidou para meu jantar... E somos 21 na lista... ai, ai... Tomara que ela encha a cara antes e nao consiga nem abrir a porta da casa dela... Se ela vier, vou encher a velha de vodka...

Para completar a bendita universidade a quem estou pedindo uma bolsa (de misericórdia) resolveu marcar uma reuniao informativa justamente hoje, lá na casa do caralho, às 19hs... Ou sejE: devo chegar em casa, na melhor das hipóteses, às 21h30... Os convidados, supostamente, chegam às 22hs (logo, 23hs, no mínimo...).

Como já é costumeiro, estou todo empolado, minha cabeca coca, tenho azia e dor de cabeca. Nervosismo, é claro.

Mas respira. Respira.

Calma, tranquilo. Tudo vai dar certo.

E amanha direi: só isso?

viernes, 15 de diciembre de 2006

Saltado de lomo


Eu estava em casa. Acho que lia meus e-mails, talvez me preparasse para responder à Claude, talvez para comecar a dar uma olhada nas coisas da consultoria – que, afinal, se revelou maior do que eu imaginava... Quando me chegou sua mensagem. “K haces?”. Sem acento e vindo de quem vinha, o verbo tinha seu sentido original... Logo: “No kieres comer algo? Puedo cocinar”. Na cozinha, Pedro preparava milanesas, encorajado pela namorada. Eu, como era de se esperar, o provocava. Engracado vê-lo aprender. Também me faz feliz. Mas decidi. E, assim: “ven a mi casa en 35 min”. Achei graca nos 35 minutos. Sao assim nossos encontros... Avisei que nao comeria em casa e, em dez ou vinte minutos, saía em direcao ao Subte Línea A. A também de Acoyte.


Nao sei se tardei cinqüenta minutos ou uma hora. De qualquer maneira, foi o tempo justo. Ela acabara de voltar do Disco, sacolas ainda na sala. Cat Stevens cantava... Sim, eu sabia fazer arroz e ela limpava a carne. Uma cerveja? Dá-lhe. Poucas coisas para contar desde domingo e mesmo os comentários sobre os amores e desamores se tornavam escassos para preencher o vazio dos minutos... Mas nada tinha importância. Cozinhávamos e bastava.


Enquanto o arroz cozinhava, cebola, tomate e carne saltavam. O ají se encarregaria do picante leve. Um pouco de molho de soja. Salivacoes. Lembrancas de Genebra. Engracado como se pode estar mais próximo de certos lugares apesar da posicao no mapa...


Já nao sei o que tocava. Vicentico? Acho que era. Depois houve Chico, Shakira, Sabina... Também houve cerveja, vinho, rum... E muita vida: a intensidade do que foi e as dúvidas sobre o que a mesma vida viria a ser... Dúvidas sem importância. Só o que importava era estar ali. O tempo, passando. Ativamente o passávamos. Até deixar atrás, novamente, momentos que se borrariam em doces lembrancas de uma amizade.


A vida (também) é feita de momentos assim.

Estória triste


Ele era seu salvador. E ela, desamparou-se. Se jogou lá do alto, como corresponde, nesses casos. E flutuou a queda. Levitou por entre os mais doces, febris, voluptuosos sentimentos. Engolia o ar espesso que lhe entrava violentamente por todos os poros. Eternamente orgásmico.


Mas ele buscou o horizonte. Rejeitou a escuridao do abismo. E, metido em metafísicas, descobriu que o amparo que tinha nao correspondia à sua idéia de salvacao.


E colidiram sem se tocar. Em um instante, desfizeram-se. Amparo e Salvador.


Ela tocou o chao. E sentiu o destrocar-se em infinitos pedacos.


Ele seguiu silente, baixo. Em busca de algum céu.


Ela, em busca de Amparo. Ele, enfim... se perdeu.

martes, 12 de diciembre de 2006

Vertigem

Nao paro de tossir... Um saco... E junto com a tosse, uma moleza terrível. Uma leve vertigem, transpiracao. Nao sei se é febre. Talvez seja o calor. Tudo parece derreter-se, mas aludir a Dali seria um clichê fácil demais...

Na lavanderia, o calor e a umidade aumentam exponencialmente.

E quinze minutos alongam-se em delírios eternos.

Dói. A cabeca dói. O corpo.

E tudo é vontade de horizontalidade.

Ao horizonte. Caminhando. Sempre caminhando.

Tenho que ir ao supermercado...

E preciso cortar o cabelo.

Preciso que me paguem.

E preciso de outras coisas...

domingo, 10 de diciembre de 2006

Sábado à noite

 

Toca o telefone. Era o Walter. Ex-Ivan. Perguntava o que eu estava fazendo. Eu dormia. Depois de ter tomado dois litros de cerveja sozinho, jogando gamão na internet, eu dormia. Esperava uma ligação. Outra. Então disse que depois nos falávamos. Cinco minutos depois, eu estava em pé. Ligo de volta. Onde vc está? Como? Não tem música? O que aconteceu? To indo pra aí. Calça jeans e camiseta branca. Rua. Efetivamente, não havia música. Festa estranha com gente esquisita e eu não tô legal. Subi. Acho que sufocava. Ligo para o Bola. Onde? Libertador y María Campos. Ligo para o Walter: querido, me voy. Nos saudamos. E fui. Mas não era lá. Não era Campos, mas Ocampo… Trinta quadras de diferença. Ou vinte pesos. Cheguei e esperei em baixo. Desce um harém. Todos em volta da Bárbara. Acho que nunca tinha reparado nas pernas da Bárbara. Pernões… Um menino chato de cabeça raspada e o Bola, bêbado, não gosta dele. Depois viria a descobrir que é o Santiago, irmão da Agus… Life has a funny way… Sim, Icky, it has indeed… Esperanto, podestá… Alamo? Terminamos ao lado do Miloca. Bola muy loco. Cervecita nomás. O Agus, que um dia foi ruivo, é engraçado. Mas não entendeu nada. Eu não tomo whisky. Mas para quê tantos detalhes? A vida às vezes pode prescindir de coisas importantes. Cómanse a besos esta noche. Yo llevo Bola a casa. Acá está, tirado en el colchón. Querido amigo, duerme.

Asado

E fui. De bermuda florida. Linda, diga-se de passagem. E também fui com minha sunga, que está longe de qualquer coisa parecida a uma slip. Em casa, um corpo jogado ronca... É o Bola... Querido Bola.

No caminho, Placebo. My Special K.

Gravity.

jueves, 7 de diciembre de 2006

Respirando, respirando...

A noite passou sem jaca mesmo. Cheguei em casa, acabei de completar os formulários que faltavam, fiz mais algumas coisas inúteis e enfim... Respirar, respirar, respirar. Também cozinhei e isso definitivamente me ajudou bastante. No fim, macarrao com Pedro e Vir. Depois, cama. Digno.

Hoje entrego tudo. Saio daqui, pago e aluguel e tomo o 29... Esperando ter que tomá-lo quatro vezes por semana a partir de marco. Sim, gostamos de sofrer. Veremos como tudo se desenrola...

Por enquanto, com os dedos cruzados esperando notícias da K. Claro que tudo saiu bem. Mas to esperando mesmo assim.

 

Férias. O que fazer nas férias? Tenho apenas uma semana. E orcamento extremamente limitado. Aceito sugestoes. E doacoes.

Aceito também um amor. Afinal, essas coisas só têm valor quando chegam assim, de presente, do nada...

Férias e um amor. Nao viria mal...

 

Ok... Club hoje? Amanha é feriado...

miércoles, 6 de diciembre de 2006

Forcando a divagacao

Se o amor fede ou se é úmido... Nao sei... Mas se for assim, entao acho que encontrei o amor ontem. Só que era amarelo e líquido. Sim, o Haroldo mijou na minha cama. Eu poderia antropomorfizar (kkk - isso existe?) o comportamento dele e dizer que foi sua vinganca por eu nao ter-lhe dado muita bola... Ou entao, acreditando em pragas e afins, dizer que lá de Montevidéu a maldita Ms Perfection proferia suas bruxarias. Nao sei se acredito em alguma destas justificativas. Talvez acredita nas duas. Nao importa... O fato é que eu fiquei puto e hoje de manha pateticamente conversava com o gato como um pai que dá bronca no filho... E pensando seriamente deixar de lado minha solidariedade masculina e mandar castrá-lo já...

Fui ao meu encontro ontem. E promessas de uma nova Buenos Aires se abriram em leque diante de mim. Apenas palvras, porém. Aliás, uma verborragia agradável, tao comuns nessas ocasioes supostamente de paquera. Tá, acho que eu ainda sei fazer isso. O triste problema é que só o faco quando nao há interesse real. Enfim, mais uma pessoa que se candidata à minha extensa lista de solidao...

Meio perdido por aqui... Nada fora do lugar. Nenhum abismo.

Enfim, a gente respira fundo e continua caminhando.

Naturalmente, meu colchao está no balcao, secando ao sol... Lavar colchao em plena quarta-feira de manha... How exciting can it be?

 

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Crise compulsiva ontem. Resultado: um cd triplo de Ella e Louis, o novo CD do Calamaro e outro antigo dele, duplo. Detalhe: meu cartao nao passou e tive que pagar com débito... Comprar CD com juros é meio contra os meus princípios. Mas sair da loja com as maos vazias era bem mais conflitante com minha ética...

Importante registrar que tive que mudar de loja. Na Musimundo da Santa Fé, milhares de meninas - e alguns rapazes - se amontoavam desesperadas por um autógrafo de Ricky Martin... Sim, ele estava ali lancando seu mais novo CD. Parece que é um acústico. Eu, naturalmente, ainda vou escutá-lo... Deixa só eu dar uma esvaziada básica no meu computador, comprar um disco externo e voltar a colocar o e-mule em acao. Imaginem se eu nao vou me manter atualizado com as novidades do mundo pop.... Rá.

 

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Theys mandou uma história ótima... Vou ver se me animo um pouquinho e lhe dou nova versao.

 

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Pensado aqui com meus botoes, eu poderia dizer que buscar explicacao para o mijo do Haroldo é como querer explicar por que estou sozinho ou por que nos apaixonamos... Tracar paralelos entre o sem razao da vida e a irracionalidade do meu gato. Mas aí eu desisti... Forcacao tem limite. E, no fundo, é tudo punhetagem.

 

martes, 5 de diciembre de 2006

Registro ordinário

Escrevamos, escrevamos! Para nao perder o hábito, escrevamos! Ou as recordacoes nao serao mais que manchas borrosas, perdidas em algum canto dessa mixórdia que é minha memória.

Comecemos por uma breve recapitulacao...

Sexta-feira: festa alema no Goethe Institut... A música era sofrível, a cerveja acabou, mas as companhias, divertidíssimas. Salvaram a noite. Bem, na verdade, salvaram a matiné, porque a coisa lá acabou bem cedo mesmo. Nao importa. Desta jornada, há várias fotos... Verei se me presto ao esforco homérico de resgatá-las todas e colocar algumas aqui.

Sábado: Pedrinho mudou-se à casa e há algo registrado neste sentido. Houve o almoco boliviano na casa da Dani e do Alfredo. Miss Perfection nao foi e o dia fluiu gostoso, com muita comida, vinho, cerveja e afins... Debates e debates sobre o amor - alguns, metafísicos, outros, para lá de pragmáticos... Intensidade de nós mesmos, sem máscaras, sem nada. Bom estar entre eles. De lá, fomos com um par de penetras à despedida do meu futuro-ex-mestrado. Um tédio. Mas a companhia, como sempre, vale a pena.

Domingo: Coto com o Pedrinho. Engracado ver balas e alfajores no carrinho... Um dia lindo, com muito sol, algum vento. Uma mensagem no celular da Clari me chamando para escutar música clássica nos Bosques de Palermo. Chegando lá, milhoes de pessoas disputando cada centímetro de chao. Deixamos que se matassem e ficamos jogando conversa fora. Meu esporte preferido... Amor, mais uma vez, um dos temas centrais. Entre tantos desamores... Depois, cruzamos a multidao e chegamos à casa do Bola... O dia terminou com McDonald´s para acalmar o bajón... Bom, bom...

A semana comecou e tudo vai bem. Miss Perfection entrou sorrateira na casa e roubou o colchao limpo... Deixou o dela, mijado pelo Haroldo e mofado porque a burra o tinha coberto com plástico... Pouco fino, achei. Mas nem morto vou discutir com quem nao tem idéia de elegância.

Hoje, supostamente, iria ao El Dazón, ouvir jazz em boa companhia. Mas descobri que nao tem jazz hoje. Fica só a boa companhia. E já é mais do que suficiente.

Até o fim da semana pretendo resolver minhas férias e entregar finalmente minha solicitacao de matrícula para o novo mestrado. Olhando assim, parecem metas pouco ambiciosas. Mas há que reservar espaco para viver.

 

Tudo só nao é mais lindo porque, longe, alguém chora. E eu nao sei muito como ajudar. Te amo. E tenho o pensamento em você.

sábado, 2 de diciembre de 2006

Vide imparfait

Acabou... Ela se foi. E devo admitir que a casa tem um certo ar de tristeza. Houve uma vã tentativa de uma última conversa. Mas esse pontos talvez jamais se encontrem novamente no espaço. Seguirão seus trajetos vertiginosos - é por isso, minha cara, que já não te podes levantar; percebes que a vida não tem essa firmeza do chão? solta-te e não te perderás... - até que se apaguem.

O aguayo boliviano já não está no hall de entrada, assim como não estão os postais, os descansos de prato e algumas coisas que - é verdade - conferiam novos ares, mais humanos, quiçás, a esta casa de paredes frias... Percebo que não sei ocupar os espaços desta maneira - era tudo dela... Ponho-me a pensar em minhas outras casas e, novamente, acho que era assim. Minha presença se materializa de maneira menos pensada, menos intencional. O pote de chá, o CD dentro do som, a roupa que espera ser lavada... Não são rastros ou pistas. Restos, apenas. De um trajeto contínuo, que não se permite essas pequenas pausas que teriam talvez por fim deixar marcas para a posteridade.

O telefone toca. Uma hora é tudo que resta desta sensação de vazio. Talvez eu devesse ir à lavanderia. Mas acho que esperarei.

Respirar um pouco mais dessas paredes sem persolidade impressa. E sentir um pouco mais o que sou.

 

No fundo, ela não era perfeita. Acho que esta foi sua principal falha...

miércoles, 29 de noviembre de 2006

Quebrando paradigmas


Pois, entao. É claro que eu estava surtando. Para piorar tudo, final de semestre, fim de semana chegando. Seis resenhas para entregar. E eu – ai, ai – lendo García Canclini... Um saco... Caríssimos, todos sabemos que eu adoro estudos culturais. Adoro essa coisa de discurso, construcao, hegemonia, etc, etc. Realmente, curto isso. E vivo isso. Talvez alguns estejam pensando: bullshit... Mas falo sério. Sou um liberal de esquerda. Too much leftist, indeed, in Mariani´s opinion. Mas realmente acredito nessas coisas e vivo em uma eterna utopia...


Mas o ponto é: é claro que eu estava surtando. E já nao podia continuar lendo. Já nao queria ler. Pelo menos, nao aquilo. Nem queria escrever. Por mais que tivesse as idéias claras, soubesse como comecar, desenvolver e concluir. Talvez, exatamente por isso. Eu nao queria escrever. Nao sobre aquilo. Nao naquele momento.


E o peso das regras, dos prazos... Internamente, eu só pensava: se, no fim das contas, faco isso para mim... Por que essa culpa? E por que essa cobranca?


Eu estava surtando. Ficando azul e morrendo, sem ar.


Nao queria ligar o computador. Seria abrir as possibilidades para a escrita. E eu nao queria escrever. Nao podia escrever. E nao queria fugir.


Foi entao que liguei para ela. Mas e se ela estiver com o namorado? E se ela estiver estudando? E se ela nao puder sair? E, se puder sair, devo realmente falar tudo o que penso? O que falar? Ligo?


Ela atende. Nao havia visto minha mensagem. Concedo o benefício da dúvida. Tomamos uma cerveja? Dale. Dale. Simples.


Um pouco de ar.


Banho rápido. Qualquer roupa – hum... essa calca jeans precisa ser lavada... Cabelo molhado, ouvindo música – Almost Famous – pela ampla avenida até a estacao de metrô. O trem demora. Vagao cheio às 21h40. Atravesso o parque, chego à sua porta. Bato a campainha, mas acho qeu está quebrada. Jessi? Ela sai. Vamos comer.


Ar, ar, ar, ar...


Como é bom respirar. Como é bom conversar. Como é bom poder dizer o que se sente, o que se pensa, sem ter que medir palavras... Como é bom interessar-se pelo que a outra pessoa te conta e sentir-se ouvido, independetemente do assunto.


Agradabilíssimas horas. O mundo continua girando. Nao há por que surtar. Sim, eu sou normal. E ela também é normal. Nao estamos fechados ao mundo. E nem o mundo se acabou. Apenas uma questao e sintonia. De escolhas. E de afinidades.


Volto à casa aliviado, feliz. No MP3, Fito Páez. E nem dá vontade de mudar.


Acordo hoje atrasado. Banho, café e rua.


Muito mais tranquilo.


Fodam-se os pseudo estudos culturais.


Vou acabar de ler Malinowski. E, depois, Tristes Trópicos. E vou abandonar essa merda logo.


Se é pra ralar, que seja com Economia. E a esquerdar continuará sendo um deleite, nao um sacrifício. Eterno diletante. Eterna poesia.


 


Qual o problema de abandonar alguma coisa pela metade? Primeiro, a monografia. Agora, isso. E virao outras. A vida é feita de tentativas e erros. E descobertas... Sempre.

martes, 28 de noviembre de 2006

Tentando me encontrar

Antes de trocar de roupa e ir para o trabalho, deixo aqui algumas linhas.

Tentando me encontrar...

Achei engraçado quando outro dia me confiaram, quase como fofoca, a opinião que duas pessoas que admiro têm sobre mim.

"Pensávamos que o Marcelo era uma alma em transição. Mas vimos que é fraco."

Achei engraçado. Gostei. Não sei se concordo, mas gostei. E acho que tem bastante de verdadeiro.

O contexto é importante. A transição estaria marcada pelo abandono deste universo REL/Brasília/UNESCO/ricos e famosos - que não é bem verdade - em troca de uma vida Antropologia/Buenos Aires/sobrevivente... Ao anunciar minha intenção de mudar da Antropologia (e da FLACSO) para políticas públicas (na Di Tella), ao constatar minha preocupação em não apenas compreender, mas, também e sobretudo, ganhar dinheiro (sim, meus caro, adoraria ser rico, bem rico), meus admirados colegas teriam chegado à conclusão de que eu fracassei. Mais uma vez, eu tive um futuro brilhante.

Queria poder conversar sobre isso. Conversar com elas. Ouvir delas.

Como sempre, preciso de alguém que me jogue na cara possíveis verdades que talvez eu queira evitar.

Ainda que neste caso, lá dentro, sinto que não fracassei.

Porque ainda sou pura poesia.

(E não há quem me convença sobre a superioridade dos acadêmicos que adquirem prestígio graças à desgraça alheia - cientificamente estudada com o olhar superior do analista...)

Não sou hipócrita a ponto de dizer que me considero igual a todos os outros. Mas, cá entre nós, somos todos a mesma merda.

Só que eu sei que quero ajudar. E que quero fazer o bem.

Não porque sou bonzinho (Bewahr mich Gott).

Mas porque preciso disso para suportar a vida. Para dar algum sentido àquilo que não tem nenhum.

Vou ali colocar minha roupa de fracassado. Terno e gravata. Combinando, naturalmente.

 

Ps: Júlia, saudades de você. E adoro seu namorado...

 

lunes, 27 de noviembre de 2006

Bruta fuerza del vivir


Segunda-feira... Ai, ai... Mais uma segunda-feira. Nao dormi bem hoje. Nao sei se é minha insônia que ameaca voltar ou se é apenas consequencia dos horarios trocados... Sabem como é... No fim de semana, a gente troca o dia pela noite. Pensando bem, nem foi tanto assi. Ontem, levantei-me cedo e nao dormi durante o dia. Tampouco estudei – para arrepender-me depois. Por outro lado, descobri que, sim, posso tocar algumas músicas da Alanis no violao...


Foi um domingo agradável. Clima instável em Buenos Aires. As nuvens se juntam no céu, ameacam chover. E, depois, vem o vento e as espalha, como um cao que brinca com o monte de folhas recolhidas da calcada. Teimosas, elas voltam a reunir-se e a espalhar-se, em uma constante disputa por chegar ao chao.


Chegar ao chao. No fundo, será o que todos queremos. O delírio da queda rumo à realidade. Dura e sólida. Tátil.


Havíamos combinado de ir ao teatro. Fuerza Bruta. Espetáculo semelhante – mas inferior, é necessário dizer – ao De La Guarda. Inevitável recordar que há dois anos assisti a este, levado pela Laura. Em uma época em que ainda respirávamos poesia. Até ela ficar azul e morrer. E eu? Acho que emergi em púrpura. O acordo era nos encontrarmos todos às 18hs na Plaza Francia. Nao sabia muito bem quem era todos. Certamente, Bola e Sebas. Talvez os franceses e os italianos (eu rezava para que nao), os brasileiros que visitam o Bola, enfim. Saí de casa às cinco. Caminhando por Rodriguez Peña e depois por outras ruas estreitas (evitei as avenidas), escutando música, sem pressa, sem nada. Sentindo um pouco o vento mais ou menos frio, uma ou outra gota de água que caía do céu. Primavera... April, April, April, der weiss nicht was er will... Aqui é em novembro – um setembro atrasado.


Caminhar descompromissado pela feira da Recoleta. Mais vazia, devido ao tempo nao muito convidativo. Passando em frente ao Cemitério e, logo, à Igreja, ensaio o sinal da Cruz. Engracado. Mas nao tenho buscado muitas explicacoes... Olho para o relógio. Há tempo. E me atrevo a um passeio pelo Centro Cultural. Esculturas de Tonny Cragg que desafiam a gravidade. Tem uma que parece um cocô, mas é linda. Pesados pedacos de mármore ou bronze pendentes, encostados, como em um Dali. E que nunca caem. Poucos pontos de apoio. Um insólito levitar. Também alguns desenhos. Eu gosto. Acho divertido e bonito. Descubro que ele morou muito tempo – ainda morará? – em Wuppertal. Lembro do Schwebebahn e também de uma praca... Como se chama? Aquele rosto partido no chao... Linda escultura... Será dele? Já nao lembro se era algum escritor ou se era Marx... Acho que era Günther Grass... Continuo caminhando. Já nao há tanto tempo, mas dou de ombros. Eles sempre se atrasam. Vejo algumas telas mais, algumas fotos, ilustracoes, vídeos, quadrinhos, lencóis... Eu compraria alguns...


Chego à Plaza Francia. Cruzo ao Café Modena. E lá estao Sebas, Clari, Nicolás e Felipe. Depois chega o Bola e outros. Cruzamos rumo à Faculdade de Direito. Atrás é o parque de exposicoes.


O espetáculo comeca. Um homem corre. Corre. Atiram e continua correndo. As pessoas que se cruzam indiferentes. Olhares que se cruzam e se seguem. O tocar-se sem intimidade de uma rua na qual cada um segue sua trajetória individual. O esforco para que tudo continue fazendo sentido. E a tormenta. Sílfides que dancam sobre a água, vertical. A tentativa va do encontro. A impossibilidade de comunicar-se, quando apenas um plano parece separar-nos. Água. A tormenta. E lembrar-se entao o gozo de jogar-se contra a água, de brincar como crianca, de sentir o líquido correr pelo corpo, fluir como se gravidade nao houvesse. Empuxo. E jogar-se.


Bom, muito bom. Talvez seja um pouco o que eu busco, ultimamente.


Depois, já molhado, buscar algum lugar onde tomar uma cerveja. Praticar o contato, diria uma amiga minha... Deixar o tempo passar um pouco.


Volto caminhando para casa. Música. Sempre música. De volta o vento, já nas amplas avenidas. E as nuvens que continuam sua eterna luta por cair. Por jogar-se e ganhar os homens. Ganhar a terra. Fecundar o chao.


 


Depois, a insônia.


 

domingo, 26 de noviembre de 2006

Não há bem que sempre dure...

Nem mal que nunca acabe. Já diziam na minha sábia terra.

Pois bem, minhas últimas visitas foram embora... E Miss Perfection (and mother!!!) se muda ainda esta semana. A vida, sempre tendendo ao equilíbrio...

Hoje tem Fuerza Bruta, com Bola e cia. Bom. Muito bom.

viernes, 24 de noviembre de 2006

Don´t wish me a Merry Christmas!

Sim, eu sou um ranzinza, amargo, mal-humorado. Também sou implicante e cada vez mais difícil de conviver. Aliás, ontem o darío fez questao de me lembrar isso várias vezes, entre uma e outra cerveja... Quem mandou ter amigos que só te dizem a verdade? Fazer o quê? Simplesmente, nao suporto pessoas que levantam felizes, dao bom dia ao sol, aos pássaros, à vida, se olham no espelho e dizem: eu te amo, te encontram fazendo café e soltam comentários do tipo: nao é um lindo dia hoje? Talvez eu tenha herdado isso da minha mae, o estereótipo do mau humor matutino. Em sa (cadê o til, porra?) consciência, ninguém se atreveria a dirigir a palavra à minha mae enquanto ela realiza o trajeto cama-banheiro-cozinha. Só depois de tomar café, fumar um cigarro, respirar tranquila algumas vezes, é que ela se torna um ser minimamente tratável. Antes disso, bem, é como eu na maior parte do tempo...

Na verdade, nao sou assim tao insuportável. Adoro piadas, sou super pateta e nada me deixa mais feliz do que falar merda em boa companhia. Depois de duas tacas de vinho, entao, sou incontrolável. Há, inclusive, provas materiais dos vários vexames públicos protagonizados por este que vos escreve. E cada um de meus amigos tem um extenso arquivo que, seguramente, será de muita utilidade se algum dia eu tiver um futuro brilhante (o que, ultimamente, tem muito pouca importância...).

Eis que me levanto esta manha, no meu estado natural de benevolência (nula), quando tive aquela visao. Analizando retrospectivamente, acho que me detive, pelo menos, dois ou três minutos tentando entender, imóvel diante daquela figura, transtornado por tal realidade.

Nao é novidade que Miss Perfection está deixando a casa (sim, tive que me controlar para nao colocar um pronome possessivo na primeira pessoa antes do último substantivo). Mais precisamente, até sexta-feira próxima, espera-se (pelo menos, eu espero) que ela tenha realizado sua mudanca à casa do candidato a Mr Perfection. Confesso que tal perspectiva nao me desagrada, em absoluto. Permite-me, inclusive, tentar reestabelecer alguma (mínima) base de convivência social. "Como vai?", "Tudo bem?", "Quer tomar sopa?", "Como andam as coisas na faculdade?" sao frases que se podiam escutar ontem à noite entre Miss Perfection e eu. Estamos avancando, pensei. Com sorte, conseguiria apagar qualquer tipo de ressentimento até o dia de sua partida e, quem sabe, nutrir uma saudade, algo de nostalgia obviamente irracional, que me confortaria quando, anos mais tarde, me pusesse a recordar os primeiros dias da minha volta a Buenos Aires.

Pois bem... Caminhava eu pela casa abandonada - Miss Perfection deve ter ido para a casa do futuro Mr. Perfection ou entao passeia com seus pais, recém-chegados de Perfectionland - preocupado com coisas banais: trocar a areia do Haroldo, lavar a louca, tirar me roupa do varal, acabar o capítulo do Malinowsky, nao perder a hora para o trabalho, quando, subitamente, vi, sobre a estante de livros que fica na sala, aquele objeto.

Aproximados vinte centímetros de altura, formado por duas madeiras pintadas de verde escuro, de formato triangular, que se cortavam/encaixavam pelo centro, dividindo-se assim em quatro semiplanos perpendiculares. Embora auto-sustentáveis, apoiavam-se sobre uma estreita base cilíndrica, que dava ao conjunto a impressao de que flutuava no ar. Em cada semiplano, uma série de perfuracoes me diâmetro considerável criavam vaos circulares dos quais pendiam bibelôs os mais diversos: cubos e esferas coloridos, miniaturas de animais e humanos, sempre sorridentes... Sim, sobre a estante de livros da sala, acima daquele depósito (inútil, é verdade) de conhecimento acadêmico, Miss Perfection, em um derradeiro átimo de sua presenca naquela casa, havia colocado nada menos que uma pequena e singela árvore de Natal. "Feliz Navidad", se podia ler. Feliz Navidad.

Atônito - nao poderia haver outra palavra para descrever meu estado. Perdido entre o riso e o desalento...

Um dia antes, presenciara uma situacao similar. Na cozinha do Ministério, entre restos de frango e xícaras sujas de café, uma minúscula árvore de festao verde, salpicada com alguma gosma branca, recordava-me o imperativo de, nos próximos trinta dias, ser bom, tolerante, piedoso, etc, etc, etc. De guardar meu mau humor no fundo do ármario e vestir o feliz dominó do bem-aventurado. Dei de ombros, naturalmente.

E, entao, aquilo. Dentro de minha casa (nao pude evitar o possessivo), em plena manha, como um post-it na tela do computador ou um recado no alarme do celular, aquele lembrete. De que é Natal. E que é preciso perdoar.

Ok, I give in. Mesmo porque o Darío, como sempre, tem razao...

jueves, 23 de noviembre de 2006

Deu pane no português!!!

Meus caros, tenho que admitir, chegou ao inadmissível.

No comeco, eram os tils e alguns acentos que faltavam. Culpa do teclado argentino... Depois, uma crase que sobrava, um por que trocado por um porque, uma preposicao que nao cabia, enfim, miudezas, distracoes, lapsos... Pelo menos, era assim que eu procurava justificar algo que nao mereceria outro nome senao erro. Erros, no plural.

Mas a obscenidade chegou ao intolerável. E nem precisou que a Krishna me apontasse o dedo: eu mesmo tive que presenciar a fatal cena. Publicamente, diante dos olhos de todos, escrevi: fui mal. Sim, poderia ter tentado corrigir: foi mal. Mas a verdade é que nao era essa minha intencao. Eu errei mesmo. Grotescamente. Troquei mau por mal. Depois dessa, escrever fasso ou deicho parece piada. E nao tenho certeza de que esteja muito longe deste ponto.

Estarei eu encaminhando-me à grafia dos miguxos cibernéticos? O pior é que penso que meus dons jamais alcancarao tamanha complexidade. Estarei condenado à torpeza dos erros vis e vexatórios. À mediocridade dos corregidos, degrais ou irmoes...

Frente a este quadro desalentador, considero fortemente a possibilidade de fazer uma rápida incursao a Puerto Madeiro e jogar-me da ponte fálica... Seria uma morte digna.

Mas, como sou covarde, acho que vou encomendar uns bons livros de literatura, uma gramática, um dicionário e um manual de redacao e estilo. Porque está difícil fazer a manutencao do sistema em terras portenhas. E eu tenho vergonha na cara.

Amo todos vocês.

Beijos.

miércoles, 22 de noviembre de 2006

A ciencia da podridao e outras coisas


Tá, eu sei que nao devia falar sobre esse tipo de coisa aqui... Imaginem o dia em me torne um homem público importante (importante, pois públicos somos todos... bem, talvez eu quisesse ser um pouquinho mais... mas, neste caso, acho que seria rodado, nao público, a palavra mais adequada... mas estou perdendo o fio) e decidam usar essas coisas contra mim... Mas, enfim, quem nao deve nao teme. E é fato público e notório – pelo menos entre as pessoas que convivem minimamente comigo – que eu, simplesmente, nao sei segurar pum (ou peido, se preferem). Nao consigo e ponto. Nunca aprendi. Nao sei fazer. E nem me parece normal tentar. Convenhamos: todos peidamos. E o peido é também uma maneira de (re)conhecer o próximo.


Com a Caju, por exemplo, outro dia conversávamos sobre isso. Que amigo pode se considerar verdadeiro digno desse nome se nao é capaz de identificar seu contraparte pelo cheiro do peido? Nenhum, meus caros, nenhum. Aliás, com nada mais que o olfato, o verdadeiro amigo percebe se você anda comendo bem, se encheu a cara ontem ou se você precisa, definitvamente, procurar um médico.


Pois bem, dito isto, devo confessar que, atualmente, creio que surpreenderia mesmo os meus melhores amigos – incluindo a Caju, cujos dons olfativos superam minha compreensao, e o Darío, cuja cumplicidade em momento bostísticos é realmente assombrosa... O fato é: eu ando fugindo do meu próprio pum. E o pior: acho que conheco o motivo de tamanha mudanca.


A grande vila? The Coca Cola Company. Sim, meus caros!!! A Coca Cola deve estar fazendo isso comigo.


Tudo comecou na sexta-feira passada. Como de praxe, convidei uns amigos para jantar em casa. Lasanha em homenagem à comitiva brasileira que passava por Buenos Aires. Enchi a geladeira de cerveja, comprei uma garrafa de vodka e, para nao pesar a consciencia, comprei duas garrafas de 2,25 litros (sim, isso é medida aqui na Argentina) de refrigerante. Uma Coca e um Sprite. Naturalmente, a noite correu como devia, sem que qualquer pessoa sequer tocasse as garrafas de bebidas nao-alcóolicas (por sorte, também a vodka permaneceu intacta – trouxeram outras tantas garrafas de vinho e ficamos só nos fermentados mesmo...). Daí surgiu o meu dilema...


Nunca fui de tomar refrigerante. Nao gosto e dá gases (we´re getting to the point). Mas, criado que fui na ética de Dona Sarah, nao suporto a idéia de comprar algo e nao consumir... Me vi com aquelas duas garrafas na geladeira. Pensei: ok, o Sprite pode esperar pacientemente até a abertura da vodka. Afinal, Sprite com vodka connects people. Mas o que fazer com os 2,25 litros de Coca Cola. Tsssssssssssssssss. E os abri. Desde entao, ou desde o domingo, para ser mais exato, tomo um ou dois copos de Coca durante o dia. E o efeito é imediato. Puns insuportavelmente fétidos, que se projetam com incrível forca cu afora, com uma ânsia incontrolável de ganhar o mundo. Expandem-se rapidamente, provocando pavor e desespero em minha pessoa e semeando a discórdia entre os que me cercam. Constrangedor, é tudo o que posso dizer.


Ainda falta pouco menos da metade da garrafa. E fico pensando se resistirei até lá. Tenho considerado fortemente a alternativa de processar The Coca Cola Company por danos gastro-instestinais, materiais, morais e sociais.


Mas, meu maior medo: quando este pesadelo acabar, voltarei ao meu cheirinho habitual de antes? Temo que meus amigos nao suportariam tamanha perda...



 


 


Mudando de assunto, adorei um bafón que publicaram no La Nación de ontem. Este é um dos jornais mais lidos aqui na Argentina. Tem uma linha editorial bem conservadora, de direita, com forte influência católica. E eis que uma das colunas de opiniao de página inteira de ontem se referia ao grande tópico do atual do parlamento italiano. Como eu sou péssimo com nomes, o relato ficará bem menos interessante, mas vamos lá.


Como é de conhecimento geral, o Parlamento italiano sempre arrasa – como tudo naquele país, desde a máfia até Versace. Pois bem, depois da Cicciolina, elegeram ano passado a primeira trava a ocupar um assento na câmara representativa no mundo. A mídia diz que ela é trans, mas, técnicamente, é trava mesmo – e nao parece demonstrar a mínima intencao de tirar o bilau. A D O R O. Pois bem, provavelmente em um dia de discussoes acalouradas, a deputada deve ter exagerado na água e teve que ir ao banheiro. Feminino, naturalmente. Quem estava por aquelas bandas? Nada (nada mesmo, porque essa criatura com certeza nao é gente) menos que a neta do Mussolini. Sim, na Itália, diferentemente da Alemanha, essas figuras nao apenas sobrevivem, como ainda podem ter carreira política... A facista querida, criada na melhor das tradicoes, naturalmente, sentiu-se ofendidíssima pela presenca da colega boneca. Nas palavras dela, sentiu-se agredida sexualmente. Deve ter sido alguma coisa meio Cocoon (se escreve assim), porque, pelo menos segundo nos consta, nao houve qualquer contato físico entre as duas (para a sorte da nossa colega trava – porque podridao pega...). Resultado: bafafonds forte no parlamento... E o La Nación cobrindo, com página inteira. A D O R O.


Mas adoro mesmo é um outro deputado, La Russa. Perguntado sobre o que achava da situacao, ele disse: se fosse a Sra. Mussolini, estaria mais preocupado com a outra deputada (nao me lembro o nome, merda), que é lésbica. Arrasa!


Como resolver? Pensaram criar uma terceira categoria de banheiro. Hum... qual seria a plaquinha na porta? Mandem suas propostas.


Taí o link para nao acharem que to mentindo: http://www.lanacion.com.ar/860630.



 


 


Piadinhas a parte, hoje seria aniversário do meu tio Nicola. Uma tristeza fina corta o dia. Saudades do meu companheiro de xadrez. Mais pai que o meu próprio... Saudades.


 


Saudades também da Jade. 28 anos ontem. E eu ainda nao fui visitá-la na fazenda... What a shame...

lunes, 20 de noviembre de 2006

Balanco da semana




  • Baladas fortes: 5 (Mint, Cream, After-Cream, Museum, Club 69)


  • Saidinhas leves: 5 (Sebas, La Cigale, minha casa, Romario “para llevar”, San Telmo no domingo, pós Caju)


  • Dias úteis: 3 (atestado báááásico na quinta e na sexta).


  • Dias inúteis: 4 (domingo pós Cream, sexta, sábado e mais um domingo – já pós Caju).


  • Caixas de antigripal: 2 (e hoje compro a terceira – valha-me Tabcin)


  • Xícaras de chá: várias. Nos piores momentos, com muito mel e limao.

Mais, um romance lido, alguns capítulos de Malinowski, mais um livro novo, várias palas, algum desentendimento, e-mails apra minhas irmas, muitas alegrias. Dois foras... Kkkk. Loser! E outras tantas coisas que nao dá para enumerar aqui...


Mas, definitivamente, o saldo é positivo – com muita folga.


E que importa se, depois de tudo, bate aquela tristeza? Se, no fundo, insiste aquela dorzinha de se sentir só?


Sao coisas independentes. Obedecem a lógicas distintas. Compartilham o mesmo eu. E nem se anulam, nem se complementam. Simpleste, sao. Este mosaico dinâmico de caquinhos juntados ao longo do caminho. Em uma eterna entropia cada vez mais profusa de sentimentos sem sentido certo, preciso. Sem muros, paredes. Nem sonhando, nem pensando: sem entender, sem distinguir entre o conhecido e o por conhecer.


Palavras claras? Diretas? Demandas expressas em setencas unívocas. Nunca as terei. Se um dia as tive, é porque perdido estava. Hoje, continuo perdido. Mas certo de que é este o caminho. Algum caminho. E que nao sei bem que caminho é.


Um pouco mais adiante. Cada dia, um pouco mais. Sempre. Até topar-me com uma pedra. Ou um abismo. Ou o fim – que é sempre um novo comeco.


Poderia dizer que é a febre. Ou o Tabcin. Ou nada.


Na verdade, sou apenas eu. Sem razao. Poesia descomposta. De um poeta sem musa, mas, ainda assim, apaixonado pela vida.


 


A visita da Caju vai deixar saudades. Mas, mais do que isso, deixa um gosto bom de sentir que, nao importa o que passe, os amigos sempre ficam. E que algumas pessoas sao, simplesmente, especiais.


Saudades também da época quando, para todas as outras coisas, existia Mastercard... Ai, ai...

jueves, 16 de noviembre de 2006

Jaca pouca é bobagem

Estou seriamente preocupado. Li no Clarín ontem, matando um pouco do meu tempo ocioso enquanto esperava que me concedessem uma bendita reuniao, que, por volta das 15hs daqui, o messenger comecou a dar pau em todo o país. Em tom sério, o jornalista advertia que, embora foie possível conectar-se, já nao se podiam enviar mensagens instantâneas. Pânico, naturalmente.


A nota nao parava por aí. Fontes oficiais da Microsoft informavam que o problema se devia à uma atividade de manutencao previamente programada na regiao. Supostamente, tudo sob controle, portanto. Mas o jornalista-ivestigador desconfiou. Fucou aqui, fucou ali e gracas aos seus informantes internacionais (cujas identidades sao mantidas em sigilo conforme a ética profissional) descobriu que em parte da Europa, Estados Unidos, Ásia, quem sabe, o essencial aplicativo tampouco funcionava.


Confesso que tive algum receio. Nao sou muito fa de contatos virtuais e nao gosto muito de bate-papos. Na realidade, é muito exclusivo o grupo de pessoas com quem me comunico por este meio e, faltando o messenger, haveria outros meios. Mas pensava no impacto que uma eventual pane no sistema poderia provocar em minha vida. Por exemplo, perder a lista de todos os meus contatos... Isso me aconteceu uma vez quando roubaram um antigo notebook meu (junto com todos os milhares de músicas dentro dele, para meu pesar)... Nao sou muito sistemático com essas coisas, mas várias vezes a agenda de contatos do hotmail me salvou da negligência ou do esquecimento... Talvez eu me compraria um caderninho desses bonitinhos e voltaria a escrever, primeiramente em horrível letra, depois com uma caligrafia remediada, as referências de meus contatos mais importantes... Obviamente, a cada cinco ou dez anos teria que passar tudo a limpo. Fazer o quê?


Na verdade, essa nao foi uma preocupacao muito grande. Mas nao posso mentir: desde entao, estou pensando seriamente em guardar todos os meus textos do blog em um lugar um pouco menos virtual. Nao: nao me preocupo com o futuro da literatura mundial. Mas, volta e meia, me divirto lendo linhas antigas...


 


Mudando de assunto: estou doente. Gripe. Nariz escorrendo, congestao, algo de tosse, febre, suor, mal-estar, enfim. Tudo recomenda repouso. Mas nao é à toa que meu tio, desde pequeno, me chama Teimosao. Além do mais, Caju, Nane e outras tantas pessoas na cidade, baladinha grátis, música boa... Antigripal, antifebril, descongestionante, e outras coisas que meu parco conhecimento médico nao me permitem identificar: para dentro. Marcelo: para fora. Chuva? Qual o problema? Convenhamos: você também passou nove meses no molhado e nem por isso era ruim. Pára taxi, desce na Museum, uma ou outra cerveja e depois o que te oferecem (vodka, de preferência, afinal, ser leal é importante). O resto, você já sabe. Marcelo dancando freneticamente, gritando horrores para se fazer escutar, cantando a pulmao pleno quando toca Elevation... Sim, eu estava afônico à tarde e hoje estou completamente mudo. Mas ontem... ai, meus caros... na balada a gente pede altas até para Jesus (aliás, principalmente para ele, porque o inferno é muito mais legal...). Tá, nem tudo é perfeito. Em um determinado momento você sente falta daquele beijo... Mas tá valendo. Afinal, fim de ano vem aí e acabei de saber: o destino é Rio, com direito a Black-Eyed Peas gratis. Pergunta se eu vou? Theys: get ready! We gonna dance all night long (e depois decide o que fazer depois do meio-dia...).

E hoje tem Club 69.

 

Pd: Paloso 2

(Tá, confesso, nao me lembro da conversa precedente...)

- Os nomes masculinos aqui têm muitos A´s.

- Ahn?

Repiti, achando que nao dava para entender por causa da minha voz de sono.

- Anh.

Caralho! Tá surda. Repeti, articulando bem as palavras.

- Tá, já sei. Mas e?

Putz, viajei de novo. E, acho que os nomes daqui têm A´s proporcionais à quantidade de tinta azul que falta nas minhas calcas jeans... Será que devo procurar um médico.

Desistimos e fomos dormir.

miércoles, 15 de noviembre de 2006

Tosqueira aparente


(antes de tudo, peco desculpas pela ausência de cedilhas e tils – o teclado espanhol nao tem essas opcoes...)


Nao tem jeito. Eu tento, tento, tento, mas, mesmo sem querer, acabo sendo tosco. Simplesmente nao domino as regras da etiqueta. E nao consigo disfarcar como sou, muito menos entre amigos.


Eis que Nane veio visitar-me novamente. Na verdade, muito pouco provavelmente sou eu o motivo da visita. Mas o fato é que novamente tenho o prazer de recebê-la em minha casa. O evento é particularmente oportuno. Da última vez que veio, nossa relacao foi muito distante, fria, quase formal. Eu, entao, acabara de chegar a Buenos Aires e nos encontrávamos em tempos e ritmos distintos. Nao houve lembrancas de Gate´s e UK-Brasil, nem antigas histórias de Portugal ou de CM, nem novidades sobre nossas respectivas vidas amorosas... Os dias passaram e sua presenca apenas tangenciava minha existência. Ficou uma tristeza. Assim foi que recebi com alegria a notícia de seu retorno, apesar dos perrengues com Miss Perfection (“mas vocês nao morrem!!!”).


O vôo estava previsto para cegar às 23h30, em Ezeiza. Talvez, quarenta minutos em taxi e ela estaria em casa. Isso, naturalmente, nao fossem os atrasos no sistema aéreo brasileiro. De Sao Paulo, ela me ligou avisando que chegaria, pelo menos, 1h30 mais tarde. Sem problemas. Saí com a Caju para tomar umas cervejas no La Cigale (impresionante ir só agora a este bar que era reduto do intercambistas em 2003... eu realmente nunca me senti um deles...), voltamos caminando na noite quente portenha e dormimos, apesar do calor. Deixei a porta aberta para escutar o interfone.


O sono foi inconstante, agitado. Finalmente, tocou. Desci para abrir a porta e recebê-las (ela veio com a Anke, uma holandesa que ainda nao conheco). Abracos, alguma tentativa de articular algumas palavras em meio ao meu estado de semi-transe... Cegamos ao apartamento e deixei que ela apresentasse minha casa à amiga, enquanto eu voltava para minha cama e para meu sono...


Tosco, eu sei. Custava ter conversado um pouco? Oferecer algo para comer (elas deviam estar famintas, penso agora)? Mostrar a casa e deixá-las mais à vontade? Nao, nao custava. Mentira: sim custava, mas muito pouco. Quase nada, se comparado à satisfacao de sentir que se recebeu bem a uma pessoa querida.


Mas vai pensar nisso às 3h30 da manha... Assim, deixei sozinha uma pessoa que tantas noites varou comigo em tempos nem tao remotos...


Tosco, eu sei. Mas uma tosqueira apenas aparecente. Porque, no fundo, sei que nada foi por mal. E que, quem entra à minha casa, só o faz porque o merece (ou entao é convidado de Miss Perfection... fazer o quê?)

martes, 14 de noviembre de 2006

Parabéns para a mestranda!

Tudo bem, quando as coisas vao bem.

Hoje saiu a resposta do processo de admissao do mestrado da USP. Cashew foi aceita para o mestrado em educacao! Logo: comemoracao hoje. Pai, afasta de mim essa jaca! Mas os amigos merecem. Merecem muito mais, aliás.

Eu vou tentando reunir aqui os documentos que preciso para apresentar a minha candidatura ao outro mestrado. Gosto de Antropologia, dos professores, etc. Até tenho vontade de fazer trabalho de campo e realmente fico feliz quando resolvo estudar. Mas, convenhamos: dinheiro também é importante nessa vida, nao é mesmo, minha gente? Ou seja, vou colocar o idealismo um pouco para dormir e voltar ao mundo real. Fraqueza da alma? Nao, meus caros... Gostos refinados custam caro. E eu adoro poder sair para jantar com meus amigos sem ter que pensar se o cartao vai passar ou nao...

lunes, 13 de noviembre de 2006

Em busca da resistência física

Ai, ai... A semana vai ser longa. Difícil mas ótima, com certeza. Vamos ver até onde o corpo agüenta...

Hoje acordei cedo como sempre. Arrumei algumas coisas e tentei avancar um pocuo a bendita traducao... O que a gente nao faz por um trocado, nao é mesmo, minha gente? Tudo para poder sair um pouquinho mais, dormir um poquinho menos...

Mas o fato é que ainda sinto o peso da acabacao do fim de semana... Devíamos ter direito a um domingo bis umas quatro ou cinco vezes por ano. Para repor as horas básicas de sono. Se bem que dizem que nao há isso de reposicao de horas de sono: perda irreversível e irreparável. Mas quer melhor perda que essa?

Enquanto isso na reparticao pública, aproveito essas horas do dia quando ainda há pouca gente - sim, a maioria das pessoas comeca a chegar lá pelo meio-dia... E quem falava mal do Estado brasileiro... Nem se compara ao argentino... Daqui a pouco, será inevitável acordar de vez e pegar no tranco. Mas só até as 4hs (sim, meu expediente é reduzido. A D O R O), porque depois tem mais Caju. Eba!!!

Uma boa notícia: encontrei de novo minha caneta! Pode parecer bobagem, mas tenho uma caneta de pena que comprei por algo menos que dois francos na Migros (supermercado do povao na Suica) e que é simplesmente um artigo fundamental na minha vida. Nada é mais confortável que ela (ok, a minha Lamy era, mas quebrou e nao existe mais...). Entrei em pânico no fim de semana quando procurei no estojo e nao a encontrei... Justo porque na sexta eu tinha tomado o maior cuidado em tomá-la das maos de uma mocréia aqui do trabalho que surrupiosamente já ia guardando a dita cuja no porta-lápis xumbreguésimo... Pesadelos só de imaginar a maldita arreganhando a pena. Só Augusto dos Anjos para descrever a cena... E logo, imaginar que todo cuidado havia sido vao. Por sorte, foi apenas descuido meu (blame on me, blame on me) que a tinha deixado sobre a minha mesa... Ai, ai... Respiro aliviado.

 

Pensando em ouvir música. Mas acho que meus ouvidos merecm um pouquinho mais de cuidado...

Ah, que sono...

domingo, 12 de noviembre de 2006

Creamfields 2006

O que escrever? O que dizer além de: "foi ótimo"?

Três anos depois. A mesma festa e tudo tão diferente.

Mas várias coisas que marcavam que ali tratávamos de dar continuidade a algo que não terminou nunca e que sempre continuará. No final, os amigos sempre ficam.

Faltou o Dario - sí, viejo, te extrañé muchísimo toda la fiesta y, una vez más, mientras nos íbamos entre millares de personas, miraba hacia todos los lados esperando repetir el encuentro de hace tres años cuando, tras haber pasado toda la noche prácticamente solo, te encontré a vos y a tus amigos, parra cerrar con gran finale mi noche que si no hubiese sido tan solo excelente, pero no muy linda...

Mas estavam Bola e Caju... Dois companheiros que juntos chegamos a esta cidade, juntos partimos e depois cada um voltou, à sua maneira, com suas lembranças, com suas histórias, com seus planos. Bola e Caju: minha noite foi muito mais linda por ter passado com vocês. Eu os amo!

Mas o que contar? Talvez dizer que chegamos às 23hs, já no meio da festa, que desde o início da tarde começara em Puerto Madero. Eu a procura do Cajero del Banco de la Provincia, que não existia. Ou se existia, não existiu. Perder-me de todos e depois encontrar-me, para então não separar-me mais.

Dezenas (centenas?) de milhares de pessoas. Todos os tipos. Muitas mais lindas que outras. Outras nem tanto. Gente que frita ao lado de gente que vai para observar o que aquele cara faz para transformar batidas, vozes, ruídos, em uma inexplicável experiência. Um pacífico tumulto para disputar um lugar dentro do campo de sonoro. Maré de corpos que se movem - em trânsito ou não, mais ou menos violentamente. Depois é vento, e campo. Frio? Algum. Seguido de um calor gostoso ao dançar com os olhos fechados ou das mãos que massageiam ao ritmo da música.

E assim até acabar-se o último set. Depois, caminhar rumo à próxima festa, ao longo do rio, uma manhã de céu azul, sem nuvens. Mais festa, mais música. Mais e mais e mais. Tudo adquire sentido em seu momento, pra depois desfazer-se plenamente. Não sobrarão além de borrosas recordações de que se foi feliz.

Comendo medialuna recheada com jamón y queso em um dos poucos cafés abertos em um domingo de sol. Ao lado da pessoa mais querida. Sim, fomos felizes.

Faltaste vos, Daro.

sábado, 11 de noviembre de 2006

Paloso

Acho que a conversa era sobre mudanças, sobre aproveitar a vida, sobre se permitir viver. Só acho, porque a essa altura já não tenho qualquer certeza de nada.

E de repente.

- Eu tava pensando em tingir minhas calças.

- Ahn?

Oops. Quê?

- Ahn. Féxion.

- ...

- Claro, porque em Sampa tudo é féxion e aqui tudo é féxion, e tudo a ver com mudanças.

-Claro, claro. ... Vamos dormir?

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

O Ministério da Saúde adverte: pessoas não são nada confiáveis depois de várias garrafas de vinho, baladinha e várias quadras caminhando de volta para a casa. Ainda menos às 6, 7 da manhã.

Te amo.

Vou fazer estrogonofe. Nhami.

viernes, 10 de noviembre de 2006

Mais um. E nunca o mesmo.

Sexta-feira, finalmente.

A semana foi agitada. As próximas serao ainda mais... Ah, como é bom perder-se nesse ritmo alucinante. Pensar, pensar, pensar. Para quê? Nao há sentido no pensamento que se projeta para além dos próximos instantes. As conjecturas metafísicas, as inquietacoes filosóficas, os questionamentos existencialistas... Hell with that. Prefiro perder-me embriagado na vertigem dos acontecimentos. Saltar de um a outro, continuamente, ininterrupto. Ir somando incoerências que vao compondo um mosaico que, no fim, sou eu. Muito mais autêntico que todas as minhas próprias racionalizacoes.

No fundo, será por isso que nao pude conviver com Ms. Perfection. E como com ela, inevitablemente esbarrarrei nas quinas que se multiplicam por aí. Arestas de quadrados perfeitos aos quais, eu, viscoso, amorfo, jamais me encaixarei.

E, portanto, hoje é sexta. E chega a Caju. E muitos outros. E vem a Creamfields. E depois mais. E mais.

A intensidade de sentidos. Que talvez nao me satisfarao. Mas certamente aliviarao a dor de saber que nao existe muito mais além deste imenso vazio.

Enquanto o amor nao vem. E depois que o amor se quebra.

jueves, 9 de noviembre de 2006

Baile de Máscaras ou Hoje acho que nem Monk me salva

Play that sax! Let the piano rule...

Porque hoje merece.

Baile de máscaras e, oops, acho que caiu.

Não era sem tempo.

Hilário ver Ms. Perfection em plena contradição...

 

Conto. Sem muitos detalhes porque pode ficar chato.

Todos sabem que Ms. Perfection se muda. E também sabem que Pedrinho vai substituí-la. Melhor dizendo: vai desbancá-la, porque Pedrinho é mooooooiiiittttooooo melhor que Ms. Perfection. Ela até fingiu uma alegria em saber da notícia. Digna. Claro, não seria diferente.

Eis que no intervalo, um desconhecido colombiano se interessou em mudar para o ap também. Pensei que não. Mas o menino se dizia sem lugar para ficar. Magnânimo, disse: tudo bem, vc pode ficar por uns dias para não ter que ficar em baixo da ponte. O colombiano, que pela folga podia ser brasileiro (tenho que admitir, a América Latina tá infestada de folgados...), entendeu: posso ficar um mês inteiro. Entendeu errado, naturalmente. Eu até ia corregi-lo, mas ele já meteu a mão pelos pés antes...

Sem ter nada combinado comigo, liga para casa e fala com Ms. Perfection. E fala tudo: que fica um mês, que quer saber quanto tem que pagar, que passa no dia seguinte para visitar o lugar e, o que é mais, pega o endereço. Ms. Perfection, boa, dá o endereço. Como já era noite e eu tenho uma vida social, só vim a saber disso hoje... Enfim, a merda já estava no ventilador e eu só esperando o ventinho...

Estava escrevendo para o colombiano para explicar que as conclusões dele estavam equivocadas, que uns dias é distinto de um mês e que eu não pretendia que el ficasse eternamente no apartamento... Enfim, mais uma vez ele se adiantou. Tocou o telefone. Já não gostei da voz... Com minha conhecida sutileza, expliquei que uns dias são uns dias e que não ia cobrar um mês justamente porque não queria qualquer compromisso e que o que eu estava fazendo era só porque ele tinha dito que não tinha lugar para ficar. Ele pareceu que entendeu e ponto.

Nada... Depois de um dia puxado mas maravilhoso de trabalho, encontro Ms. Perfection e seu pretendente mais uma vez debruçados sobre os computadores tentando fazer a bendita prova deles. A cozinha continuava suja (menos suja que duas horas antes, quando passei em casa com a intenção de comer alguma coisa e tive que mudar de planos porque era impossível esquentar uma água para fazer um chá sequer). Ms. Perfection se levanta e vem falar comigo. Se o colombiano vai ficar um mês, etc, etc, corresponde pagar o aluguel. Opa!

Disse que ele nâo ficaria um mês. Ah, mas ele disse. E que me importa o que ele disse? Eu digo que não fica. Ah... Não sabia o que dizer. Repeti a história. Contei do meu drama: na nossa cultura maldita, oferece-se a mão, querem o braço... E eu já arrependido de ter querido ajudar um pobre doutorando sem lugar para morar... Enfim. Ficou claro que Ms. Perfection não queria que o colombiano viesse. Tentava argumentar e não conseguia. Subiram os ânimos. E onde estão os argumentos??? E bastaria dizer: não quero. E ponto. Mas não pode. Porque não é certo. Porque o menino não tem casa. Porque eu já dei minha palavra. Porque não. Porque eu estive errado em não consultá-la. E porque se ele fica um mês... Etc, etc, etc.

Claro que escrevi para o colombiano dizendo que já não rola. Enfim, ele tem gingado suficiente para encontrar um puxadinho para ele. Só não sobra inteligência... E, naturalmente, tive que repetir várias vezes com todas as letras: sim, a decisão é minha de dizer ao colombiano que não venha porque eu não quero. Não é mentira. Mas também é verdade que Ms. Perfection não quer. Ah, mas isso é muito feio. Isso não pode...

Veremos como isso acaba. Semana que vem chegam duas amigas minhas. Já não haverá a desculpa do desconhecido... Além do mais, ela conhece as visitas... Então? Será que quebra a máscara?

Façam suas apostas, amores.

Eu vou viajando no piano do Monk...

E fazendo minha tradução... Porque dinheiro nunca sobra!

 

miércoles, 8 de noviembre de 2006

Registros rápidos...

E, finalmente, de volta ao ritmo insano da vida normal.

A semana começou a toda e estou tentando descobrir quando vou fazer os milhões de coisas que tenho que concluir o mais rapidamente possível. Isso inclui trabalho formal e não-formal, mestrado e amigos, naturalmente. Não precisa nem dizer: havendo oportunidade, beijar na boca também entra na roda. Ficando só depois de amigos na listinha de prioridades...

O fato é: depois de três meses de vida quase férias (tá, não era bem assim, mas deixa eu exagerar), há quatro dias que tudo com o que mais sonho é uma puta massagem para desfazer os nós de mármore nos meus ombros. Enquanto nenhuma mão caridosa se habilita, vão me salvando Monk, Coltrane e Davis. E Ella e Billie. E banhos quentes com bucha e sabão cheiroso...

E vou pensando: cadê aquela vaca da Theys que desapareceu do mundo??? A propósito, onde estão as outras vacas BestFriendforévis???

Para a alegria geral da minha nação, a Caju chega essa sexta. Contando os minutos.

No mais, Pedrinho vai substituir Ms. Perfection. Melhor, impossível. To começando a acreditar nesse treco de serendipity...

E dá-lhe Timberlake e Williams para começar o dia!!!

 

Ps: recomendo fortemente o post do Man In The Box de ontem. Mais rótulos para brincarmos!!!

sábado, 4 de noviembre de 2006

Serendipity

"the lucky tendency to find interesting or valuable things just by chance"

Como as pessoas que vão cruzando meu caminho, o poema que inadvertidamente chega aos olhos, a música de fundo em um restaurante...

Ou como encontrar, em um livro de Stephen King, semelhante tesouro. Claro que não fui eu (valha-me, Senhor!!!), mas, se serve de desculpa, ela só tinha 13 anos. E lia no original, tá??? hehehe. Te amo.

 

Hoje é sábado e tomo meu café antes de sair para a faculdade. Sim, este é um daqueles em que me corresponde brincar de universitário. Não desgosto. Ao contrário. Mas, em um sábado assim, com tanto sol, com tanta luz... Em um sábado assim, amanhecido depois de uma sexta tão triste, de uma dor calada tão fina... Talvez eu preferisse deitar-me na grama, ouvir música e pensar que tudo já vai passar...

 

Serendipitious... Assim é minha vida. E com carinho me lembro das profecias de meu falecido avô, tão freqüentemente recordadas por meu tio-pai (o que ainda vive...). Há pessoas que vêem coisas que jamais verei. Mas confio. Fecho então os olhos e deixo que o tempo passe. Novas pessoas chegarão e habitarão minha casa. Novas músicas entrarão pelos meus ouvidos e, pelo menos por um tempo, essa dor já vai passar - e, por alguns dias, tudo transbordará em alegria.

 

Há dias em que tudo o que se necessita é um abraço. Ou mesmo menos. Y sin embargo...

jueves, 2 de noviembre de 2006

Suas vacas!!!

Vacas estão na moda - e na política.

Primeiro foi o Prof. Paulo Kramer, que chamou publicamente uma aluna de vaca em uma lista de discussão de uma pós. Hoje, é a Eliana Castanhede da Folha que nos conta que recebeu e-mail de um alucinado chamando-a pelo mesmo termo. No primeiro caso, a vaca era petista. No segundo, anti-lulista.

Como já diria minha amiga Claire: vacas são dignas. E estão em voga, pelo jeito.

(como sempre: adianto tendências... chamo minhas queridas amigas de vaca há séculos. fino)

(a Suíça deve estar felicíssima com essa nova onda)

miércoles, 1 de noviembre de 2006

Morte anunciada de Ms. Perfection


E quando tudo vai bem... Pode piorar. Ou melhorar. Tudo depende do ponto de vista. Ms. Perfection está de mudanca... Vai morar com o namorado chavista. Já estava previsto... Ainda nao sei se estou triste. Mas também nao estou contente. Construir um personagem dá tanto trabalho... Ter que comecar tudo de novo a partir do material bruto. Enfim, bonne chance et courage.


Nossa convivência havia melhorado significativamente na última semana. Milagre? Nada disso... Resultado natural de nossa menor contato. Primeiro, suas longas estadias na casa do candidato a Mr. Perfection. Logo, viagem a casa dos pais. Mais de duas semanas... chegava a duvidar se ainda me lembrava de sua fisionomia... e até senti saudades. Tanto que, de volta ao lar, voltamos a uma relacao cordial, com direito a compartir refeicoes e superficialidades – mais do que isso, jamais, afinal, aprendi que isso de fazer a íntima nao costuma terminar bem...


No fundo, gozava deliciosamente o fato de, morando na mesma casa, ter vivido uma vida que ela totalmente desconhecia. Coisas que vao desde almocos e jantares a amigos – alguns em comum, inclusive – até ímpetos de luxuria, passando, naturalmente, pelos passeios pelado à cozinha... E ia deixando, perfidamente, pistas espalhadas por aí, para que ela talvez desconfiasse, mas jamais estivesse certa sobre o que havia acontecido...


Enfim... Mas eu acho que já sentia que ela ia embora, que eu perdia Ms. Perfection. Foi entao que resolvi seguir o conselho do Bola: adiante-se a ela. Ser gongado, assim, de surpresa? Imagina!!! E, aproveitando a rara ausência do futuro pai de sua prole, introduzi o tema. “Vocês nao pensam em morar juntos?”. A resposta nao poderia ter comecado direferente (Theys: you’re simply right): “entao, na verdade...”. E me contou que pensava mudar-se em dezembro ou janeiro. Quis falar sobre a relacao – a nossa – e eu desconversei finamente... Quero deixar bem claro: discussoes de relacionamento só valem a pena quando há recompensas sexuais.


Pensei em derrubar uma ou duas lágrimas. Mas pareceu um pouco patético. Um sorrizinho simpático, um olhar “que pena, mas seja feliz” e de volta aos nossos mundos. Comecei a difundir a mensagem: casting aberto para o substituto de Ms. Perfection. Já em outro roteiro, é claro...


Frio, eu? Diga isso à proprietária do meu apartamento. Já dizia Cat Stevens.... Uh, babe, babe, it´s a wild world. It´s hard to get by just upon a smile...

lunes, 30 de octubre de 2006

Gimme pop

Eu sou um eterno romântico... Além de incondicional amante do pop. Eis que me encontro escutando o novíssimo CD do Justin Timberlake - ex N'Sync, sim... - em plena segunda-feira de manhã, enquanto leio as notícias sobre o futuro do Brasil para os próximos quatro anos, tomando mate na cinzenta Buenos Aires...

E assim vai começando a semana, depois de um lindo fim de semana...

E confirmo que minha vida é apaixonar-me continuamente pelas pessoas que me cercam e ir encontrando outras tantas que entrarão para meu inventário de pessoas queridas. Porque a vida não vale senão assim...

E, silente e calada, bate aquela dor de tanto amar. E continuar só.

 

Pd: enquanto isso, Bellinha me brinda com a beleza da vida. Te amo.

 

(Another Song) All Over Again

By Justin Timberlake

in FutureSex Lovesounds

 

You've been alone
You've been afraid
I've been a fool
In so many ways
But I would change my life
If you thought you might try love me

So please give me another chance
To write you another song
Take back those things I?ve done
Cause I?ll give you my heart
If you would let me start all over again

I'm not a saint
I'm just a man
Who let heaven and earth in the palm of his hand
But I threw it away
So now I stand here today asking forgiveness
And if you could just

Please give me another chance
To write you another song
Take back those things I?ve done
Cause I?ll give you my heart
If you would let me start all over again

Little girl, you're all I've got
Don't you leave me standing here once again
Cause I'll give you my life (yes I would)
If you would let me try to love you

So please give me another chance
To write you another song
And take back those things I've done
Cause I'll give you my heart
If you would let me start all over again
Again oh
No no
oh oh

You know I love you (yeah)
Give me one more chance
No No
No No No No

viernes, 27 de octubre de 2006

Sobre laranjas...

 

Eu prefiro laranjas com casca grossa. Pode parecer uma bobagem, mas é um detalhe super importante. Aprendi com minha avó a comer a laranja em sua totalidade. Bem, na verdade, não. Deixo casca e sementes de fora. Mas adquiri com ela o hábito de, depois de chupar bem a laranja, dar-lhe volta e comer os gomos, um a um. Dá para entender? Um europeu não entenderia. Porque lá eles comem laranjas como se fossem mexerica… Mas laranjas são muito diferentes de mexericas… A propósito, adoro mexericas. Não confundamos as coisas porém.


Daí a necessidade da casca grossa… Talvez você já tenha tentado descascar uma laranja. Eu adoro descascar laranjas. Como fazíamos quando éramos criança… Na verdade, naquela época era sempre uma tia que descascava as laranjas. Ia formando aquela tira de casca, o grande desafio sendo descascá-la inteira sem que a tira se rompesse… Depois rodávamos a tira falando as letras do alfabeto para descobrir a inicial de nossos futuros amores… Hoje vejo diminuído meu interesse por tais técnicas adivinhatórias, mas não minha obsessão por producir aquela tira comprida. O retilíneo ex-esférico…


Mas as laranjas que comprei ontem têm a casca fina. Tão fina que mesmo um especialista como eu não consegue descascá-las a contento… Pior: ao dar-lhes volta, já não posso extrair os gomos murchos, expremidos, um a um, com meus dentes… A casca, cheia de buracos, se gruda aos gomos e já não é tão gostoso…


Talvez as da semana que vem, como as da semana passada, venham melhor. Melhor dizendo, mais a meu gosto. Porque eu gosto de laranjas com casca grossa…


 


E eis portanto que é sexta e aos poucos vai entardecendo. Choveu todo o dia e o sol agora se despede firme no céu. Espero que como promessa de fim de semana ensolarado. Vejo-me então em meu eterno dilema. Se faz sol, estudarei? Sempre há a fuga mentirosa de dizer "claro, pego os livros, vou para a praça e fico aí, lendo, sob o sol". Mas acho que essa já não cola. Para mim, a única solução mesmo seria que chovesse. Um desses dias cinza e úmidos, que dá vontade de ficar em casa, abraçado com o amor da sua vida. Pois bem, dada a ausência de amor, ficaria com os livros que há tanto abandonei. Irresponsavelmente, é claro… Mas acho que não vai chover. Então terei que decidir. Como são ruins as decisões às vezes.


 


Mas ruim mesmo é não saber ainda o quê fazer na sexta a noite. E ficar esperando as pessoas decidirem para você se encaixar no plano alheio…


 


Como não me responderam, volto a perguntar: onde compro o amor da minha vida? Pago com cartão de crédito. Entregam aqui em Buenos Aires?


 


Acho que vou chupar outra laranja. Ou então dormir e me preparar para os planos que virão. Porque estudar na sexta-feira vai contra os meus princípios (oh gosh, I must be really fucked up).

domingo, 22 de octubre de 2006

Trilha flamenca

Um dia de flamenco... É quase voltar à casa. À casa já quase olvidada, a raízes tão profundas...

Sexta-feira fui ao show da Niña Pastori - maravilha da música flamenca que Ilana me apresentou quando ainda estava em Brasília... Do alto da n-ésima-quase-última fila do Gran Rex, temia não vê-la, que os acordes se perdessem na imensidão de ouvidos que antecediam o meu...

O show começou tranquilo. Lindo, mas quase chato.

Tudo mudou no final. Dois "bis" super compridos. Improvisados, com dança, percussão... Bulería... E voltei a apaixonar-me pelo flamenco... Por que nunca persisti com as aulas??? Acho que devia voltar. De alguma maneira, é parte de mim. Assim o sinto...

E desde então o fim de semana seguiu amplo, leve e intenso. Fim de semana de muito sol em Buenos Aires. As peles já não são pálidas. Aos poucos vão abandonando os tons de vermelho para curar-se em dourados mouros. Praças cheias de gente. a grama verde, óculos escuros, música e Cortázar.

Caminhar pelas ruas tranquilas dos sábados portenhos, permitindo-se irresponsavelmente que o tempo passe, passe simplesmente.

Depois, comer com amigos. Conversas regadas a vinho. Vapores que conferem a tudo um aspecto de irrealidade. Mais tarde, acordar já no domingo. E pensar que a vida não vale a pena sem música. E que às vezes é melhor não pensar muito e deixar-se levar.

La sangre corre por las venas. Corre libre.

lunes, 16 de octubre de 2006

Feriado deslocado

Ressaca de vinho...

Resultado: são 14h30 e estou tomando sopa de lentilhas...

A parte boa é que hoje é feriado aqui... Transportaram o feriado de quinta para segunda... Unos aburridos estos argentinos...

 

Mais tarde, vou andar de bicicleta na reserva. Depois há show de percussão. Amanhã chega a Nina. Eh!!! A única preocupação: quando vou arrumar a casa? (e quando terminarei as resenhas???)

:-S

 

domingo, 15 de octubre de 2006

Quem?

Preciso de análise.

Não de psicanalistas, psicólogos, pastores...

Preciso de bocas que me falem. Olhos que me olhem. Mãos que me toquem.

Que os dedos não apontem. Mas calem meus lábios quando estes ousarem me defender.

Que ao escutar, descubro quem sou.

Preciso escutar. Escutar. Escutar.

Mas quem?

Sábado à noite

Sábado à noite.

O que se espera?

Acabo de voltar do cinema e, em vez de estar me preparando para me jogar na balada, escrevo enquanto minha sopa cozinha... Velho, eu? É tudo uma questão de perspectiva... Claro que poderia ser diferente. Mas acabou sendo assim. Fazer o quê? Ser feliz é o que resta.

 

Assisti Transamérica. Acompanhado de Ms. Perfection e seu namorado chavista, diga-se de passagem. Gostei do filme. Na verdade, gostei muito. Ainda que deva confessar um certo medo de pecar políticamente ao fazer tal afirmação. Ms. Perfection elogiou as atuações. Me parece digno: mais neutro, básico. E é verdade que as atuações são excelentes. Mas eu gostei mesmo foi da trama. E mais: me diverti. E daí provém meu medo de pecar.

 

Resumindo: Bree é uma transexual às vésperas da operação de mudança de sexo. Leva uma vidazinha medíocre como vendedora de telemarketing e ajudante em um restaurante mexicano na Califórnia. Eis que um belo dia liga um rapaz que está preso, procurando por Stanley - nome verdadeiro de Bree. Stanley seria seu pai. Claro que fode com todos os planos de Bree, que vai buscá-lo e daí corre o filme. O garoto, 17 anos, se prostitui para ganhar a vida e imagina mudar de vida fazendo filmes porn. Wel... aí teríamos todos os elementos necessários para um super drama, mais pesado que a coleção Barsa... É então que o filme surpreende. Sem evitar tocar questões como respeito, relações pais-filhos, moral religiosa, homossexualidade, o qu eé e o que não é socialmente aceitável, etc, etc, o filme não pesa. Passa de maneira muito palatável tudo goela abaixo.

 

Bom? Ruim? Não sei. Não sei como determinadas coisas devem ser abordadas. Não sei como me sentiria se fosse um trans e assistisse ao filme. Não sei se é jocoso, simplista, supérfluo. Não sei. Mas sim gostei. E gostei porque expõe o ridículo que é pensarmos nossas vidas em dualidades, opostos, negro ou branco... Tudo é muito mais complexo. E nem por isso, mais difícil. Os problemas também estão muitas vezes nos nossos olhos...

 

E aqui estou eu, um sábado à noite, em minha casa, sozinho, escrevendo e esperando minha sopa.

Pensando sobre o difícil que sou. Não porque ame a dificuldade. Mas porque não tolere o ser medíocre. E não aceite que se reduza tudo a claros e escuros quando há tanto mais para ver e para viver. Fecho-me assim. Seguramente perco. Não sei bem o quê. Ou para quê. Mas há coisas que simplesmente são assim...

jueves, 12 de octubre de 2006

Están todos locos!!!

É mais comum do que se imagina escutar essa frase por aqui... Os argentinos, aliás, gostam bastante de frases de efeito. ¡Qué se vayan todos! era o lema da corrente política do atual presidente - antes de ganhar as eleicoes, é claro... Mas ¡están todos locos! antecede esse período, acho... O fato é que às vezes se tem a impressao de que é realmente assim. A insanidade corre solta. E eu me divirto. A normalidade é muito chata...

 

Pois bem. Levantei-me (arrastei-me até o chuveiro seria mais preciso) às seis da manha. Na noite anterior já havia me arrependido de me haver disposto a colaborar (di grátis) em um evento que organizam uns conhecidos... Supostamente, um encontro de jóvens políticos latino-americanos. Sim, a insanidade já comeca aí... Trata-se de um evento de três dias que reúne umas poucas dezenas de jovens (nao me perguntem até que idade se é jovem) de dez países da regiao. Na programacao anunciavam também a presenca de "delegados" dos Estados Unidos, Canadá, Franca e Espanha. Na qualidade de observadores, naturalmente... O evento acontece cada dia em um lugar diferente. Hoje, no Congresso, amanha na Chancelaria e, depois, no Ministério da Cultura. Acho chique. Bem como os ternos e vestidos e penteados dos jovens que atendem a tais eventos. Engracado: os jovens políticos se vestem à imagem e semelhanca dos políticos velhos. Algumas vezes, os cabelos sao distintos... Eu também fui com meu terno e minha gravata. Deus me livre ser diferente!!!

 

O tema central de todo o evento, como se podia imaginar, era integracao regional. Falou um Senador... Presidente da Comissao de Infra-estructura... Demorei anos para entender porque as pessoas disputavam a tapa esse cargo no Brasil. Até ver as planilhas do Orcamento, quando minhas dúvidas diminuíram (até desaparecer completamente quando se ameacei entender - porque sao impossíveis de entender-se - os complexos esquemas de desvio, superfaturamento, etc...). O tiozinho nos brindou com o velho clichê de que os jovens sao o futuro do país. Suponho que por medo de que os presentes quisessem ocupar imediatamente o seu lugar. Mas depois corrigiu dizendo que o futuro é hoje. E eu fiquei tentando entender...

 

O Secretário-Geral (acho esse termo tao soviético... Nunca entendi como os EUA permitiram que se usasse essa nomenclatura nos organismos internacionais...) de uma suposta organizacao ibero-americana para a juventude - a que nunca fui convidado a participar, apesar de ibero-americo e jovem - confessou que os políticos "chegamos" atrasados nessa história de integracao... Fiquei na dúvida entre a concordância ideológica e o grau de lucidez da afirmacao... Depois veio o presidente da Fundacao, que é como chamam as ONG´s daqui (e também as Fundacoes...) e de repente a integracao era ao mesmo tempo inevitável e necessária, já que as forcas inovadoras do novo mundo sao o comércio, a tecnologia e os investimentos... Tudo uma questao de escala, segundo ele.

 

Os jovens delegados se manifestaram em seguida. Sete minutos "de reloj" para cada um. Achei digno - parece que todo mundo concordou. Concordaram também sobre a inevitabilidade, sobre o atraso dos políticos, sobre a unidade linguística e cultural da América Latina.

 

O que parece que ninguém viu é que meu compatriota brasileiro nao falou em espanhol, mas em português. E, cá entre nós, d-u-v-i-d-o que os hispano-hablantes entenderam 50% das palavras rebuscadas e pronunciadas em tom parlamentar do prezado colega. Mas ninguém questiona a unidade lingüística: nem mesmo os paraguaios ou os bolivianos... Tampouco questionam a unidade cultural, segundo eles, de matriz católica, sob a qual exisitiriam subculturas igualmente importantes. Nao importa se sub implica inferior, implicada diferenca, implica segragacao. Nada é capaz de diminuir o tom de obviedade com o qual defendiam a unidade de nossas raízes latino-americanas, herdadas da "madre pátria" - e de Portugal, para corregir a gafe. Ia além. Uruguaios nao pareciam se recordar que se opuseram a negociar conjuntamente com outros países do Mercosul, relacionando-se diretamente com a Uniao Européia. Argentina e Chile esqueceram que há pouco se safaram de um conflito sério por causa de representacoes cartográficas em livros escolares. Em total disritmia com seus governos nacionais, Argentina e Venezuela proclamavam a supremacia de uma só América, incluindo Estados Unidos... Claro que nada tao claro, claro que nada tao direto, claro que nada tao bruto. Ainda assim, insólito.

 

E mais insólito imaginar que um grupo de jovens majoritariamente de direita acatassem de maneira acrítica um argumento apresentado por um nao-jovem declaradamente de direita para quem a integracao nao é um imperativo moral ou filosófico, mas consequência da inevitável evolucao econômica. Podia ser Marx citado. Ou Lenin.

 

Nao: a integracao nao é inevitável. Nem é necessária por motivos ecônomicos. A integracao é uma escolha. É uma aposta. Uma aposta no direito de mobilidade das pessoas. Uma aposta na solidariedade entre os povos. Uma aposta na convivênca pacifica entre os diversos. Uma aposta no politico. E talvez os esforcos latino-americanos tenham falhado justamente porque os que antes eram jovens tenham acreditado que o político era mera extensao do econômico... Acreditado em mentiras lindas e absurdas. Quisera que todos os jovens fôssemos surdos! Porque loucos já estamos todos...