sábado, 30 de diciembre de 2006
Melhoras ao Sushi!
miércoles, 27 de diciembre de 2006
Coisas que só acontecem comigo...
viernes, 22 de diciembre de 2006
New jazz
Mais uma noite quente em Buenos Aires. Noite úmida, de sexta-feira. Eu saio à varanda e me sento. Estico as pernas e sinto os insetos minúsculos que habitam a noite. Quisera ter algum ponto de luz que me permitisse escrever sem ajuda das lâmpadas fortes que há na sala. Vou então armazenando as idéias na cabeça e sinto alguma brisa que vem do rio. E também o barulho dos carros e ônibus, que chegam à minha janela no sétimo andar. Em frente, reflexos vermelhos, intermitentes e constantes. Fosse outra época do ano, eu imaginaria experimentos com óvnis ou rádios-pirata… Mas são apenas árvores de Natal. Mais presente lá que aqui… Na varanda em frente à minha, chegam dois homens. Um se despe, até ficar de cueca. Perambula pela casa, buscando livrar-se do calor pegajoso. O outro sai em busca de ar fresco, como eu. E acende um cigarro. Eu também gostaria de fumar em noites como essa… Um clichê tão necessário às vezes… Deve ser boa a sensação… Se ao menos eu tivesse um beck… Um pouco além, no andar de baixo, uma moça vestida com uma camiseta azul já velha limpa o escritório. Varre, tira o pó, aspira… Acho engraçado… Ninguém pisará ali nos próximos quatro dias (a não ser que o funcionário decida trepar de novo com a secretária… será?). Um pouco depois, percebo que a moça de camiseta azul, já terminada a faxina, empurrava o carrinho de bebê. Ela e seu filho (um entre quantos? Terá marido?) já podem preparar sossegados a ceia de natal… Mas quem ceia, como todos os dias, é a família que vive logo acima dos escritórios… O velho senhor sentado à cabeceira. La mirada contundente… Ao seu redor, um filho (mais novo?) que termina de abrir as janelas, a filha (mais velha) hoje, mal vestida, arruma algum detalhe sobre a mesa enquanto prende novamente os fios de cabelo que se soltaram do meio-coque… Logo acima da varanda do rapaz que fuma(va - para onde terá ido…) azuis acusam uma televisão. E reflexos de corpos na parede, solidão… No meu som, new jazz… But don't let me be lonely tonight…
miércoles, 20 de diciembre de 2006
Tudo isso...
martes, 19 de diciembre de 2006
Só pq me recuso a servir empanadas...
viernes, 15 de diciembre de 2006
Saltado de lomo
Eu estava em casa. Acho que lia meus e-mails, talvez me preparasse para responder à Claude, talvez para comecar a dar uma olhada nas coisas da consultoria – que, afinal, se revelou maior do que eu imaginava... Quando me chegou sua mensagem. “K haces?”. Sem acento e vindo de quem vinha, o verbo tinha seu sentido original... Logo: “No kieres comer algo? Puedo cocinar”. Na cozinha, Pedro preparava milanesas, encorajado pela namorada. Eu, como era de se esperar, o provocava. Engracado vê-lo aprender. Também me faz feliz. Mas decidi. E, assim: “ven a mi casa en 35 min”. Achei graca nos 35 minutos. Sao assim nossos encontros... Avisei que nao comeria em casa e, em dez ou vinte minutos, saía em direcao ao Subte Línea A. A também de Acoyte.
Nao sei se tardei cinqüenta minutos ou uma hora. De qualquer maneira, foi o tempo justo. Ela acabara de voltar do Disco, sacolas ainda na sala. Cat Stevens cantava... Sim, eu sabia fazer arroz e ela limpava a carne. Uma cerveja? Dá-lhe. Poucas coisas para contar desde domingo e mesmo os comentários sobre os amores e desamores se tornavam escassos para preencher o vazio dos minutos... Mas nada tinha importância. Cozinhávamos e bastava.
Enquanto o arroz cozinhava, cebola, tomate e carne saltavam. O ají se encarregaria do picante leve. Um pouco de molho de soja. Salivacoes. Lembrancas de Genebra. Engracado como se pode estar mais próximo de certos lugares apesar da posicao no mapa...
Já nao sei o que tocava. Vicentico? Acho que era. Depois houve Chico, Shakira, Sabina... Também houve cerveja, vinho, rum... E muita vida: a intensidade do que foi e as dúvidas sobre o que a mesma vida viria a ser... Dúvidas sem importância. Só o que importava era estar ali. O tempo, passando. Ativamente o passávamos. Até deixar atrás, novamente, momentos que se borrariam em doces lembrancas de uma amizade.
A vida (também) é feita de momentos assim.
Estória triste
Ele era seu salvador. E ela, desamparou-se. Se jogou lá do alto, como corresponde, nesses casos. E flutuou a queda. Levitou por entre os mais doces, febris, voluptuosos sentimentos. Engolia o ar espesso que lhe entrava violentamente por todos os poros. Eternamente orgásmico.
Mas ele buscou o horizonte. Rejeitou a escuridao do abismo. E, metido em metafísicas, descobriu que o amparo que tinha nao correspondia à sua idéia de salvacao.
E colidiram sem se tocar. Em um instante, desfizeram-se. Amparo e Salvador.
Ela tocou o chao. E sentiu o destrocar-se em infinitos pedacos.
Ele seguiu silente, baixo. Em busca de algum céu.
Ela, em busca de Amparo. Ele, enfim... se perdeu.
martes, 12 de diciembre de 2006
Vertigem
domingo, 10 de diciembre de 2006
Sábado à noite
Toca o telefone. Era o Walter. Ex-Ivan. Perguntava o que eu estava fazendo. Eu dormia. Depois de ter tomado dois litros de cerveja sozinho, jogando gamão na internet, eu dormia. Esperava uma ligação. Outra. Então disse que depois nos falávamos. Cinco minutos depois, eu estava em pé. Ligo de volta. Onde vc está? Como? Não tem música? O que aconteceu? To indo pra aí. Calça jeans e camiseta branca. Rua. Efetivamente, não havia música. Festa estranha com gente esquisita e eu não tô legal. Subi. Acho que sufocava. Ligo para o Bola. Onde? Libertador y María Campos. Ligo para o Walter: querido, me voy. Nos saudamos. E fui. Mas não era lá. Não era Campos, mas Ocampo… Trinta quadras de diferença. Ou vinte pesos. Cheguei e esperei em baixo. Desce um harém. Todos em volta da Bárbara. Acho que nunca tinha reparado nas pernas da Bárbara. Pernões… Um menino chato de cabeça raspada e o Bola, bêbado, não gosta dele. Depois viria a descobrir que é o Santiago, irmão da Agus… Life has a funny way… Sim, Icky, it has indeed… Esperanto, podestá… Alamo? Terminamos ao lado do Miloca. Bola muy loco. Cervecita nomás. O Agus, que um dia foi ruivo, é engraçado. Mas não entendeu nada. Eu não tomo whisky. Mas para quê tantos detalhes? A vida às vezes pode prescindir de coisas importantes. Cómanse a besos esta noche. Yo llevo Bola a casa. Acá está, tirado en el colchón. Querido amigo, duerme.
Asado
jueves, 7 de diciembre de 2006
Respirando, respirando...
miércoles, 6 de diciembre de 2006
Forcando a divagacao
martes, 5 de diciembre de 2006
Registro ordinário
sábado, 2 de diciembre de 2006
Vide imparfait
miércoles, 29 de noviembre de 2006
Quebrando paradigmas
Pois, entao. É claro que eu estava surtando. Para piorar tudo, final de semestre, fim de semana chegando. Seis resenhas para entregar. E eu – ai, ai – lendo García Canclini... Um saco... Caríssimos, todos sabemos que eu adoro estudos culturais. Adoro essa coisa de discurso, construcao, hegemonia, etc, etc. Realmente, curto isso. E vivo isso. Talvez alguns estejam pensando: bullshit... Mas falo sério. Sou um liberal de esquerda. Too much leftist, indeed, in Mariani´s opinion. Mas realmente acredito nessas coisas e vivo em uma eterna utopia...
Mas o ponto é: é claro que eu estava surtando. E já nao podia continuar lendo. Já nao queria ler. Pelo menos, nao aquilo. Nem queria escrever. Por mais que tivesse as idéias claras, soubesse como comecar, desenvolver e concluir. Talvez, exatamente por isso. Eu nao queria escrever. Nao sobre aquilo. Nao naquele momento.
E o peso das regras, dos prazos... Internamente, eu só pensava: se, no fim das contas, faco isso para mim... Por que essa culpa? E por que essa cobranca?
Eu estava surtando. Ficando azul e morrendo, sem ar.
Nao queria ligar o computador. Seria abrir as possibilidades para a escrita. E eu nao queria escrever. Nao podia escrever. E nao queria fugir.
Foi entao que liguei para ela. Mas e se ela estiver com o namorado? E se ela estiver estudando? E se ela nao puder sair? E, se puder sair, devo realmente falar tudo o que penso? O que falar? Ligo?
Ela atende. Nao havia visto minha mensagem. Concedo o benefício da dúvida. Tomamos uma cerveja? Dale. Dale. Simples.
Um pouco de ar.
Banho rápido. Qualquer roupa – hum... essa calca jeans precisa ser lavada... Cabelo molhado, ouvindo música – Almost Famous – pela ampla avenida até a estacao de metrô. O trem demora. Vagao cheio às 21h40. Atravesso o parque, chego à sua porta. Bato a campainha, mas acho qeu está quebrada. Jessi? Ela sai. Vamos comer.
Ar, ar, ar, ar...
Como é bom respirar. Como é bom conversar. Como é bom poder dizer o que se sente, o que se pensa, sem ter que medir palavras... Como é bom interessar-se pelo que a outra pessoa te conta e sentir-se ouvido, independetemente do assunto.
Agradabilíssimas horas. O mundo continua girando. Nao há por que surtar. Sim, eu sou normal. E ela também é normal. Nao estamos fechados ao mundo. E nem o mundo se acabou. Apenas uma questao e sintonia. De escolhas. E de afinidades.
Volto à casa aliviado, feliz. No MP3, Fito Páez. E nem dá vontade de mudar.
Acordo hoje atrasado. Banho, café e rua.
Muito mais tranquilo.
Fodam-se os pseudo estudos culturais.
Vou acabar de ler Malinowski. E, depois, Tristes Trópicos. E vou abandonar essa merda logo.
Se é pra ralar, que seja com Economia. E a esquerdar continuará sendo um deleite, nao um sacrifício. Eterno diletante. Eterna poesia.
Qual o problema de abandonar alguma coisa pela metade? Primeiro, a monografia. Agora, isso. E virao outras. A vida é feita de tentativas e erros. E descobertas... Sempre.
martes, 28 de noviembre de 2006
Tentando me encontrar
lunes, 27 de noviembre de 2006
Bruta fuerza del vivir
Segunda-feira... Ai, ai... Mais uma segunda-feira. Nao dormi bem hoje. Nao sei se é minha insônia que ameaca voltar ou se é apenas consequencia dos horarios trocados... Sabem como é... No fim de semana, a gente troca o dia pela noite. Pensando bem, nem foi tanto assi. Ontem, levantei-me cedo e nao dormi durante o dia. Tampouco estudei – para arrepender-me depois. Por outro lado, descobri que, sim, posso tocar algumas músicas da Alanis no violao...
Foi um domingo agradável. Clima instável em Buenos Aires. As nuvens se juntam no céu, ameacam chover. E, depois, vem o vento e as espalha, como um cao que brinca com o monte de folhas recolhidas da calcada. Teimosas, elas voltam a reunir-se e a espalhar-se, em uma constante disputa por chegar ao chao.
Chegar ao chao. No fundo, será o que todos queremos. O delírio da queda rumo à realidade. Dura e sólida. Tátil.
Havíamos combinado de ir ao teatro. Fuerza Bruta. Espetáculo semelhante – mas inferior, é necessário dizer – ao De La Guarda. Inevitável recordar que há dois anos assisti a este, levado pela Laura. Em uma época em que ainda respirávamos poesia. Até ela ficar azul e morrer. E eu? Acho que emergi em púrpura. O acordo era nos encontrarmos todos às 18hs na Plaza Francia. Nao sabia muito bem quem era todos. Certamente, Bola e Sebas. Talvez os franceses e os italianos (eu rezava para que nao), os brasileiros que visitam o Bola, enfim. Saí de casa às cinco. Caminhando por Rodriguez Peña e depois por outras ruas estreitas (evitei as avenidas), escutando música, sem pressa, sem nada. Sentindo um pouco o vento mais ou menos frio, uma ou outra gota de água que caía do céu. Primavera... April, April, April, der weiss nicht was er will... Aqui é em novembro – um setembro atrasado.
Caminhar descompromissado pela feira da Recoleta. Mais vazia, devido ao tempo nao muito convidativo. Passando em frente ao Cemitério e, logo, à Igreja, ensaio o sinal da Cruz. Engracado. Mas nao tenho buscado muitas explicacoes... Olho para o relógio. Há tempo. E me atrevo a um passeio pelo Centro Cultural. Esculturas de Tonny Cragg que desafiam a gravidade. Tem uma que parece um cocô, mas é linda. Pesados pedacos de mármore ou bronze pendentes, encostados, como em um Dali. E que nunca caem. Poucos pontos de apoio. Um insólito levitar. Também alguns desenhos. Eu gosto. Acho divertido e bonito. Descubro que ele morou muito tempo – ainda morará? – em Wuppertal. Lembro do Schwebebahn e também de uma praca... Como se chama? Aquele rosto partido no chao... Linda escultura... Será dele? Já nao lembro se era algum escritor ou se era Marx... Acho que era Günther Grass... Continuo caminhando. Já nao há tanto tempo, mas dou de ombros. Eles sempre se atrasam. Vejo algumas telas mais, algumas fotos, ilustracoes, vídeos, quadrinhos, lencóis... Eu compraria alguns...
Chego à Plaza Francia. Cruzo ao Café Modena. E lá estao Sebas, Clari, Nicolás e Felipe. Depois chega o Bola e outros. Cruzamos rumo à Faculdade de Direito. Atrás é o parque de exposicoes.
O espetáculo comeca. Um homem corre. Corre. Atiram e continua correndo. As pessoas que se cruzam indiferentes. Olhares que se cruzam e se seguem. O tocar-se sem intimidade de uma rua na qual cada um segue sua trajetória individual. O esforco para que tudo continue fazendo sentido. E a tormenta. Sílfides que dancam sobre a água, vertical. A tentativa va do encontro. A impossibilidade de comunicar-se, quando apenas um plano parece separar-nos. Água. A tormenta. E lembrar-se entao o gozo de jogar-se contra a água, de brincar como crianca, de sentir o líquido correr pelo corpo, fluir como se gravidade nao houvesse. Empuxo. E jogar-se.
Bom, muito bom. Talvez seja um pouco o que eu busco, ultimamente.
Depois, já molhado, buscar algum lugar onde tomar uma cerveja. Praticar o contato, diria uma amiga minha... Deixar o tempo passar um pouco.
Volto caminhando para casa. Música. Sempre música. De volta o vento, já nas amplas avenidas. E as nuvens que continuam sua eterna luta por cair. Por jogar-se e ganhar os homens. Ganhar a terra. Fecundar o chao.
Depois, a insônia.
domingo, 26 de noviembre de 2006
Não há bem que sempre dure...
viernes, 24 de noviembre de 2006
Don´t wish me a Merry Christmas!
jueves, 23 de noviembre de 2006
Deu pane no português!!!
miércoles, 22 de noviembre de 2006
A ciencia da podridao e outras coisas
Tá, eu sei que nao devia falar sobre esse tipo de coisa aqui... Imaginem o dia em me torne um homem público importante (importante, pois públicos somos todos... bem, talvez eu quisesse ser um pouquinho mais... mas, neste caso, acho que seria rodado, nao público, a palavra mais adequada... mas estou perdendo o fio) e decidam usar essas coisas contra mim... Mas, enfim, quem nao deve nao teme. E é fato público e notório – pelo menos entre as pessoas que convivem minimamente comigo – que eu, simplesmente, nao sei segurar pum (ou peido, se preferem). Nao consigo e ponto. Nunca aprendi. Nao sei fazer. E nem me parece normal tentar. Convenhamos: todos peidamos. E o peido é também uma maneira de (re)conhecer o próximo.
Com a Caju, por exemplo, outro dia conversávamos sobre isso. Que amigo pode se considerar verdadeiro digno desse nome se nao é capaz de identificar seu contraparte pelo cheiro do peido? Nenhum, meus caros, nenhum. Aliás, com nada mais que o olfato, o verdadeiro amigo percebe se você anda comendo bem, se encheu a cara ontem ou se você precisa, definitvamente, procurar um médico.
Pois bem, dito isto, devo confessar que, atualmente, creio que surpreenderia mesmo os meus melhores amigos – incluindo a Caju, cujos dons olfativos superam minha compreensao, e o Darío, cuja cumplicidade em momento bostísticos é realmente assombrosa... O fato é: eu ando fugindo do meu próprio pum. E o pior: acho que conheco o motivo de tamanha mudanca.
A grande vila? The Coca Cola Company. Sim, meus caros!!! A Coca Cola deve estar fazendo isso comigo.
Tudo comecou na sexta-feira passada. Como de praxe, convidei uns amigos para jantar em casa. Lasanha em homenagem à comitiva brasileira que passava por Buenos Aires. Enchi a geladeira de cerveja, comprei uma garrafa de vodka e, para nao pesar a consciencia, comprei duas garrafas de 2,25 litros (sim, isso é medida aqui na Argentina) de refrigerante. Uma Coca e um Sprite. Naturalmente, a noite correu como devia, sem que qualquer pessoa sequer tocasse as garrafas de bebidas nao-alcóolicas (por sorte, também a vodka permaneceu intacta – trouxeram outras tantas garrafas de vinho e ficamos só nos fermentados mesmo...). Daí surgiu o meu dilema...
Nunca fui de tomar refrigerante. Nao gosto e dá gases (we´re getting to the point). Mas, criado que fui na ética de Dona Sarah, nao suporto a idéia de comprar algo e nao consumir... Me vi com aquelas duas garrafas na geladeira. Pensei: ok, o Sprite pode esperar pacientemente até a abertura da vodka. Afinal, Sprite com vodka connects people. Mas o que fazer com os 2,25 litros de Coca Cola. Tsssssssssssssssss. E os abri. Desde entao, ou desde o domingo, para ser mais exato, tomo um ou dois copos de Coca durante o dia. E o efeito é imediato. Puns insuportavelmente fétidos, que se projetam com incrível forca cu afora, com uma ânsia incontrolável de ganhar o mundo. Expandem-se rapidamente, provocando pavor e desespero em minha pessoa e semeando a discórdia entre os que me cercam. Constrangedor, é tudo o que posso dizer.
Ainda falta pouco menos da metade da garrafa. E fico pensando se resistirei até lá. Tenho considerado fortemente a alternativa de processar The Coca Cola Company por danos gastro-instestinais, materiais, morais e sociais.
Mas, meu maior medo: quando este pesadelo acabar, voltarei ao meu cheirinho habitual de antes? Temo que meus amigos nao suportariam tamanha perda...
Mudando de assunto, adorei um bafón que publicaram no La Nación de ontem. Este é um dos jornais mais lidos aqui na Argentina. Tem uma linha editorial bem conservadora, de direita, com forte influência católica. E eis que uma das colunas de opiniao de página inteira de ontem se referia ao grande tópico do atual do parlamento italiano. Como eu sou péssimo com nomes, o relato ficará bem menos interessante, mas vamos lá.
Como é de conhecimento geral, o Parlamento italiano sempre arrasa – como tudo naquele país, desde a máfia até Versace. Pois bem, depois da Cicciolina, elegeram ano passado a primeira trava a ocupar um assento na câmara representativa no mundo. A mídia diz que ela é trans, mas, técnicamente, é trava mesmo – e nao parece demonstrar a mínima intencao de tirar o bilau. A D O R O. Pois bem, provavelmente em um dia de discussoes acalouradas, a deputada deve ter exagerado na água e teve que ir ao banheiro. Feminino, naturalmente. Quem estava por aquelas bandas? Nada (nada mesmo, porque essa criatura com certeza nao é gente) menos que a neta do Mussolini. Sim, na Itália, diferentemente da Alemanha, essas figuras nao apenas sobrevivem, como ainda podem ter carreira política... A facista querida, criada na melhor das tradicoes, naturalmente, sentiu-se ofendidíssima pela presenca da colega boneca. Nas palavras dela, sentiu-se agredida sexualmente. Deve ter sido alguma coisa meio Cocoon (se escreve assim), porque, pelo menos segundo nos consta, nao houve qualquer contato físico entre as duas (para a sorte da nossa colega trava – porque podridao pega...). Resultado: bafafonds forte no parlamento... E o La Nación cobrindo, com página inteira. A D O R O.
Mas adoro mesmo é um outro deputado, La Russa. Perguntado sobre o que achava da situacao, ele disse: se fosse a Sra. Mussolini, estaria mais preocupado com a outra deputada (nao me lembro o nome, merda), que é lésbica. Arrasa!
Como resolver? Pensaram criar uma terceira categoria de banheiro. Hum... qual seria a plaquinha na porta? Mandem suas propostas.
Taí o link para nao acharem que to mentindo: http://www.lanacion.com.ar/860630.
Piadinhas a parte, hoje seria aniversário do meu tio Nicola. Uma tristeza fina corta o dia. Saudades do meu companheiro de xadrez. Mais pai que o meu próprio... Saudades.
Saudades também da Jade. 28 anos ontem. E eu ainda nao fui visitá-la na fazenda... What a shame...
lunes, 20 de noviembre de 2006
Balanco da semana
- Baladas fortes: 5 (Mint, Cream, After-Cream, Museum, Club 69)
- Saidinhas leves: 5 (Sebas, La Cigale, minha casa, Romario “para llevar”, San Telmo no domingo, pós Caju)
- Dias úteis: 3 (atestado báááásico na quinta e na sexta).
- Dias inúteis: 4 (domingo pós Cream, sexta, sábado e mais um domingo – já pós Caju).
- Caixas de antigripal: 2 (e hoje compro a terceira – valha-me Tabcin)
- Xícaras de chá: várias. Nos piores momentos, com muito mel e limao.
Mais, um romance lido, alguns capítulos de Malinowski, mais um livro novo, várias palas, algum desentendimento, e-mails apra minhas irmas, muitas alegrias. Dois foras... Kkkk. Loser! E outras tantas coisas que nao dá para enumerar aqui...
Mas, definitivamente, o saldo é positivo – com muita folga.
E que importa se, depois de tudo, bate aquela tristeza? Se, no fundo, insiste aquela dorzinha de se sentir só?
Sao coisas independentes. Obedecem a lógicas distintas. Compartilham o mesmo eu. E nem se anulam, nem se complementam. Simpleste, sao. Este mosaico dinâmico de caquinhos juntados ao longo do caminho. Em uma eterna entropia cada vez mais profusa de sentimentos sem sentido certo, preciso. Sem muros, paredes. Nem sonhando, nem pensando: sem entender, sem distinguir entre o conhecido e o por conhecer.
Palavras claras? Diretas? Demandas expressas em setencas unívocas. Nunca as terei. Se um dia as tive, é porque perdido estava. Hoje, continuo perdido. Mas certo de que é este o caminho. Algum caminho. E que nao sei bem que caminho é.
Um pouco mais adiante. Cada dia, um pouco mais. Sempre. Até topar-me com uma pedra. Ou um abismo. Ou o fim – que é sempre um novo comeco.
Poderia dizer que é a febre. Ou o Tabcin. Ou nada.
Na verdade, sou apenas eu. Sem razao. Poesia descomposta. De um poeta sem musa, mas, ainda assim, apaixonado pela vida.
A visita da Caju vai deixar saudades. Mas, mais do que isso, deixa um gosto bom de sentir que, nao importa o que passe, os amigos sempre ficam. E que algumas pessoas sao, simplesmente, especiais.
Saudades também da época quando, para todas as outras coisas, existia Mastercard... Ai, ai...
jueves, 16 de noviembre de 2006
Jaca pouca é bobagem
Estou seriamente preocupado. Li no Clarín ontem, matando um pouco do meu tempo ocioso enquanto esperava que me concedessem uma bendita reuniao, que, por volta das 15hs daqui, o messenger comecou a dar pau em todo o país. Em tom sério, o jornalista advertia que, embora foie possível conectar-se, já nao se podiam enviar mensagens instantâneas. Pânico, naturalmente.
A nota nao parava por aí. Fontes oficiais da Microsoft informavam que o problema se devia à uma atividade de manutencao previamente programada na regiao. Supostamente, tudo sob controle, portanto. Mas o jornalista-ivestigador desconfiou. Fucou aqui, fucou ali e gracas aos seus informantes internacionais (cujas identidades sao mantidas em sigilo conforme a ética profissional) descobriu que em parte da Europa, Estados Unidos, Ásia, quem sabe, o essencial aplicativo tampouco funcionava.
Confesso que tive algum receio. Nao sou muito fa de contatos virtuais e nao gosto muito de bate-papos. Na realidade, é muito exclusivo o grupo de pessoas com quem me comunico por este meio e, faltando o messenger, haveria outros meios. Mas pensava no impacto que uma eventual pane no sistema poderia provocar em minha vida. Por exemplo, perder a lista de todos os meus contatos... Isso me aconteceu uma vez quando roubaram um antigo notebook meu (junto com todos os milhares de músicas dentro dele, para meu pesar)... Nao sou muito sistemático com essas coisas, mas várias vezes a agenda de contatos do hotmail me salvou da negligência ou do esquecimento... Talvez eu me compraria um caderninho desses bonitinhos e voltaria a escrever, primeiramente em horrível letra, depois com uma caligrafia remediada, as referências de meus contatos mais importantes... Obviamente, a cada cinco ou dez anos teria que passar tudo a limpo. Fazer o quê?
Na verdade, essa nao foi uma preocupacao muito grande. Mas nao posso mentir: desde entao, estou pensando seriamente em guardar todos os meus textos do blog em um lugar um pouco menos virtual. Nao: nao me preocupo com o futuro da literatura mundial. Mas, volta e meia, me divirto lendo linhas antigas...
miércoles, 15 de noviembre de 2006
Tosqueira aparente
(antes de tudo, peco desculpas pela ausência de cedilhas e tils – o teclado espanhol nao tem essas opcoes...)
Nao tem jeito. Eu tento, tento, tento, mas, mesmo sem querer, acabo sendo tosco. Simplesmente nao domino as regras da etiqueta. E nao consigo disfarcar como sou, muito menos entre amigos.
Eis que Nane veio visitar-me novamente. Na verdade, muito pouco provavelmente sou eu o motivo da visita. Mas o fato é que novamente tenho o prazer de recebê-la em minha casa. O evento é particularmente oportuno. Da última vez que veio, nossa relacao foi muito distante, fria, quase formal. Eu, entao, acabara de chegar a Buenos Aires e nos encontrávamos em tempos e ritmos distintos. Nao houve lembrancas de Gate´s e UK-Brasil, nem antigas histórias de Portugal ou de CM, nem novidades sobre nossas respectivas vidas amorosas... Os dias passaram e sua presenca apenas tangenciava minha existência. Ficou uma tristeza. Assim foi que recebi com alegria a notícia de seu retorno, apesar dos perrengues com Miss Perfection (“mas vocês nao morrem!!!”).
O vôo estava previsto para cegar às 23h30, em Ezeiza. Talvez, quarenta minutos em taxi e ela estaria em casa. Isso, naturalmente, nao fossem os atrasos no sistema aéreo brasileiro. De Sao Paulo, ela me ligou avisando que chegaria, pelo menos, 1h30 mais tarde. Sem problemas. Saí com a Caju para tomar umas cervejas no La Cigale (impresionante ir só agora a este bar que era reduto do intercambistas em 2003... eu realmente nunca me senti um deles...), voltamos caminando na noite quente portenha e dormimos, apesar do calor. Deixei a porta aberta para escutar o interfone.
O sono foi inconstante, agitado. Finalmente, tocou. Desci para abrir a porta e recebê-las (ela veio com a Anke, uma holandesa que ainda nao conheco). Abracos, alguma tentativa de articular algumas palavras em meio ao meu estado de semi-transe... Cegamos ao apartamento e deixei que ela apresentasse minha casa à amiga, enquanto eu voltava para minha cama e para meu sono...
Tosco, eu sei. Custava ter conversado um pouco? Oferecer algo para comer (elas deviam estar famintas, penso agora)? Mostrar a casa e deixá-las mais à vontade? Nao, nao custava. Mentira: sim custava, mas muito pouco. Quase nada, se comparado à satisfacao de sentir que se recebeu bem a uma pessoa querida.
Mas vai pensar nisso às 3h30 da manha... Assim, deixei sozinha uma pessoa que tantas noites varou comigo em tempos nem tao remotos...
Tosco, eu sei. Mas uma tosqueira apenas aparecente. Porque, no fundo, sei que nada foi por mal. E que, quem entra à minha casa, só o faz porque o merece (ou entao é convidado de Miss Perfection... fazer o quê?)
martes, 14 de noviembre de 2006
Parabéns para a mestranda!
lunes, 13 de noviembre de 2006
Em busca da resistência física
domingo, 12 de noviembre de 2006
Creamfields 2006
sábado, 11 de noviembre de 2006
Paloso
viernes, 10 de noviembre de 2006
Mais um. E nunca o mesmo.
jueves, 9 de noviembre de 2006
Baile de Máscaras ou Hoje acho que nem Monk me salva
miércoles, 8 de noviembre de 2006
Registros rápidos...
sábado, 4 de noviembre de 2006
Serendipity
jueves, 2 de noviembre de 2006
Suas vacas!!!
miércoles, 1 de noviembre de 2006
Morte anunciada de Ms. Perfection
E quando tudo vai bem... Pode piorar. Ou melhorar. Tudo depende do ponto de vista. Ms. Perfection está de mudanca... Vai morar com o namorado chavista. Já estava previsto... Ainda nao sei se estou triste. Mas também nao estou contente. Construir um personagem dá tanto trabalho... Ter que comecar tudo de novo a partir do material bruto. Enfim, bonne chance et courage.
Nossa convivência havia melhorado significativamente na última semana. Milagre? Nada disso... Resultado natural de nossa menor contato. Primeiro, suas longas estadias na casa do candidato a Mr. Perfection. Logo, viagem a casa dos pais. Mais de duas semanas... chegava a duvidar se ainda me lembrava de sua fisionomia... e até senti saudades. Tanto que, de volta ao lar, voltamos a uma relacao cordial, com direito a compartir refeicoes e superficialidades – mais do que isso, jamais, afinal, aprendi que isso de fazer a íntima nao costuma terminar bem...
No fundo, gozava deliciosamente o fato de, morando na mesma casa, ter vivido uma vida que ela totalmente desconhecia. Coisas que vao desde almocos e jantares a amigos – alguns em comum, inclusive – até ímpetos de luxuria, passando, naturalmente, pelos passeios pelado à cozinha... E ia deixando, perfidamente, pistas espalhadas por aí, para que ela talvez desconfiasse, mas jamais estivesse certa sobre o que havia acontecido...
Enfim... Mas eu acho que já sentia que ela ia embora, que eu perdia Ms. Perfection. Foi entao que resolvi seguir o conselho do Bola: adiante-se a ela. Ser gongado, assim, de surpresa? Imagina!!! E, aproveitando a rara ausência do futuro pai de sua prole, introduzi o tema. “Vocês nao pensam em morar juntos?”. A resposta nao poderia ter comecado direferente (Theys: you’re simply right): “entao, na verdade...”. E me contou que pensava mudar-se em dezembro ou janeiro. Quis falar sobre a relacao – a nossa – e eu desconversei finamente... Quero deixar bem claro: discussoes de relacionamento só valem a pena quando há recompensas sexuais.
Pensei em derrubar uma ou duas lágrimas. Mas pareceu um pouco patético. Um sorrizinho simpático, um olhar “que pena, mas seja feliz” e de volta aos nossos mundos. Comecei a difundir a mensagem: casting aberto para o substituto de Ms. Perfection. Já em outro roteiro, é claro...
Frio, eu? Diga isso à proprietária do meu apartamento. Já dizia Cat Stevens.... Uh, babe, babe, it´s a wild world. It´s hard to get by just upon a smile...
lunes, 30 de octubre de 2006
Gimme pop
You've been afraid
I've been a fool
In so many ways
But I would change my life
If you thought you might try love me
So please give me another chance
To write you another song
Take back those things I?ve done
Cause I?ll give you my heart
If you would let me start all over again
I'm not a saint
I'm just a man
Who let heaven and earth in the palm of his hand
But I threw it away
So now I stand here today asking forgiveness
And if you could just
Please give me another chance
To write you another song
Take back those things I?ve done
Cause I?ll give you my heart
If you would let me start all over again
Little girl, you're all I've got
Don't you leave me standing here once again
Cause I'll give you my life (yes I would)
If you would let me try to love you
So please give me another chance
To write you another song
And take back those things I've done
Cause I'll give you my heart
If you would let me start all over again
Again oh
No no
oh oh
You know I love you (yeah)
Give me one more chance
No No
No No No No
viernes, 27 de octubre de 2006
Sobre laranjas...
Eu prefiro laranjas com casca grossa. Pode parecer uma bobagem, mas é um detalhe super importante. Aprendi com minha avó a comer a laranja em sua totalidade. Bem, na verdade, não. Deixo casca e sementes de fora. Mas adquiri com ela o hábito de, depois de chupar bem a laranja, dar-lhe volta e comer os gomos, um a um. Dá para entender? Um europeu não entenderia. Porque lá eles comem laranjas como se fossem mexerica… Mas laranjas são muito diferentes de mexericas… A propósito, adoro mexericas. Não confundamos as coisas porém.
Daí a necessidade da casca grossa… Talvez você já tenha tentado descascar uma laranja. Eu adoro descascar laranjas. Como fazíamos quando éramos criança… Na verdade, naquela época era sempre uma tia que descascava as laranjas. Ia formando aquela tira de casca, o grande desafio sendo descascá-la inteira sem que a tira se rompesse… Depois rodávamos a tira falando as letras do alfabeto para descobrir a inicial de nossos futuros amores… Hoje vejo diminuído meu interesse por tais técnicas adivinhatórias, mas não minha obsessão por producir aquela tira comprida. O retilíneo ex-esférico…
Mas as laranjas que comprei ontem têm a casca fina. Tão fina que mesmo um especialista como eu não consegue descascá-las a contento… Pior: ao dar-lhes volta, já não posso extrair os gomos murchos, expremidos, um a um, com meus dentes… A casca, cheia de buracos, se gruda aos gomos e já não é tão gostoso…
Talvez as da semana que vem, como as da semana passada, venham melhor. Melhor dizendo, mais a meu gosto. Porque eu gosto de laranjas com casca grossa…
E eis portanto que é sexta e aos poucos vai entardecendo. Choveu todo o dia e o sol agora se despede firme no céu. Espero que como promessa de fim de semana ensolarado. Vejo-me então em meu eterno dilema. Se faz sol, estudarei? Sempre há a fuga mentirosa de dizer "claro, pego os livros, vou para a praça e fico aí, lendo, sob o sol". Mas acho que essa já não cola. Para mim, a única solução mesmo seria que chovesse. Um desses dias cinza e úmidos, que dá vontade de ficar em casa, abraçado com o amor da sua vida. Pois bem, dada a ausência de amor, ficaria com os livros que há tanto abandonei. Irresponsavelmente, é claro… Mas acho que não vai chover. Então terei que decidir. Como são ruins as decisões às vezes.
Mas ruim mesmo é não saber ainda o quê fazer na sexta a noite. E ficar esperando as pessoas decidirem para você se encaixar no plano alheio…
Como não me responderam, volto a perguntar: onde compro o amor da minha vida? Pago com cartão de crédito. Entregam aqui em Buenos Aires?
Acho que vou chupar outra laranja. Ou então dormir e me preparar para os planos que virão. Porque estudar na sexta-feira vai contra os meus princípios (oh gosh, I must be really fucked up).